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Diretriz da SBC para Gravidez na Mulher Cardiopata parte 1517

Autores:

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Mariana Andrade Deway

Especialista em Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Médica Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês

Última revisão: 23/11/2010

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Introdução

No Brasil, a incidência de cardiopatia na gravidez é, em centros de referência, de até 4,2%, ou seja, oito vezes maior quando comparada a estatísticas internacionais. Universalmente, a cardiopatia é considerada a maior causa de morte materna indireta no ciclo gravídico-puerperal.

 

Arritmias Cardíacas e Parada Cardiorrespiratória na Gestação

Arritmias Cardíacas

Resumo das Recomendações

1)   Adotar medidas não farmacológicas para arritmias benignas evitando estimulantes, como café, álcool, estresse, atividade física excessiva, etc

2)   Adotar terapia farmacológica quando os sintomas são intoleráveis e há comprometimento hemodinâmico ou risco materno-fetal (IIaC).

3)   A cardioversão elétrica está indicada sempre que a paciente estiver hemodinamicamente instável (IC).

4)   Taquicardia atrial por reentrada nodal sem comprometimento hemodinâmico: manobra vagal ou adenosina IV. Caso não reverta, digoxina, betabloqueador ou verapamil, tendo o cuidado de evitar hipotensão. Quando associada à via acessória, preferir procainamida ou quinidina (IIbC).

5)   Em arritmias ventriculares com estabilidade hemodinâmica, optar por lidocaína ou procainamida. Como profilaxia, preferir betabloqueadores e, quando ineficazes, pode ser optado por sotalol (IC). A amiodarona pode ser utilizada, preferindo doses até 200 mg/dia e monitorando função tireoidiana materna e no neonato. Outra alternativa seria amiodarona em associação com bloqueador betaadrenérgico (IIbC).

6)   PCR revertida é indicação de CDI (IC). Para parto cesáreo, é recomendável que o CDI seja desligado para permitir o uso do termocautério.

7)   Em bradiarritmia sintomática, pode ser implantado marca-passo com frequência ventricular variável e por via ecocardiográfica (IC).

8)   FA aguda geralmente está associada com cardiopatia congênita, doença valvar mitral, hipertireoidismo ou distúrbio eletrolítico. Se houver instabilidade hemodinâmica: cardioversão elétrica (IC). Para cardioversão química, preferir quinidina ou procainamida (IIbC).

9)   FA ou flutter crônicos: para controle da freqüência ventricular, usar digoxina, bloqueador beta-adrenérgico, diltiazem ou verapamil (IC) e manter com anticoagulante contínuo. Usar uma das heparinas durante toda a gestação ou no primeiro trimestre e duas semanas antes do parto, e anticoagulante oral nos demais períodos (IIbC).

10)Na presença de arritmia ventricular sem cardiopatia estrutural, pensar em hipomagnesemia ou hipocalemia (IB).

 

Ressuscitação Cardiorrespiratória Básica (RCRB)

 

Condutas Recomendadas

1)   Via aérea - Manter ventilação mediante compressão da cartilagem cricoide enquanto não for entubada. Na entubação, geralmente são necessários tubos com calibres menores pela presença de edema. Administrar oxigênio a 100% e com volumes menores.

2)   Circulação - Posicionar paciente em semidecúbito lateral esquerdo e/ou liberar cava e aorta, com afastamento do útero manualmente para a esquerda. As compressões torácicas são realizadas na porção mediana do esterno e as drogas vasopressoras, apesar de reduzirem a circulação uterina, devem ser administradas da mesma forma que em não grávidas.

3)   A desfibrilação elétrica não é prejudicial para o feto, mas antes do procedimento deve ser removida a monitorização fetal, se estiver sendo realizada.

4)   Devem ser consideradas causas reversíveis como dose excessiva de sulfato de magnésio (usar gluconato de cálcio), embolia pulmonar maciça e AVC isquêmico que podem se beneficiar com fibrinolíticos, infarto agudo do miocárdio que se beneficiaria com reperfusão percutânea, dissecção de aorta, embolia por líquido amniótico, etc.

5)   A IG define a necessidade de histerotomia de urgência:

      Se IG < de 20 semanas, não há comprometimento do DC materno pelo volume uterino;

      Entre 20-23 semanas o feto não é viável, mas o esvaziamento uterino pode melhorar o DC materno;

      Se IG = 24 semanas em hospitais com UTI neonatal após 4-5 minutos de PCR, recebendo manobras adequadas e sem nenhuma resposta, está indicada histerotomia de urgência na tentativa de salvar mãe e feto.

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