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Beta-bloqueadores na hipertensão?

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 02/11/2008

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Bradicardia, beta-bloqueadores e doença cardiovascular em pacientes com hipertensão

 

Relação da bradicardia induzida por beta-bloqueadores e cardioproteção na hipertensão1

Relation of Beta-Blocker–Induced Heart Rate Lowering and Cardioprotection in Hypertension. J Am Coll Cardiol, 2008; 52:1482-1489 [Link para o Abstract]

 

Fator de impacto da revista (journal of the american college of cardiology): 11,054

 

Contexto Clínico

            A frequência cardíaca (FC) em repouso tem sido implicada como um fator de risco para morbidade e mortalidade cardiovascular tanto na população geral como em pacientes com doença cardiovascular como hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca. A redução farmacológica da FC já se demonstrou benéfica em pacientes com doença cardíaca, entretanto o papel da redução farmacológica da FC usando beta-bloqueadores para prevenção de eventos cardiovasculares em pacientes com hipertensão é desconhecido. Sendo assim, e em vista da controvérsia sobre a eficácia dos beta-bloqueadores como drogas de primeira escolha para o tratamento da hipertensão arterial2,3,4, os autores objetivaram avaliar o papel da redução da FC com beta-bloqueadores sobre o risco de eventos cardiovasculares em pacientes com hipertensão arterial.

 

O Estudo

            Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados MEDLINE/EMBASE/CENTRAL de 1966 a 2008 por ensaios clínicos randomizados que avaliaram beta-bloqueadores como terapia de primeira escolha para hipertensão arterial, com duração de pelo menos 1 ano e com dados sobre a frequência cardíaca. Foram encontrados 22 ensaios clínicos avaliando beta-bloqueadores, apenas 9 dos quais relataram dados sobre a FC. Estes 9 ensaios clínicos compararam 34.096 pacientes usando beta-bloqueadores com 30.139 pacientes usando outros anti-hipertensivos e 3.987 pacientes usando placebo.

 

Resultados

Uma FC mais baixa (como a alcançada nos grupos de beta-bloqueadores ao final dos estudos) associou-se de forma significativa com um risco maior para os desfechos de mortalidade geral, mortalidade cardiovascular, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca. A associação da FC mais baixa com maior risco de AVC não foi estatisticamente significante. A conclusão dos autores é que, em contraste com pacientes com infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca, a redução da FC com beta-bloqueadores aumentou o risco de eventos cardiovasculares e morte em pacientes com hipertensão arterial. Este excesso de risco pode ser explicado por uma maior pressão aórtica central induzida pela bradicardia associada ao uso de beta-bloqueadores.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Há, pelo menos, quatro publicações1,2,3,4 e um guideline5 que recomendam que os beta-bloqueadores não sejam mais indicados como drogas de primeira linha para o tratamento de pacientes hipertensos. Há um razoável corpo de evidências mostrando que eles são menos efetivos em reduzir eventos cardiovasculares que outros anti-hipertensivos. Existem também evidências de que a associação de um diurético tiazídico com um beta-bloqueador está associada a uma maior incidência de diabetes mellitus, embora alguns estudos mostrem que drogas bloqueadoras da angiotensina (inibidores da ECA e antagonistas do receptor de angiotensina) é que reduzem a incidência de diabetes e não que os beta-bloqueadores a aumentem. Além disso, a maior parte dos estudos que mostram eficácia reduzida dos beta-bloqueadores refere-se ao atenolol, o que nos impede de generalizar este efeito reduzido para toda a classe de beta-bloqueadores. Por último, existem inúmeros pacientes hipertensos que necessitam de beta-bloqueadores para prevenção secundária de doença coronariana, bem como para o controle de outras comorbidades como enxaqueca, estados hiperadrenérgicos, taquiarritmias e insuficiência cardíaca. Entretanto, pacientes hipertensos recém diagnosticados e sem comorbidades parecem não se beneficiar tanto de beta-bloqueadores como drogas de primeira escolha, particularmente o atenolol.

 

Bibliografia

1.Bangalore S, Sawhney S, Messerli FH. Relation of Beta-Blocker–Induced Heart Rate Lowering and Cardioprotection in Hypertension. J Am Coll Cardiol, 2008; 52:1482-1489 [Link para o Abstract]

2. Messerli F, Grossman E, Goldbourt U. Are beta-blockers efficacious as first-line therapy for hypertension in the elderly? A systematic review. JAMA 1998;279:1903–7. [Link Livre para o Artigo Original]

3. Carlberg B, Samuelsson O, Lindholm LH. atenolol in hypertension: is it a wise choice? Lancet 2004;364:1684 –9. [Link para o Abstract]

4. Lindholm LH, Carlberg B, Samuelsson O. Should beta blockers remain first choice in the treatment of primary hypertension? A meta-analysis. Lancet 2005;366:1545–53. [Link para o Abstract]

5. The National Collaborating Centre for Chronic Conditions. Hypertension. Management in adults in primary care: pharmacological update.

Available at: http://www.nice.org.uk/nicemedia/pdf/HypertensionGuide.pdf.

 

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