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Doença coronariana depressão e insuficiência cardíaca

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 27/04/2009

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Doença coronariana, depressão e insuficiência cardíaca

 

Depressão após doença coronariana está associada com insuficiência cardíaca1.

Depression After Coronary Artery Disease Is Associated With Heart Failure. J Am Coll Cardiol 2009;53:1440–7 [Link para Astract].

 

Fator de impacto da revista (Journal of the american college of cardiology): 11,054

 

Contexto Clínico

            A depressão é uma das maiores causas de morbidade e uma das doenças com maior impacto na qualidade de vida. Alguns estudos têm mostrado que a depressão é um fator de risco para desfechos ruins em pacientes com doença coronariana (DAC). Entretanto pouco se sabe sobre a influência da depressão sobre o desenvolvimento de insuficiência cardíaca (IC) em pacientes com doença coronariana. O conhecimento desta associação é importante uma vez que a insuficiência cardíaca tem sido considerada um grande problema de saúde pública, afetando cerca de 6,4 milhões de brasileiros, com uma incidência de aproximadamente 10 casos por 1000 indivíduos com mais de 65 anos2. No Brasil, houve cerca de 400 mil internações por IC em 2000, com um custo de 204 milhões de reais, o que equivale a 4% do total de gastos com internações. É a única doença cardiovascular que vem aumentando em incidência, prevalência e custos. Em vista destas considerações, os autores realizaram este estudo com o objetivo de avaliar a influência da depressão em indivíduos com doença coronariana sobre a incidência de insuficiência cardíaca.

 

O Estudo

            Foram estudados 13.708 participantes de um registro de angiografia coronariana do Intermountain Heart Collaborative Study. Foram incluídos pacientes com doença coronariana (estenose de 70% ou mais) sem diagnóstico prévio de depressão nem de insuficiência cardíaca e que não estavam usando anti-depressivos no momento do diagnóstico da DAC. O objetivo primário foi comparar a incidência de IC entre pacientes com DAC que desenvolveram depressão com aqueles que não apresentaram depressão durante o seguimento. O objetivo secundário foi avaliar, entre os participantes que desenvolveram depressão, a incidência de IC entre os que receberam anti-depressivos e entre os que não foram tratados com anti-depressivos. A adjudicação do evento IC foi realizada clinicamente, embora se tenha realizado uma análise de subgrupo com os participantes que realizaram ecocardiograma. Os resultados foram avaliados pelo modelo de regressão de Cox. O seguimento médio foi de 5,6 anos.

 

Resultados

            Um total de 1.377 pacientes (10%) apresentou um diagnóstico clínico de depressão pós-DAC. A incidência de IC entre os coronarianos sem diagnóstico clínico de depressão foi de 3,6% comparada a 16,4% entre os participantes com depressão. Depressão associou-se com um risco aumentado de desenvolver insuficiência cardíaca (RR:1,50 IC95% 1,38 – 1,63; p<0,0001). Na análise estratificada, o risco de insuficiência cardíaca foi ainda maior (RR:2,11 IC95% 1,30 – 3,43; p=0,003) entre os participantes que tiveram seu diagnóstico de IC realizado sem a medida da fração de ejeção. Os resultados foram semelhantes entre os participantes que tinham informação sobre o uso de medicamentos anti-depressivos (sem depressão vs depressão sem anti-depressivo – RR:1,68 IC95% 1,36 – 2,07; p<0,0001) – (sem depressão vs depressão com anti-depressivos – RR:2,00 IC95% 1,54 – 2,58; p<0,0001). Não houve diferenças na incidência de IC em relação ao fato de a depressão ser ou não tratada (depressão sem tratamento vs depressão com tratamento – RR:0,84 IC95% 0,63 – 1,13; p=0,24). Os autores concluem que o diagnóstico clínico de depressão associou-se com um risco aumentado de insuficiência cardíaca após o diagnóstico de DAC, independente do tratamento com medicamentos anti-depressivos. 

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Os autores fazem algumas especulações sobre as possíveis conexões biológicas entre a depressão e a insuficiência cardíaca como, por exemplo, o fato de ambas estarem associadas a níveis aumentados de marcadores inflamatórios e a disfunção endotelial, além de ambas compartilharem alguns fatores de risco como tabagismo e excesso de peso. Independente das possíveis explicações biológicas para a associação e embora esta associação necessite de investigações adicionais, suas conseqüências e futuras intervenções podem ter um grande impacto na saúde pública. Entretanto, devemos atentar para o fato de que o conhecimento desta associação pode não ter o impacto esperado sobre a incidência de IC, uma vez que o tratamento dos pacientes deprimidos não altera a incidência de IC, conforme mostram os resultados do presente estudo. Provavelmente a intervenção preventiva deverá ocorrer antes do desenvolvimento da depressão. Pelos resultados do estudo, é possível que a depressão seja apenas um marcador do desenvolvimento de IC e não um fator causal em si. De qualquer forma, a demonstração desta associação é um primeiro passo para o entendimento mais minucioso das causas e possíveis intervenções na prevenção de duas condições de alta morbidade, a depressão e a insuficiência cardíaca.

 

Bibliografia

1. May HT, Horne BD, Carlquist JF, Sheng X, Joy E, Catinella AP. Depression After Coronary Artery Disease Is Associated With Heart Failure. J Am Coll Cardiol 2009;53:1440–7.

2. Rossi Neto, João Manoel. A dimensão do problema da insuficiência cardíaca do Brasil e do mundo / The dimension of the problem of heart failure in Brazil and in the world. Rev. Soc. Cardiol. Estado de Säo Paulo 2004; 14(1):1-10.

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