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FC em Repouso e Risco Cardiovascular em Mulheres

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 15/02/2009

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Frequência cardíaca de repouso como um preditor de baixa tecnologia para eventos coronarianos em mulheres: estudo de coorte prospectivo

Resting heart rate as a low tech predictor of coronary events in women: prospective cohort study. BMJ 2009;338:b219 [Link para PubMed].

 

Fator de Impacto da Revista (BMJ): 9,723.

 

Contexto Clínico

Tônus simpático elevado pode servir como um marcador de doença cardiovascular subclínica ou pode afetar de forma adversa os fatores de risco cardiovascular conhecidos como a hipertensão arterial, o metabolismo da glicose e os lipídeos plasmáticos. A frequência cardíaca (FC) de repouso é um indicador do tônus simpático, e prediz de forma independente o risco de eventos coronarianos em homens. Entretanto as evidências sugerem que esta associação é mais fraca ou está ausente em mulheres, exceto por um estudo que mostrou forte associação entre frequência cardíaca e morte cardiovascular entre mulheres afro-americanas. Com base nestas considerações os autores avaliaram a frequência cardíaca em repouso como preditor independente de infarto do miocárdio ou morte coronariana e acidente vascular cerebral (AVC) numa grande coorte de mulheres comparando a força destas associações por idade e grupo étnico.

 

O Estudo

O Women’s Health Initiative incluiu 161.808 mulheres na pós-menopausa, inscritas em 40 centros de pesquisa estadunidenses em quatro ensaios clínicos randomizados e um estudo observacional. A análise aqui apresentada incluiu as participantes do estudo observacional e as mulheres nos grupos intervenção e controle dos ensaios clínicos, excluindo-se as mulheres com infarto do miocárdio, AVC e revascularização coronariana de base, além das mulheres relatando o uso corrente de beta-bloqueadores, digoxina e bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos, totalizando 129.135 mulheres pós-menopausa. A medida da FC de repouso foi medida após repouso por cinco minutos na posição sentada, através da palpação da artéria radial durante 30 segundos por um observador treinado. Foram avaliadas inúmeras covariáveis através de questionário, de forma que dislipidemia e diabetes foram definidos exclusivamente por auto-relato. O acompanhamento médio foi de 7,8 anos. Visitas ao pronto-socorro, internações hospitalares e procedimentos de revascularização miocárdica ambulatoriais eram relatados pelos participantes a cada 6 meses, de forma que um comitê de desfechos avaliava estes eventos para possíveis desfechos de interesse.

 

Resultados

No período de seguimento (média de 7,8 anos), 2281 mulheres apresentaram infarto do miocárdio ou morte coronariana e 1877 apresentaram AVC. As associações entre FC de repouso e eventos cardiovasculares foram avaliadas utilizando-se o modelo de regressão de Cox ajustado para múltiplas covariáveis. FC de repouso mais alta associou-se de forma independente com eventos coronarianos (RR:1,26 IC95% 1,11 – 1,42 para a comparação quintil mais alto [> 76 pulsações por minuto] vs quintil mais baixo [< 62 pulsações por minuto], mas não com AVC. A relação entre FC e eventos coronarianos não foi diferente entre mulheres brancas e mulheres de outros grupos étnicos (p=0,45) ou entre mulheres com e sem diabetes (p=0,31), mas foi mais forte nas mulheres com idade entre 50 – 64 anos do que nas com idade entre 65 – 79 anos (p=0,009). Os autores concluem que a medida da FC em repouso, uma medida barata e de baixa tecnologia do tônus autonômico, prediz de forma independente a incidência de infarto do miocárdio e morte coronariana, mas não AVC, em mulheres.

 

Aplicações para a Prática Clínica

Numa grande e diversa coorte de mulheres pós-menopausa a FC de repouso foi um preditor independente de eventos coronarianos, com FC mais elevada associada com maior risco coronariano. É um estudo de excelente nível de evidência, pois, além dos já citados tamanho e diversidade da coorte, a avaliação dos desfechos foi prospectiva, o número de eventos clínicos foi grande e uma ampla gama de covariáveis estava disponível para análise. Este achado é consistente com a mesma associação já observada em homens e em subgrupos étnicos de mulheres, além ser biologicamente plausível. A medida da FC em repouso é uma intervenção de fácil realização, pouco invasiva e de baixo custo. A força desta associação é menor que a associação com tabagismo ou diabetes mellitus, mas pode ser grande o suficiente para ser clinicamente significativa. 

 

Bibliografia

1.    Hsia J, Larson JC, Ockene JK, Sarto GE, Allison MA, Hendrix SL, Robinson JG, LaCroix AZ, Manson JE. Resting heart rate as a low tech predictor of coronary events in women: prospective cohort study. BMJ 2009;338:b219

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