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Lesões em Idosos Tratados com Opioides

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 14/10/2010

Comentários de assinantes: 1

Risco de lesões associadas ao uso de opioides em adultos idosos [Link para Abstract]1

 

Fator de impacto da revista (Journal of the American Geriatrics Society): 3.805

 

Contexto Clínico

Há um crescimento progressivo no uso de opioides, especialmente nas doenças não neoplásicas, atribuído à introdução de opioides de baixa potência, como codeína e oxicodona. Há estudos que avaliam, paralelamente, que as taxas de mortes por efeitos adversos a drogas tem se elevado na ordem de três vezes se comparada às da década de 90. Esta elevação é atribuída ao aumento do uso de opioides, com elevação do número de quedas e fraturas. Há pouca informação a respeito da segurança dos opioides de baixa potência, mas avaliações preliminares já sugerem que a oxicodona pode apresentar o dobro do risco de fraturas se comparada a opioides como o propoxifeno.

 

O Estudo

Trata-se de um estudo de coorte que teve por objetivo avaliar o risco de lesões associadas aos opioides de baixa potência (como codeína e oxicodona), potência intermediária (como morfina e metadona) e alta potência (fentanil). Foram acompanhados por 2 anos 403.339 participantes com 65 anos ou mais (coorte histórica de Quebec). Foi determinado o consumo diário médio de opioides e de outras substâncias sedativas e comparado aos padrões de consumo estabelecidos pela OMS2. Este padrão, chamado de “dose diária definida”, representa a dose média diária de consumo de certa substância quando utilizada para o tratamento de sua indicação clínica principal nos adultos. As lesões sofridas pelos idosos foram avaliadas a partir de registros públicos de saúde. Um modelo de risco proporcional (Cox) foi aplicado para estimar os riscos. O risco foi calculado para cada dose adicional utilizada a partir daquela recomendada pela OMS.

 

Resultados

A média de idade da amostra foi de 74,9 anos e 58,6% eram mulheres. Lesões no último ano haviam ocorrido em 7,1% dos participantes e a condição que mais favoreceu a ocorrência de lesões foi o prejuízo no equilíbrio e na marcha (19,4%). Durante o tempo de acompanhamento 50,7% da população recebeu ao menos uma medicação com efeito sedativo, 20,7% recebeu duas ou mais medicações sedativas e 15,3% recebeu opioides. Os opioides de baixa potência foram os mais prescritos. Sofreram lesões 3,7% dos participantes, mais da metade provocadas por fraturas. Os opioides estiveram associados à maior risco de lesões [baixa potência, HR= 1,36 (IC95% 1,33 – 1,39) ; potência intermediária, HR=1,05 (IC95% 1,02 – 1,07)]. Estes dados foram ajustados para variáveis de confusão, tais como uso combinado de outras drogas sedativas e outras comorbidades que favorecem quedas, como distúrbios de marcha e equilíbrio, déficit cognitivo, fraqueza muscular dos membros inferiores e histórico de lesões prévias. O maior risco foi observado nas drogas que combinavam codeína a outros analgésicos (HR 2,27; IC95% 2,21 – 2,34). Outras drogas detectadas como associadas a risco de lesão foram antidepressivos tricíclicos e IRSS, benzodiazepínicos de ação intermediária e longa, ansiolíticos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares e antipsicóticos. Seguindo os parâmetros da OMS, os opioides de baixa potência foram prescritos em dose 57% superior à habitualmente utilizada.

 

Aplicações para a Prática Clínica

Os opioides aumentam o risco de lesões em idosos, em especial as medicações que combinam codeína com outros analgésicos (aumento de 127% no risco).

Observa-se neste estudo um alto índice de acesso aos opioides, o que demonstra a iniciativa para o melhor controle da dor, como observado também nos EUA e na Europa. Por outro lado, nota-se uma tendência ao seu uso excessivo e combinado a medicações inadequadas, como benzodiazepínicos, deixando evidente a problemática da iatrogenia no tratamento de idosos.

Uma das limitações do estudo foi a ausência de definição das doenças que levaram ao uso de opioides e seu grau de gravidade e comprometimento funcional. Isto porque pacientes que utilizam opioides de alta potência mais frequentemente apresentam doenças graves e limitantes, como neoplasia avançada. Nessas condições, pelo próprio quadro de imobilidade, o risco de quedas e fraturas diminui, subestimando o potencial deletério dos opioides de maior potência.

 

Bibliografia

1.    Buckeridge D, Huang A, Hanley J, Kelome A, Reidel K, Verma A et al. Risk of injury associated with opioid use in older adults. J Am Geriatr Soc 2010; 58:1664-70.

2.    WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Anatomical therapeutic chemical classification index with defined daily doses. Oslo: World Health Organization, 2000.

 

Comentários

Por: PAULO DE TARSO COELHO DE ARAUJO em 07/07/2012 às 15:08:44

"Caro Leonardo parabéns pelo trabalho apresentado. Gostaria que você me informasse qual o antidepressivo mais adequado para receitarmos a um idoso, na sua opinião?"

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