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Insuficiência cardíaca descompensada em idosos tratada em domicílio

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 06/06/2010

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Insuficiência cardíaca descompensada em idosos tratada no domicílio

 

Hospital em casa para pacientes idosos com descompensação aguda de insuficiência cardíaca crônica. Um ensaio clínico randomizado1

 

Fator de impacto da revista (Archives of Internal Medicine): 9.110

 

Contexto Clínico

     O tratamento hospitalar das descompensações agudas de doenças sistêmicas tradicionalmente é realizado em hospitais, muito embora se saiba das complicações associadas às internações, especialmente em idosos. No caso da insuficiência cardíaca (IC), as hospitalizações por conta de sua descompensação são frequentes e associadas a elevada mortalidade. Nos pacientes idosos, o prognóstico clínico piora após a alta hospitalar e reinternações ocorrem em 50% dos casos.

    Desse modo, regimes de internação domiciliar tem sido estudados para o tratamento de idosos com condições incapacitantes, como a IC.

     Neste estudo, os pesquisadores tiveram por objetivo avaliar medidas de eficácia, efetividade e segurança do tratamento domiciliar de pacientes idosos com insuficiência cardíaca (IC) descompensada, comparados aos tratados no hospital. 

 

O Estudo

     Foi realizado um estudo prospectivo, cego, randomizado e controlado, com indivíduos de 75 anos ou mais. Os pacientes foram selecionados a partir das admissões hospitalares por IC descompensada, ocorridas no período de um ano em um hospital terciário italiano. Os participantes apresentavam classe funcional III ou IV (NYHA) e IC sistólica e diastólica. A partir da inclusão no estudo, foram randomizados dentro de 12-24 horas, no PS, para tratamento hospitalar ou internação domiciliar geriátrica. Foram excluídos idosos com IC de início recente, sem suporte social, portadores de demência ou neoplasias avançadas, com insuficiência renal ou hepática graves, anemia (com Hb < 9 g/dL) e em programação para cirurgia cardíaca. Os participantes foram acompanhados por seis meses e o desfecho principal avaliado foi a mortalidade em seis meses. O tratamento domiciliar consistiu de visitas de enfermagem e geriátricas frequentes (nos primeiros dias diariamente e depois a cada dois ou três dias, conforme a necessidade de cada paciente).

 

Resultados

     Dos 528 pacientes com IC descompensada, 101 foram incluídos na pesquisa (53 tratados no hospital e 48 no domicílio). A média de idade da amostra foi de 81 anos. A classe funcional IV foi observada em 35% dos pacientes e 40% dos participantes apresentou IC sistólica. Os idosos sob cuidados domiciliares receberam em média 13 visitas de enfermagem e 11 visitas médicas. O tempo médio de tratamento no domicílio foi de 20,7 dias e no hospital de 11,6 dias (p=0,001). A mortalidade no momento da alta e em seis meses foi semelhante em ambos os grupos (3% e 15%, respectivamente). Não houve diferenças quanto ao número de internações subseqüentes, mas o tempo decorrido entre a randomização e a primeira internação hospitalar foi maior para o grupo sob internação domiciliar (84,3 ± 22,2 dias X 69,8 ± 36,2 dias, p=0,02). Somente os pacientes no grupo de internação domiciliar apresentaram melhoras nos níveis de depressão, estado nutricional e escores de qualidade de vida. O nível de estresse do cuidador foi significativamente maior no grupo submetido a tratamento domiciliar. O custo médio do tratamento sob internação domiciliar foi de 1820 euros, menor que o dispendido no hospital (2116 euros, p< 0,001). O custo diário do tratamento hospitalar foi maior que o dobro do empregado no tratamento domiciliar.

 

Aplicações para a Prática Clínica

           O trabalho buscou demonstrar que a internação domiciliar é um regime viável e alternativo ao tratamento tradicional em hospitais nos quadros de IC descompensada que acometem idosos. O estudo enfatiza a importância da desospitalização no tratamento de idosos, com melhora nos índices de qualidade de vida e sintomas depressivos.

     Os pontos fortes e diferenciais do estudo foram a seleção de uma população muito idosa (com mais de 80 anos), que é a parcela da população geriátrica que mais cresce, a inclusão de pacientes acometidos por IC em fase avançada e a presença de muitas comorbidades e síndrome de fragilidade. Por outro lado, a limitação principal da pesquisa foi o reduzido tamanho amostral. Para a análise, por exemplo, da proporção de internações entre os grupos, seria necessário avaliar pelo menos 102 pacientes em cada grupo terapêutico de acordo com nossos cálculos.

    

Bibliografia

1. Tibaldi V, Isaia G, Scarafiotti C, Gariglio F, Zanocchi M, Bo M, Bergerone S, Ricauda NA. Hospital at Home for Elderly Patients With Acute Decompensation of Chronic Heart Failure. A Prospective Randomized Controlled Trial. Arch Intern Med. 2009;169(17):1569-1575

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