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Diferenças de gênero e AVC

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 01/03/2009

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Diferenças de gênero no AVC

 

Diferenças de gênero na incidência de AVC e no grau de incapacidade pós-AVC no Estudo de Framingham.

Gender Differences in Stroke Incidence and Poststroke Disability in the Framingham Heart Study. Stroke. 2009;40:00-00 [Link para Artigo Completo].

 

Fator de impacto da revista (Stroke): 6,296

 

Contexto Clínico

                        Esta semana discutiremos 3 artigos1,2,3 que avaliam as diferenças de gênero em vários aspectos dos cuidados médicos e do prognóstico de pacientes com acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM). Este tipo de diferença, juntamente com outros tipos abordagens diferenciais (como aquelas relacionadas à raça, nível educacional, classe social, preferência sexual, etc), é preocupante e deve ser combatido incessantemente. Entretanto é importante que tenhamos dados objetivos para embasar nossas ações e nos mantermos atentos a este tipo de preconceito, muitas vezes inconsciente.

            Os acidentes vasculares cerebrais (AVC) têm se tornado um grande problema de saúde pública para as mulheres assim como já é para os homens. Persistem controvérsias em relação a diferenças de gênero na incidência, na severidade e no grau de incapacidade pós-AVC. Com base nestas considerações os autores avaliaram pacientes com mais de 45 anos sem AVC de base tanto da coorte original de Framingham como da coorte dos descendentes (Offspring).

 

O Estudo

            Estudo de coorte com 5.119 participantes da coorte original de Framingham (2.829 mulheres) e 4.957 participantes da coorte de descententes de Framingham (2.565 mulheres) com 45 anos ou mais. Os participantes não tinham história de AVC prévio e foram acompanhados até o primeiro AVC. Medidas de desfecho gênero–específicas foram ajustadas para os componentes do Framingham Stroke Risk Profile.

 

Resultados

            Foram observados 1.136 AVCs incidentes (638 em mulheres) durante 56 anos de seguimento. Mulheres estavam significativamente mais velhas (75,1 anos X 71,1 anos para homens; p<0,001) no momento de seu primeiro AVC, apresentaram uma maior incidência de AVC após os 85 anos de idade, uma menor incidência em todas as outras idades e um maior risco de AVC em todas as idades do que os homens. Não houve nenhuma diferença significante entre o tipo de AVC, na gravidade do AVC e as taxas de fatalidade entre os gêneros. Mulheres apresentaram incapacidades significativamente maiores que os homens antes do AVC e na fase aguda do AVC na capacidade de vestir-se (59% x 37%) e arrumar-se (57% x 34%), e na capacidade de transferência da cama para a cadeira (59% x 35%). No longo prazo, aos 3 e 6 meses após o AVC, as mulheres estavam significativamente mais incapacitadas que os homens, com uma maior probabilidade de estarem sós e com uma probabilidade 3,5 vezes maior de estarem institucionalizadas (p<0,01). Os autores concluem que este resultado do Estudo de Framingham corrobora a existência de diferenças de gênero na incidência de AVC, no risco geral de AVC, na idade do primeiro AVC, no grau de incapacidade após o AVC e nas taxas de institucionalização após o AVC. Os autores também comentam que o grau de incapacidade pré-AVC (significativamente maior entre as mulheres) e fatores sócio-demográficos podem contribuir para as altas taxas de institucionalização e o prognóstico mais pobre observado entre as mulheres.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Estudo grande, com longo tempo de acompanhamento e dados fidedignos, mostra que existe uma diferença de gênero na incidência e no prognóstico após o AVC, que afeta negativamente as mulheres. Mesmo se considerarmos os fatores pré-AVC citados como sendo os responsáveis por estas diferenças no grau de incapacidade e nas taxas de institucionalização pós-AVC entre as mulheres, ainda assim há diferenças de gênero significativas, que provavelmente já existem mesmo antes do AVC, podendo inclusive contribuir para sua instalação.

A questão de gênero, juntamente com a questão étnica e sócio-econômica, são pontos fundamentais a serem discutidos e superados. Contribuem de forma significativa para aumentar a morbi-mortalidade de grupos com maior vulnerabilidade e são um grande entrave para a implementação e consolidação dos princípios da universalidade e da equidade na saúde.

 

Bibliografia

1. Jneid H, Fonarow GC, Cannon CP, Hernandez AF, Palacios IF, Maree AO, Wells Q, Bozkurt B, LaBresh KA, Liang L, Hong Y, Newby LK, Fletcher G, Peterson E, Wexler L. Sex Differences in Medical Care and Early Death After Acute Myocardial Infarction. Circulation 2008;118;2803-2810.

2. Petrea RE, Beiser AS, Seshadri S, Kelly-Hayes M, Kase CS, Wolf PA. Gender Differences in Stroke Incidence and Poststroke Disability in the Framingham Heart Study. Stroke. 2009;40:00-00. (published online Feb 10, 2009).

3. Gargano JW, Wehner S, Reeves MJ. Do Presenting Symptoms Explain Sex Differences in Emergency Department Delays Among Patients With Acute Stroke? Stroke. 2009;40:00-00 (published online Feb10, 2009).

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