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Transmissão de tuberculose

Autores:

Marcelo Litvoc

Médico da Disciplina de Infectologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Euclides F. de A. Cavalcanti

Médico Colaborador da Disciplina de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 27/04/2009

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Transmissão de TB em pacientes com pesquisa de BAAR negativa

 

Transmissão de tuberculose em pacientes com pesquisa de BAAR negativa em uma coorte holandesa.

Tostmann A et al. Tuberculosis Transmission by Patients with Smear-Negative Pulmonary Tuberculosis in a Large Cohort in The Netherlands. Clinical Infectious Diseases 2008; 47:1135–42 [Link para o abstract]

 

Fator de impacto da revista (Clinical Infectious Diseases): 6,750

 

Contexto Clínico

            O mycobacterium tuberculosis é transmitido por pacientes com tuberculose pulmonar e a microscopia de uma amostra de escarro (pesquisa de bacilo álcool ácido resistente – PBAAR) é muito utilizada para o diagnóstico de tuberculose, pois a cultura pode demorar meses para confirmá-lo. Embora os pacientes com PBAAR negativo e cultura positiva tenham menor risco de transmitir a tuberculose, sabe-se que também podem contribuir para que isso aconteça 2,3. O presente estudo teve como objetivo quantificar o risco de Transmissão de tuberculose em pacientes com PBAAR negativo e cultura positiva para tuberculose no escarro.

 

O Estudo

            Foram analisados dados clínicos e demográficos de todos os pacientes com tuberculose confirmada por cultura na Holanda no período de 1996 a 2004. As características do DNA foram analisadas, e os pacientes com características 100% idênticas no DNA foram agrupados. Em cada um destes grupos, foi considerado como paciente inicial o primeiro paciente a receber o diagnóstico.

 

Resultados

            De um total de 1.285 pacientes com tuberculose foram identificados 394 grupos de pacientes com DNA do bacilo com características 100% idênticas. Como já foi dito anteriormente, foi considerado como paciente inicial o primeiro paciente a receber o diagnóstico. Com base nas “impressões digitais do DNA” identificou-se que 12,6% dos casos secundários foram transmitidos de pacientes com PBAAR negativo. O risco de transmitir tuberculose de um paciente com PBAAR negativo e cultura positiva foi de aproximadamente um quarto em relação a pacientes com PBAAR positivo e cultura positiva (risco relativo de 0,24 IC 95% 0,20 a 0,30).

 

Aplicações para a Prática Clínica

            O estudo confirma os resultados de estudos anteriores3,4 , demonstrando que a tuberculose pode ser transmitida por pacientes com PBAAR negativo, sendo estes pacientes responsáveis por 12,6% dos casos secundários neste estudo.  A transmissibilidade de tuberculose por um paciente com PBAAR negativo demonstrou ser um quarto da transmissibilidade de pacientes com PBAAR positivo. Esta taxa não é desprezível, pois na maioria dos serviços é a positividade ou não da PBAAR (geralmente 3 amostras) que determina se o paciente precisa persistir em isolamento ou não. Embora não possamos ter certeza se estes dados se aplicam à população brasileira, sugere-se a partir deste estudo:

         Realizar investigação epidemiológica dos contactuantes íntimos (familiares e trabalho) em todos os casos de tuberculose pulmonar não bacilífera. A investigação deve ser realizada a partir de uma consulta clínica, com ênfase epidemiológica para o risco de transmissão, radiografia de tórax e reação de Mantoux (cuidado na interpretação).

         É necessário rediscutir os critérios de isolamento respiratório em pacientes sintomáticos respiratórios, mesmo com pesquisas diretas negativas, porém com risco epidemiológico para tuberculose.

         Apesar do impacto econômico na restrição de leitos, em unidades de risco (transplantados, infectologia, oncologia), o cuidado adicional é justificado pelo achado de cerca de 12% de transmissões em não-bacilíferos.

 

Bibliografia

1.     Tostmann A et al. Tuberculosis Transmission by Patients with Smear-Negative Pulmonary Tuberculosis in a Large Cohort in The Netherlands Clinical Infectious Diseases 2008; 47:1135–42 [Link para o abstract]

2.     Behr MA,Warren SA, Salamon H, et al. Transmission of Mycobacterium tuberculosis from patients smear-negative for acid-fast bacilli. Lancet 1999; 353:444–9.

3.     Hernandez-Garduno E, Cook V, Kunimoto D, Elwood RK, Black WA, FitzGerald JM. Transmission of tuberculosis from smear negative patients: a molecular epidemiology study. Thorax 2004; 59:286–90.

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