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Febre de orígem indeterminada - papel da avaliação da medula óssea

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 01/02/2010

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Avaliação da medula óssea na febre de origem indeterminada

 

Achados do exame da medula óssea no diagnóstico da causa de febre de origem indeterminada1 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (archives of internal medicine): 9,110

 

Contexto Clínico

             A febre de origem indeterminada (FOI) continua sendo um desafio diagnóstico, uma vez que o diagnóstico pode permanecer indeterminado por muitas semanas até meses. Esta entidade (FOI) foi descrita e seus critérios diagnósticos delineados em 1961 por Petersdorf e Beeson2. Caracteriza-se por uma condição de pelo menos 3 semanas de duração, com febre (temperatura > 38,3oC em várias ocasiões) e nenhum diagnóstico estabelecido após uma semana de investigação hospitalar. Esta avaliação diagnóstica envolve muitos procedimentos invasivos e não invasivos (testes laboratoriais incluindo culturas e sorologias, exames de imagem, aspiração ou biópsias de lesões cutâneas ou linfonodos, etc). O papel das biópsias é crucial na abordagem diagnóstica da FOI. Existem mais de 200 causas de FOI e muitas delas envolvem a medula óssea3,4. Assim sendo, os autores relatam uma série de 130 pacientes com FOI que foram submetidos à biópsia de medula óssea.

 

O Estudo

            Trata-se de uma série de 130 casos selecionados a partir de 280 pacientes consecutivos que foram internados entre 1995 e 2005 (num único centro de atenção terciária em Lyon, França) por doença febril de causa incerta, com duração de pelo menos 3 semanas, permanecendo sem diagnóstico após uma avaliação diagnóstica mínima.

 

Resultados

            De uma forma geral, um diagnóstico específico através da biópsia de medula óssea foi conseguido em 31 casos (rendimento diagnóstico – diagnostic yield - de 23,7%). Três tipos de doença foram encontrados: doenças hematológicas malignas em 25 casos (19 linfomas, 4 leucemias agudas, 1 leucemia de células cabeludas e 1 mieloma múltiplo), doenças infecciosas em 3 casos (2 casos de tuberculose e 1 caso de leishmaniose visceral), mastocitose sistêmica em 2 casos e granulomatose disseminada idiopática em 1 caso. Trombocitopenia e anemia foram os dois fatores preditores mais fidedignos em relação à utilidade da biópsia de medula óssea com odds ratios (OR) de 4,9 (IC95% 1,04 – 9,30) e 3,24 (IC95% 1,13 – 9,34) respectivamente. A cultura de medula óssea apresentou valor muito limitado nesta série de casos. Por último, os autores comentam que a utilização de corticóide não parece ter afetado a utilidade (o rendimento diagnóstico) da biópsia de medula óssea.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Trata-se de um estudo interessante, bem feito e com um número de pacientes razoável para a condição clínica em questão. A maioria dos estudos sobre o papel da biópsia de medula óssea na avaliação de pacientes com FOI encontrou um rendimento diagnóstico de 14 a 20%. Este estudo mostrou que a biópsia forneceu um diagnóstico em 23,7% dos casos em que foi realizada, o que é bem razoável em se tratando de um exame invasivo, mas de execução fácil e sem grandes riscos, e de uma condição clínica que pode ser grave. Interessante lembrar que a presença de trombocitopenia e anemia associaram-se a uma eficácia diagnóstica maior da biópsia de medula na FOI. Lembrar também que o uso de corticóide não diminui o valor diagnóstico da biópsia de medula. Assim, estes editores acreditam que este é um exame que deva ser lembrado nos casos de FOI, particularmente na presença de trombocitopenia e anemia.

 

Bibliografia

1.     Hot A, Jaisson I, Girard C, French M, Durand DV, Rousset H, Ninet J. Yield of Bone Marrow Examination in Diagnosing the Source of Fever of Unknown Origin. Arch Intern Med. 2009;169(21):2018-2023.

2.     Petersdorf RG, Beeson PB. Fever of unexplained origin: report on 100 cases. Medicine (Baltimore). 1961;40:1-30.

3.     Arnow PM, Flaherty JP. Fever of unknown origin. Lancet. 1997;350(9077):575- 580.

4.     Cunha BA. Fever of unknown origin: focused diagnostic approach based on clinical clues from the history, physical examination, and laboratory tests. Infect Dis Clin North Am. 2007;21(4):1137-

 

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