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Efeitos Adversos Associados à Administração de Testosterona

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 29/09/2010

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[Link para Abstract]

 

Efeitos Adversos Associados à Administração de Testosterona1

 

Fator de impacto da revista (New England Journal of Medicine): 47,05

 

Contexto Clínico

A suplementação com testosterona é capaz de aumentar a massa e a força muscular em homens idosos saudáveis. Já a eficácia e a segurança do uso de testosterona em idosos com limitação de mobilidade física nunca foi estudada.

 

O Estudo

Foram avaliados idosos da comunidade com 65 anos ou mais participantes do TOM (Testosterone in Older Men with Mobility Limitations), um estudo randomizado, placebo controlado e duplo-cego. Os idosos apresentavam limitações na mobilidade (como dificuldade para andar 2 quarteirões ou subir 10 degraus) e níveis de testosterona total entre 100 a 350 ng/dL e testosterona livre menores que 50 pg/mL. Foram excluídos pacientes com algumas comorbidades, como hipertensão arterial descontrolada, angina instável, IAM há menos de 3 meses, ICC classe III e IV ou qualquer neoplasia. Os participantes foram randomizados para receber diariamente, durante 6 meses, testosterona gel em forma de adesivo ou adesivo com gel placebo. Foram monitorados os efeitos adversos, especialmente quanto a eventos cardiovasculares, complicações dermatológicas, ateroscleróticas e alterações em exames laboratoriais. O desfecho primário avaliado foi a mudança na força muscular máxima dos membros inferiores.

 

Resultados

O estudo foi interrompido precocemente porque houve um número muito significativo de efeitos adversos cardiovasculares no grupo tratado com testosterona (21,6%), se comparado ao placebo (4,8%, p < 0,001). Foram avaliados 209 pacientes, com média de idade de 74 anos. Os grupos tratamento e placebo apresentavam frequências semelhantes e elevadas de hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia e obesidade. O grupo tratado com testosterona apresentou, entretanto, significativa melhora na força dos membros inferiores e do peitoral, além de ganhos na capacidade de subir escadas carregando peso. Não houve melhora na velocidade da marcha.

 

Aplicações para a Prática Clínica

O trabalho reforça a necessidade de que os pacientes candidatos a reposição de testosterona sejam selecionados da forma mais criteriosa possível. Os dados obtidos com o uso da testosterona gel não podem ser extrapolados para outras formas de reposição, especialmente a intramuscular. O estudo, entretanto, é um alerta para a prescrição hormonal nos idosos, principalmente naqueles que apresentem muitos fatores de risco cardiovascular.

A amostra de pacientes, apesar de pequena e estruturada apenas para analisar prospectivamente os desfechos físicos, reuniu número suficiente de pacientes para avaliar tanto os desfechos de força muscular quanto os cardiovasculares. Mais de 50% dos participantes apresentavam doença cardiovascular, o que demonstra que a população selecionada já apresentava risco maior para complicações.

Outra limitação do trabalho foi a inclusão de idosos com baixos níveis de testosterona, mas sem sintomas de hipogonadismo. Isto certamente aumentou a exposição de pacientes que não se beneficiariam do tratamento e amplificou o número de efeitos adversos. Um estudo recente identificou que nos homens idosos os sintomas físicos, como fadiga, não se correlacionaram de forma independente com a deficiência hormonal.2

A aplicação de testosterona sem a prática associada de atividade física é outro ponto que chama a atenção. Alguns trabalhos com casuísticas maiores já demonstraram que na vigência de reposição hormonal, não há benefício persistente no ganho de força muscular sem o estímulo trófico do exercício de resistência (musculação).

 

Bibliografia

1.    Basaria S, Coviello AD, Travison TG, Storer TW, Farwell WR, Jette AM et al. Adverse events associated with testosterone administration. NEJM 2010; Jun 30 [on line].

2.    Wu FC, Tajar A, Beynon J, Pye S, Silman A, Finn J et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men. NEJM 2010;Jun 16 [on line].

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