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Poluição ambiental e cefaléias no PS

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 17/06/2009

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Poluição ambiental e cefaléias no PS

 

Poluição do ar e visitas diárias ao PS por enxaqueca e cefaléia em Edmonton, Canadá.

Air pollution and daily ED visits for migraine and headache in Edmonton, Canada. Am J Emerg Med 2009; 27: 391–396 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (Am J Emerg Med): 1,164

 

Contexto Clínico

            Cefaléias primárias, particularmente a enxaqueca representam uma importante preocupação em saúde pública. O número de dias de trabalho perdidos e a procura por serviços médicos de emergência são substanciais. Inúmeros fatores ambientais já foram identificados como possíveis gatilhos para crises de enxaqueca e outras cefaléias primárias. A associação entre poluição atmosférica e cefaléias primárias não é amplamente aceita pelos médicos. Assim, os autores realizaram um estudo em que foram analisadas as associações entre os níveis de poluição atmosférica e as visitas ao departamento de emergências por enxaqueca e outras cefaléias primárias.

 

O Estudo

            A análise se baseou nas contagens de visitas diárias ao pronto-socorro por enxaqueca e outras cefaléias, durante um período de 10 anos, em Edmonton, Canadá. Foram analisadas 56.241 visitas ao PS por enxaqueca e 48.022 visitas ao PS por outras cefaléias primárias em hospitais de Edmonton, de 1992 a 2002. Dados sobre a poluição atmosférica foram obtidos de estações de monitorização permanente em Edmonton, fornecendo dados hora a hora. Foram fornecidos tanto dado de poluidores gasosos (monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e ozônio) como de poluidores particulados (partículas respiráveis e partículas inaláveis). Um modelo de Poisson das visitas ao PS hierarquicamente agrupadas por dia da semana, do mês e do ano foi aplicado utilizando-se modelos lineares mistos. A umidade relativa do ar e a temperatura foram incluídas como co-variáveis.

 

Resultados

            As mulheres foram responsáveis por 78,5% das visitas ao PS por enxaqueca e por 56,3% das visitas por outras cefaléias primárias. Um aumento no intervalo interquartil (25 – 75%) da média diária de material particulado com diâmetro aerodinâmico mediano de menos de 2,5 µm (PM2,5) associou-se com um aumento nas visitas ao PS por enxaqueca de 3,3 % (IC95% 0,6 – 6,0) com um atraso de dois dias e de 3,4% (IC95% 0,3 – 6,6) por outras cefaléias, sem atraso, apenas em mulheres e na estação fria (outubro a março no hemisfério norte). PM2,5 também se associou com visitas por enxaqueca na estação fria entre mulheres no mesmo dia da medida dos particulados e com atraso de 1 dia (p<0,01). Na estação seca (abril a setembro no hemisfério norte), um aumento no intervalo interquartil (25 – 75%) de 2,3 ppb de dióxido de enxofre associou-se com um aumento de 2,5% nas visitas ao PS (IC95% 0,3 – 4,6) por enxaqueca entre as mulheres, enquanto um aumento de 12,8 ppb no intervalo interquartil do dióxido de nitrogênio associou-se a um aumento de 6,8% nas visitas (IC95% 1,5 – 12,5) por cefaléias entre os homens. Os autores concluem que os achados deste estudo fornecem evidências preliminares de uma potencial associação entre poluição atmosférica e visitas ao pronto-socorro por enxaquecas e outras cefaléias. Os achados, de acordo com os autores, foram mais consistentes para poluição particulada.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            É um estudo interessante, bem feito, mas que apresenta algumas limitações que são típicas deste tipo de estudo, e que incluem a possibilidade de erros de medida da exposição aos poluentes e dos fatores climáticos e das variáveis de desfecho (complexidade na definição das diversas síndromes de cefaléias primárias). Além disso, os monitores fixos de poluição podem não refletir as variações na exposição entre indivíduos. Por isso este estudo seria mais bem classificado como um estudo ecológico (ou estudo de risco agregado).

Associações de poluição atmosférica com inúmeros eventos clínicos tem sido objeto de vários estudos. Poluição particulada associa-se sabidamente com uma variedade de eventos respiratórios e cardiovasculares agudos e crônicos, através de mecanismos fisiopatológicos diversos que incluem inflamação, translocação de partículas para fora do sistema respiratório, e efeitos sobre a coagulação, função endotelial e função autonômica. Uma minoria de pacientes com enxaqueca relata gatilhos específicos para as crises agudas, os mais comuns sendo estresse ou relaxamento após estresse, mudanças de hábito, fatores dietéticos, luz excessiva, barulho excessivo, e menstruação. Alguns indivíduos com enxaqueca também relatam associação com o tempo (mudanças meteorológicas), cheiros, fumaça e calor. Assim, este estudo, embora de forma preliminar, adiciona uma nova possível exposição gatilho para crises de enxaqueca e cefaléias em geral às já conhecidas, além de ressaltar os malefícios da poluição em relação a mais uma condição clínica.

 

Bibliografia

1. Szyszkowicz M, Stieb DM, Rowe BH. Air pollution and daily ED visits for migraine and headache in Edmonton, Canada. Am J  Emerg Med 2009; 27: 391–396. [Link para Abstract].

 

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