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Uso de Anti-hipertensivos e Risco de Quedas em Idosos

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 17/11/2010

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Risco de quedas associado a tratamento anti-hipertensivo: estudo de caso-controle de base populacional [Link para Abstract]1

 

Fator de Impacto da Revista (Age and Ageing): 3.052

 

Contexto Clínico

Os anti-hipertensivos têm sido implicados como causadores de quedas nos idosos, por provocarem hipotensão ortostática. Não está claro, entretanto, o impacto de cada classe terapêutica quanto a esse efeito adverso.

 

O Estudo

Trata-se de um estudo observacional do tipo caso-controle envolvendo participantes com mais de 60 anos de idade e provenientes de 386 centros de atenção primária no Reino Unido. O objetivo foi avaliar o papel de diferentes classes de anti-hipertensivos (tiazídicos, beta bloqueadores, IECA, BRA e bloqueadores dos canais de cálcio) sobre a ocorrência de quedas. Para cada paciente sob tratamento anti-hipertensivo que relatasse uma queda foram selecionados controles (sem quedas) com mesma idade e gênero, tratados com anti-hipertensivos. Através de modelos de regressão logística, ajustados para as comorbidades, foram calculadas as razões de risco para cada exposição medicamentosa. Foi avaliado também o efeito do tempo de exposição à droga sobre a ocorrência de queda (tempo entre a primeira prescrição e a primeira queda).

 

Resultados

No período de 3 anos foram detectados 9.682 participantes com quedas e selecionados 52.100 controles (de 4 a 6 controles por caso identificado). A média de idade foi de 77 anos para os casos e 76 anos para os controles. Cerca de 32% dos participantes eram do gênero masculino. Observou-se um risco aumentado para quedas entre os usuários de tiazídicos (OR: 1,25; IC95% 1,15 – 1,36). Nas primeiras 3 semanas após a prescrição inicial de tiazídicos, o risco (OR) foi 4,28 (IC95% 1,19 – 15,42). Foi encontrado ainda um efeito protetor de betabloqueadores sobre quedas (OR: 0,90 IC95% 0,85 – 0,96). Não houve associações significativas entre quedas e as outras classes de anti-hipertensivos.

 

Aplicações para a Prática Clínica

O uso de diuréticos tiazídicos está associado a um risco aumentado de quedas. O risco é mais pronunciado nas primeiras 3 semanas de tratamento, fase em que há maior alteração do volume plasmático. Há necessidade de que idosos medicados com tiazídicos sejam bem orientados quanto a medidas de prevenção de quedas. A pressão arterial, por outro lado, deve ser aferida não somente com o objetivo de avaliar a melhora da hipertensão (o que habitualmente é feito na posição sentada), mas também para pesquisar ativamente a hipotensão ortostática (aferição de pé). Apesar de não esclarecer os motivos dos efeitos protetores do beta bloqueador, esta droga pode ser uma opção no tratamento de idosos hipertensos que já apresentam hipotensão ortostática mesmo antes do início do tratamento anti-hipertensivo. Outro ponto interessante é o fato de IECA, BRA e bloqueadores dos canais de cálcio não terem se associado à ocorrência de quedas de modo significativo.

O estudo apresenta algumas limitações, sendo a principal delas o fato de trabalhar com a recordação do paciente para o evento queda, o que certamente leva a subestimar sua ocorrência. A má adesão ao tratamento é outro fator que pode significar um viés na análise, já que não foram utilizadas estratégias de avaliação de adesão, como a contagem de comprimidos.

Por último, vale a pena ressaltar que os resultados deste estudo não devem ser utilizados para contra-indicar o uso de diuréticos tiazídicos em idosos. Eles servem, como já mencionado, para alertar sobre o risco de hipotensão postural e reforçar a prevenção de quedas e a avaliação cuidadosa da pressão arterial de idosos medicados com tiazídicos.

 

Bibliografia

1.    Gribbin J, Hubbard R, Gladman JRF, Smith C, Lewis S. Risk of falls associated with antihypertensive medication: population-based case-control study. Age Ageing 2010; 39:592-97.

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