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O que fazer com o lactente que chora excessivamente?

Autores:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Flávia J. Almeida

Médica Assistente do Serviço de Infectologia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo. Mestre em Pediatria pela FCMSCSP.

Última revisão: 08/08/2009

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O que fazer com o lactente que chora excessivamente

 

O lactente que chora excessivamente: diagnóstico e frequência de doenças graves

The crying infant: Diagnostic testing and frequency of serious underlying disease. Pediatrics 2009; 123(3):841-848 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (pediatrics): 4,473

 

Contexto Clínico

            O choro na infância é normal e varia em função da idade, do horário do dia e de criança para criança. Entretanto, uma vez que choro excessivo pode ser um sintoma de uma doença mais grave, uma abordagem baseada em evidências para avaliação diagnóstica de crianças que choram excessivamente seria útil. Desta forma, os autores realizaram um estudo para determinar a proporção de crianças com choro excessivo avaliadas num pronto-socorro (PS) que apresentavam uma doença de base mais grave.

 

O Estudo

            Trata-se de uma revisão retrospectiva de todas as crianças com menos de um ano, afebris, que se apresentaram ao PS com queixa principal de choro excessivo, irritabilidade ou cólica. Todas as crianças com doença grave subjacente foram identificadas utilizando-se critérios definidos a priori. Revisão dos prontuários foi realizada para determinar se história, exame físico ou investigação subsidiária contribuíram para se estabelecer o diagnóstico das crianças. Foram incluídas 237 crianças, representando 0,6% de todas as visitas ao PS. A avaliação principal consistiu em avaliar qual a proporção destas crianças que apresentava doença grave subjacente. Os desfechos secundários incluíram as contribuições individuais da história, do exame físico e das investigações laboratoriais na determinação do diagnóstico subjacente.

 

Resultados

            Um total de 12 crianças (5,1%) apresentou etiologias subjacentes graves, sendo a infecção do trato urinário a mais frequente (3 casos). Dois dos diagnósticos mais graves (16,7%) foram feitos apenas numa segunda visita ao hospital. Dos 574 exames complementares realizados, 81 (14,1%) foram positivos. Entretanto apenas 8 diagnósticos (1,4%) foram realizados com base em exames complementares. História clínica e/ou exame físico sugeriram o diagnóstico em 66,3% dos casos. O estado geral regular ou ruim estava associado com doença subjacente. Em apenas duas crianças (0,8%) os exames complementares contribuíram para o diagnóstico na ausência de um quadro clínico sugestivo. Estes dois casos eram crianças com menos de 4 meses de idade que apresentavam infecção do trato urinário. Entre as crianças com menos de 1 mês de idade, a taxa de positividade de cultura de urina foi de 10%.

           

Aplicações para a Prática Clínica

            Muitas vezes os lactentes expressam desconforto através do choro. E este choro pode ser devido a vários fatores, como fome, frio ou calor, “manha”, ou até mesmo uma doença. É importante saber que lactentes jovens choram diariamente e muitas vezes o motivo fica desconhecido. Com 6 semanas de vida, os lactentes choram, em média, 3 horas por dia, predominantemente no final do dia.

            Também é frequente a procura aos pronto-atendimentos devido ao choro. E neste momento, os pais estão ansiosos e exaustos. Desta forma, é fundamental que o lactente seja avaliado com atenção e os pais bem orientados pelo médico. Muitas vezes, os pais não ficam satisfeitos e o retorno ao pronto-atendimento ocorre em 13% dos casos.

            O aspecto mais importante na avaliação de um lactente que chora excessivamente é uma história e um exame físico minuciosos. Em geral, um lactente que chora, mas apresenta-se ativo, em bom estado geral, com boa aceitação alimentar, sem outros sinais ou sintomas, não tem uma doença subjacente. Entretanto, o fato do médico não diagnosticar uma doença é sempre uma preocupação. Este estudo nos mostra que uma possibilidade diagnóstica nestes casos é a infecção do trato urinário, especialmente nos lactentes jovens.

            Acreditamos que a história e o exame físico constituem o pilar do atendimento do lactente que chora, direcionando a necessidade de investigação laboratorial. Em recém-nascidos é importante descartar infecção do trato urinário.

 

Bibliografia

1. Freedman SB, Al-Harthy N, Thull-Freedman J. The crying infant: Diagnostic testing and frequency of serious underlying disease. Pediatrics 2009; 123(3):841-848.

 

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