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Risco de AVC recorrente IAM ou morte em pacientes hospitalizados com AVC

Autores:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Euclides F. de A. Cavalcanti

Médico Colaborador da Disciplina de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 16/03/2010

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Risco de AVC recorrente, IAM ou morte em pacientes hospitalizados com AVC

 

Risco de AVC recorrente, infarto do miocárdio ou morte em pacientes hospitalizados com acidente vascular cerebral1 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (Neurology): 7,043

 

Contexto Clínico

            Os acidentes vasculares cerebrais (AVC) respondem por grande parte da mortalidade nos países ocidentais e no Brasil sua importância é ainda maior. Tais pacientes apresentam risco de morte na fase aguda, além de incapacidade e perda da qualidade de vida no longo prazo. Também apresentam risco de recorrência de AVC e incidência de outras doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio (IAM), uma vez que geralmente apresentam inúmeros fatores de risco para doença cardiovascular. Recorrência de AVC e outros eventos vasculares estão entre as principais causas de morbi-mortalidade entre os sobreviventes de um AVC. Este estudo objetivou avaliar a recorrência de AVC, a mortalidade (geral e vascular) e a incidência de IAM em pacientes hospitalizados com AVC.

 

O Estudo

            Trata-se de um estudo de coorte em que pacientes com diagnóstico primário de AVC na alta hospitalar no ano de 2002 foram identificados através da base de dados de altas hospitalares do estado de Carolina do Sul nos Estados Unidos. Os pacientes foram acompanhados por 4 anos, e estimativas de Kaplan-Meier para AVC recorrente, IAM, morte vascular, mortalidade geral e um desfecho composto de eventos foram calculadas para 1 mês, 6 meses. 1 ano, 2 anos, 3 anos  e 4 anos. Os fatores prognósticos foram avaliados utilizando-se o modelo de regressão de Cox. A estratégia de busca identificou 10.399 pacientes com diagnóstico primário de AVC na alta hospitalar em 2002 na Carolina do Sul.

 

Resultados

            As estimativas de Kaplan-Meier de risco acumulado em 1 mês, 6 meses, 1 ano, 2 anos, 3 anos e 4 anos para AVC recorrente foram 1,8%; 5,0%; 8,0%; 12,1%; 15,2% e 18,1%; para IAM as estimativas de risco foram 0,3%; 1,0%; 2,1%; 3,7%; 5,0% e 6,2%; para mortalidade geral 14,6%; 20,6%; 24,5%; 30,9%; 36,2% e 41,3%; para morte vascular as estimativas foram 11,4%; 14,8%; 17,1%; 20,7%; 23,8% e 26,7% e as estimativas de risco para o desfecho composto (AVC recorrente, Iam e morte vascular) foram 13,6%; 19,5%; 24,7%; 31,6%; 36,8% e 41,3%. O risco relativo de eventos associados (AVC recorrente, IAM e morte) aumenta com a idade (RR:1,38 IC95% 1,35-1,41), é 1,12 (IC95% 1,05 – 1,19) para negros americanos comparados com caucasianos, é 1,67 (IC95% 1,57 – 1,77) para pacientes com índice de comorbidade mais elevado (= 2 vs < 2), e é 1,34 (IC95% 1,28 – 1,39) para pacientes com hemorragia subaracnóide ou hemorragia intracerebral comparado com AVC isquêmico. Os autores concluem que estes achados sugerem que ainda existe espaço para melhorar adicionalmente a prevenção secundária de AVC na Carolina do Sul.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Os estudos de coorte são excelentes para avaliar a história natural das doenças, o prognóstico e os fatores de risco associados. Neste estudo observamos números interessantes em relação à recorrência de AVC e à mortalidade após a alta de pacientes hospitalizados com AVC. Observamos que cerca de um quinto (20%) dos pacientes apresentam um novo AVC nos 4 anos subsequentes à alta hospitalar, e mais de 40% morrem neste mesmo período. Os acidentes cerebrovasculares são a principal causa de morte no Brasil e em muitos países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos têm havido uma estabilização na sua incidência, mantendo-se, entretanto, como a terceira causa de morte no Mundo, atrás da doença coronariana e do câncer. Estes dados, embora norte-americanos, são de grande importância para o Brasil, uma vez que, possivelmente, a recorrência de AVC e a mortalidade pós-AVC devam ser maiores em locais onde não existe um sistema de reabilitação e prevenção secundária adequados. É importante lembrar que a prevenção secundária de AVCs e eventos cardiovasculares em pacientes com AVC prévio são uma atribuição da atenção primária, e a única forma de reduzir a recorrência e a incidência de outros eventos cardiovasculares é com um acompanhamento adequado destes pacientes, com investigação do mecanismo e etiologia do AVC e instituição de tratamento intensivo para fatores de risco, com o objetivo de atingir as metas preconizadas2 de pressão arterial, colesterol, cessação do tabagismo, atividade física, anticoagulação se necessário, uso de antiagregantes se necessário, etc. Lembrar também a questão da aderência, muitas vezes relegada a um segundo plano em detrimento da prescrição do medicamento adequado e do suporte familiar e social ao paciente sequelado de AVC, questões estas caras à atenção primária e imprescindíveis para uma redução de risco vascular.

 

Bibliografia

1.     Feng W, Hendry RM, Adams RJ. Risk of recurrent stroke, myocardial infarction, or death in hospitalized stroke patients. Neurology; 2010;74(7):588-593.

2.     Goldstein LB, Rothwell PM. Advances in Prevention and Health Services Delivery 2009. Stroke 2010; 41:e71-e73.

 

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