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Uso de antibiótico em atenção primária e resistência bacteriana

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 21/06/2010

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Uso de antibiótico em atenção primária e resistência bacteriana

 

Efeito da prescrição de antibióticos na atenção primária sobre a resistência bacteriana em pacientes individuais: revisão sistemática e metanálise1

 

Fator de impacto da revista (BMJ): 12.827

 

Contexto Clínico

A resistência bacteriana é um problema comum ao tratamento de infecções em todos os níveis de atenção à saúde. Grande parte do problema decorre do uso indiscriminado de antibióticos, mas a maioria dos estudos mostra seu impacto apenas em nível populacional. O médico, por essência, olha o paciente individualmente e, muitas vezes, não aplica conhecimentos adquiridos de estudos populacionais. Assim, os autores deste estudo tiveram uma idéia bastante interessante: revisar a literatura e realizar uma meta-análise de estudos que se propuseram a avaliar o impacto do uso de antibióticos na resistência microbiana individualmente em pacientes.

 

O Estudo

Foi realizada uma revisão ampla da literatura, avaliando-se todo tipo de estudo (observacionais e de intervenção) e sem restrições de língua, em pacientes que procuraram a atenção primária. O desfecho principal analisado foi o aparecimento de resistência ao(s) antibiótico(s) estudado(s) em indivíduos que foram ou não expostos previamente ao(s) antibiótico(s) em questão.

 

Resultados

Foram incluídos 24 estudos, 5 de intervenção e 19 observacionais (2 prospectivos e 17 retrospectivos). Foram avaliados 15505 adultos e 12103 crianças.

Os dados foram divididos quanto a infecções do trato urinário (ITU) e infecções respiratórias. Em relação à ITU, o “odds-ratio” (OR) de ocorrência de resistência bacteriana foi de 4,40 no primeiro mês após o uso do antibiótico e reduziu-se gradativamente em 3, 6 e 12 meses (2,48; 2,18 e 1,33), mas sempre se mantendo significante. O uso de antibiótico previamente em infecções respiratórias também se associou a maior resistência após 1, 2 e 12 meses de uso (OR 2,10; 2,37 e 2,37; respectivamente).

Os dados quanto à incidência de Staphylococcus aureus resistente à oxacilina mostraram aumento da sua incidência para a colonização nasal (OR 16,1), mas não para a cutânea. Não houve diferenças quanto à classe de antibiótico usado, mas quanto maior o número de cursos de antibioticoterapia e a dose usada, maior a taxa de resistência.

 

Aplicações Para a Prática Clínica

Este interessante estudo sugere uma associação definitiva entre uso de antibiótico e resistência bacteriana na atenção primária. Como os médicos generalistas são os que mais prescrevem antibióticos, estes dados devem ser lidos com atenção. O uso indiscriminado de antibiótico em infecções respiratórias altas (sinusites, traqueobronquites) deve ser desencorajado. A maioria destas infecções tem etiologia viral e mesmo quando tem origem bacteriana, os antibióticos talvez só sirvam para reduzir (pouco) o tempo de sintomas. A mesma atenção deve ser dada ao tratamento de ITU. Bacteriúrias assintomáticas só devem ser tratadas em condições específicas, como a gravidez. Em qualquer caso, quando se decidir pela antibioticoterapia, ela deve ser realizada com antibióticos de espectro mais estreito, dirigidos aos agentes mais comuns (quinolonas devem ser evitadas) e de curta duração (3 dias em ITU não complicadas e 7 dias em infecções respiratórias).

 

Bibliografia

1. Costelloe C et al. Effect of antibiotic prescribing in primary care on antimicrobial resistance in individual patients: Systematic review and meta-analysis. BMJ 2010; 340:c2096.

 

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