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Diretriz da SBC para Gravidez na Mulher Cardiopata parte 1317

Autores:

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Mariana Andrade Deway

Especialista em Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Médica Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês

Última revisão: 17/11/2010

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Introdução

No Brasil, a incidência de cardiopatia na gravidez é, em centros de referência, de até 4,2%, ou seja, oito vezes maior quando comparada a estatísticas internacionais. Universalmente, a cardiopatia é considerada a maior causa de morte materna indireta no ciclo gravídico-puerperal.

 

Hipertensão Arterial na Gestação

Classificação

1.    Hipertensão crônica (HC).

2.    Pré-eclâmpsia (PE)/Eclâmpsia (E).

3.    Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica.

4.    Hipertensão gestacional (HG).

 

Exames Complementares Maternos Recomendados antes da Gestação

1.    Exames laboratoriais que avaliem a função dos órgãos que costumam ser comprometidos com a hipertensão crônica, a fim de servirem de parâmetro basal. Devem incluir EQU, urocultura, proteinúria de 24 horas, hemograma completo, função renal com eletrólitos e teste de tolerância à glicose.

2.    ECG e ecocardiograma naquelas com HC por vários anos, para avaliação de hipertrofia ventricular esquerda e análise da função sistodiastólica ventricular.

3.    Exames específicos na investigação de hipertensão secundária, como feocromocitoma (crises paroxísticas de hipertensão, hiperglicemia e sudorese), hiperaldosteronismo primário (hipertensão e hipocalemia) ou estenose de artéria renal. Além de exames bioquímicos, podem ser necessários exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

 

Avaliação Laboratorial após a Metade da Gestação (20 semanas)

      Hematócrito e hemoglobina - O surgimento de hemoconcentração sinaliza para o diagnóstico de PE sobreposta (Ht > 36%), além de ser um indicador de gravidade. Valores diminuídos podem significar hemólise associada;

      Plaquetas - Trombocitopenia sugere PE grave;

      Proteinúria de 24 horas - Surgimento de proteinúria sugere PE sobreposta;

      Ácido úrico - Quando aumentado, sugere PE sobreposta (> 4,5 mg/dl);

      Creatinina sérica - Quando aumentada, e principalmente se associada à oligúria, sugere PE grave;

      Transaminases - Aumentadas sugerem comprometimento hepático da PE;

      Desidrogenase lática - Aumenta na presença de hemólise associada à PE;

      Provas da coagulação - Alteram quando ocorre coagulopatia de consumo.

 

A maioria das hipertensas de baixo risco não necessita de medicação anti-hipertensiva durante a primeira metade da gestação devido à redução fisiológica da PA neste período. O tratamento deve ser iniciado quando ocorrer aumento pressórico que possa provocar complicações maternas, como AVC, insuficiência cárdica ou insuficiência renal. O objetivo do tratamento é manter a PAS entre 140-150 mmHg e a PAD entre 90-100 mmHg. Entretanto, aquelas pacientes que apresentam lesão de órgão-alvo (insuficiência renal, diabetes com comprometimento vascular, disfunção ventricular esquerda) e níveis pressóricos nem tão elevados, podem ter um agravamento dos órgãos afetados durante a gestação.

 

Prevenção da Pré-eclâmpsia – Orientações

1.    Pacientes com HA leve e sem comprometimento de órgão alvo geralmente não necessitam de medicação anti-hipertensiva na primeira metade da gestação (IC).

2.    O uso de anti-hipertensivos está recomendado quando a PAS estiver = 150 mmHg e a PAD em 90-100 mmHg (IC).

3.    A escolha do anti-hipertensivo é individualizada (IC).

4.    São contraindicados para uso em qualquer período da gestação os inibidores da ECA e os antagonistas dos receptores da angiotensina (IIIA).

5.    Pacientes com HA e comprometimento de órgão-alvo necessitam de controle mais rigoroso da PA (mantendo em 140/90 mmHg) e apresentam maior risco de complicações maternas e fetais (IB).

6.    Como é alta a incidência de PE sobreposta (25%-50%), as pacientes devem ser adequadamente monitoradas a partir das 20 semanas de IG para a detecção precoce desta complicação (IB).

7.    Ainda não existe um marcador validado que seja específico e preditivo de PE (IIIA).

8.    Hipertensas crônicas não têm redução de PE sobreposta com o uso de aspirina em baixas doses (IIIA).

 

 

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