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Hemorragia Intraventricular

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 22/12/2008

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Hemorragia intraventricular

 

Hemorragia intraventricular: relações anatômicas e implicações clínicas

Intraventricular hemorrhage: Anatomic relationships and clinical implications. Neurology 2008 11; 70:848 [Link para abstract].

 

Fator de impacto da revista (neurology): 6,014

 

Contexto Clínico

            Hemorragia intracerebral cerebral espontânea (HIC) é responsável por cerca de um quinto dos AVCs. É uma doença devastadora com uma mortalidade de 30% e um alto grau de incapacidade dentre os sobreviventes. A HIC ocorre mais freqüentemente no putamen (35-50%), nos lobos cerebrais (30%), tálamo (10-15%), ponte (5-12%), caudado (7%) e cerebelo (5%). Associa-se freqüentemente com Hemorragia intraventricular (HIV), e é um preditor independente de pior prognóstico. O objetivo deste estudo foi avaliar as relações entre o volume e a localização anatômica da HIC com HIV, e determinar se a descompressão da HIC para dentro dos ventrículos é benéfica.

 

O Estudo

            O estudo consistiu de uma série de casos retrospectiva. Foram avaliados todos os pacientes (tomografias de crânio e prontuários) com HIC admitidos ao centro de AVC da Universidade do Texas - Houston durante um período de três anos. Os pacientes tiveram suas tomografias de crânio avaliadas por dois pesquisadores cegados, utilizando um escore para avaliação da extensão do sangramento intraventricular. O volume e a localização da HIC também foram devidamente avaliados. O escore de extensão da HIV pontua a quantidade de sangue em cada ventrículo da seguinte forma: 0 – sem sangue; 1 – sedimentação de sangue na porção posterior; 2 – parcialmente cheio de sangue; 3 – totalmente cheio de sangue. O escore de HIV é a soma dos escores dos 4 ventrículos e pode variar de 0 (sem HIV) até 12 (todos os ventrículos totalmente cheios de sangue). Este escore tem uma concordância interobservador excelente e foi utilizado ao invés da avaliação volumétrica da HIV para uma melhor utilidade clínica dos dados. A avaliação dos desfechos (prognóstico) foi feita na alta hospitalar utilizando-se a escala de Rankin modificada (ERm). Prognóstico ruim foi definido como uma ERm > 3.

 

Resultados

Foram identificados 406 pacientes com HIC, 45% dos quais apresentaram HIV. Hemorragias talâmicas e no caudado apresentaram as maiores freqüências de HIV (69% e 100%). O volume e a localização da HIC foram preditores de HIV (p<0,001). Pacientes com HIV tiveram uma chance duas vezes maior de apresentar prognóstico ruim (ERm de 4 a 6) quando comparados com pacientes sem HIV (OR:2,25 IC95% 1,40 – 3,64; p=0,001). Localização da HIC no caudado associou-se com bom prognóstico a despeito de ter havido 100% de HIV nesta localização. Descompressão ventricular espontânea não se associou a melhor prognóstico, independente da redução do volume do componente intraparenquimatoso (p=0,72). Uso de derivação ventricular externa (DVE) foi 7,4 vezes mais freqüente nos pacientes com HIV (OR:7,4 IC95% 3,37 – 16,30; p<0,001). Pacientes com necessidade de DVE apresentaram pior prognóstico comparados aos que não necessitaram desta intervenção (OR:3,4 IC95% 2,21 – 5,09; p<0,001).

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Embora seja uma série de casos baseada em análise retrospectiva de prontuários, o estudo é interessante em vários aspectos. É um dos únicos estudos que avaliaram a porcentagem de Hemorragia intraventricular de acordo com a localização do hematoma intraparenquimatoso, bem como incidência, evolução clínica e prognóstico de pacientes com HIC e HIV, numa coorte não selecionada. Os autores citam algumas limitações do estudo dentre as quais podemos citar a natureza retrospectiva do estudo, o tempo de acompanhamento que se restringiu até o momento da alta hospitalar e a não avaliação do crescimento do hematoma, que é um importante preditor de prognóstico. É sempre bom lembrar, entretanto, que estudos observacionais simples como esta série de casos podem trazer informações importantes para a prática clínica.

 

Bibliografia

1. Hallevi H, Albright KC, Aronowski J et al. Intraventricular hemorrhage: Anatomic relationships and clinical implications. Neurology 2008 11; 70:848

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