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Aspirina antiinflamatórios e paracetamol e risco de câncer de mama

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 30/03/2009

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Aspirina, antiinflamatórios e paracetamol e risco de câncer de mama

 

Uso de aspirina, outros antiinflamatórios e paracetamol e risco de câncer de mama entre mulheres pré-menopausa no estudo das enfermeiras II (Nurses’ Health Study II)1.

Use of Aspirin, Other Nonsteroidal Anti-inflammatory Drugs, and Acetaminophen and Risk of Breast Cancer Among Premenopausal Women in the Nurses’ Health Study II. Arch Intern Med. 2009;169(2):115-121 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (Archives of internal medicine): 8,391

 

Contexto Clínico

            O uso de aspirina e outros antiinflamatórios não esteroidais (AINE) é muito difundido para o tratamento de sintomas comuns como cefaléias, dores musculares e processos inflamatórios. Além disso, o uso da aspirina e de AINES como quimioprofiláticos para doenças cardíacas e para câncer de cólon tem sido cada vez mais comum, em virtude de dados consistentes recentemente publicados2,3,4. Assim, surgiram esperanças de que tais drogas também possam prevenir outros tipos de câncer, incluindo o câncer de mama.  No entanto, as evidências de um possível efeito protetor em relação ao câncer de mama têm sido inconsistentes, e poucos dados existem para mulheres na pré-menopausa. Alguns estudos sugerem que a aspirina e os AINES sejam protetores apenas para os cânceres de mama com receptor de estrógeno positivo (ER+). Com base nestas considerações, os autores realizaram uma análise, utilizando os dados do Estudo das Enfermeiras (Nurses’ Health Study), para avaliar a associação entre o uso de aspirina, AINEs e paracetamol e o risco de câncer de mama.

 

O Estudo

            O Nurses’ Health Study II é um estudo de coorte prospectivo. Foram avaliadas 112.292 mulheres com idade entre 25 e 42 anos e sem câncer em 1989. As participantes foram acompanhadas até 2003 (14 anos de seguimento). Foram calculados riscos relativos multivariados e seus respectivos intervalos de confiança de 95% pelo modelo de Cox, ajustando por idade e outros fatores de risco importantes para câncer de mama.

 

Resultados

            Foram documentados 1.345 casos de câncer de mama invasivo na pré-menopausa. O uso regular de aspirina (duas vezes ou mais por semana) não se associou com o risco de câncer de mama (RR:1,07 IC95% 0,89 – 1,29). O uso regular de outros AINEs ou paracetamol também não se associou de forma consistente com o risco de câncer de mama. Estes resultados também não variaram em virtude da frequência (números de dia por semana), da dose (comprimidos por semana) ou da duração de uso. Além disso, as associações com cada categoria de droga também não se alteraram como conseqüência da presença ou ausência de receptores de estrógeno e progesterona nos tumores. Os autores concluem que o uso de aspirina, AINES e paracetamol não está associado com um menor risco de câncer de mama em mulheres pré-menopausa.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Os possíveis mecanismos de proteção induzidos pela aspirina e por outros AINES incluem inibição da COX-2, da proliferação celular e da angiogênese, além de indução de apoptose. No caso específico do câncer de mama, a inibição da COX-2 pode diminuir a conversão de andrógenos em estrógenos no tecido mamário (ação mediada pela redução das prostaglandinas), o que reduziria o risco de tumores de mama com ER+ (positivos para receptor de estrógeno), mas não de tumores sem receptor de estrógeno. Esta observação já foi sugerida por outros dados epidemiológicos.

Assim, é possível que este estudo tenha produzido resultados falso-negativos. Primeiro, em virtude do fato de que mulheres pré-menopausa apresentam um menor risco de câncer de mama invasivo do que as pós-menopausadas. Demonstrar eficácia em um grupo de baixo risco é mais difícil. Segundo, uma proporção significativa dos cânceres de mama nas mulheres pré-menopausa é ER-, o que contribuiria ainda mais para reduzir a eficácia preventiva da aspirina e AINES, uma vez que este tipo de tumor (ER-) geralmente não é prevenido pela inibição da COX-2. Entretanto, embora estas observações possam ter comprometido os resultados do estudo, o número de participantes e de eventos no estudo foi razoavelmente grande para que isto tenha ocorrido. Um fato, no entanto, pode ter contribuído para que não se tenha encontrado nenhum efeito protetor da aspirina ou dos AINES neste estudo. Como os próprios autores notam, é possível que os efeitos protetores destas drogas ocorram com exposições durante mais tempo do que o avaliado neste estudo.

De qualquer forma, mesmo que haja qualquer efeito protetor não observado neste estudo, ele deve ser muito pequeno para que não tenha sido observado num estudo tão grande e com um tempo de seguimento de 14 anos.

 

Bibliografia

1. Eliassen AH, Chen WY, Spiegelman D, Willett WC, Hunter DJ, Hankinson SE. Use of Aspirin, Other Nonsteroidal Anti-inflammatory Drugs, and Acetaminophen and Risk of Breast Cancer Among Premenopausal Women in the Nurses’ Health Study II. Arch Intern Med. 2009;169(2):115-121.

2. Campbell CL, Smyth S, Montalescot G, Steinhubl SR. Aspirin dose for the prevention of cardiovascular disease: a systematic review. JAMA. 2007;297(18): 2018-2024.

3. Dube´ C, Rostom A, Lewin G, et al; U.S. Preventive Services Task Force. The use of aspirin for primary prevention of colorectal cancer: a systematic review prepared for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2007;146 (5):365-375.

4. Rostom A, Dube´ C, Lewin G, et al; U.S. Preventive Services Task Force. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs and cyclooxygenase-2 inhibitors for primary prevention of colorectal cancer: a systematic review prepared for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2007;146(5):376-389.

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