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Sintomas Depressivos Específicos e Prognóstico na Angina Estável

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 07/02/2011

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Associações Diferenciais entre Sintomas Depressivos Específicos e o Prognóstico Cardiovascular em Pacientes com Doença Coronariana Estável [Link para Abstract]1

 

Fator de Impacto da Revista: (JACC): 11.438

 

Contexto Clínico

A depressão é um fator de pior prognóstico em pacientes com doença arterial coronária (DAC) estável. Não se sabe, entretanto, se determinados sintomas depressivos estão mais associados a risco cardiovascular aumentado que outros. Desta forma, este estudo teve por objetivo estabelecer se há associação entre sintomas depressivos específicos e o prognóstico cardiovascular.

 

O Estudo

Foram avaliados 1019 indivíduos com DAC estável, participantes de uma coorte (Heart and Soul Study) cujo objetivo principal era avaliar a associação entre fatores psicossociais e desfechos clínicos em pacientes com DAC estável. Os participantes deveriam apresentar passado de infarto ou revascularização miocárdica e evidência angiográfica de obstrução mínima de 50% em pelo menos uma coronária. Foram excluídos indivíduos com baixa tolerância ao exercício. Foi determinada a presença de cada um dos 9 sintomas depressivos descritos pelo DSM-IV e separados em somáticos (fadiga, alteração no apetite e no sono e distúrbios psicomotores) e cognitivos (humor deprimido, perda de interesse, sensação de inutilidade, problemas de concentração e ideação suicida). Foi utilizada uma análise de regressão (Modelo de Cox) para avaliar os efeitos de cada sintoma depressivo sobre os eventos cardiovasculares (ECV), controlados por idade e gênero.

 

Resultados

A idade média dos participantes foi de 67 anos e 82% eram homens. As associações foram estabelecidas para novos ECV, ocorridos após o início do estudo (infarto, AVC, AIT, IC ou morte). Ocorreram 399 eventos durante o tempo de seguimento (média de 6,1 anos). Cada sintoma físico esteve associado a um aumento de 14% no risco de novos ECV, após ajuste para variáveis de confusão (RR:1,14; IC95% 1,05 – 1,24). Os sintomas com maior poder de predição independente foram fadiga (34% - RR:1,34; IC95% 1,07 – 1,67), alterações no apetite (46% - RR:1,46; IC95% 1,12 – 1,91) e dificuldades no sono (26% - RR:1,26; IC95% 1,00 – 1,58). Os sintomas cognitivos não se mostraram preditores independentes de ECV (RR:1,08; IC95% 0,99 – 1,17).

 

Aplicações para a Prática Clínica

O trabalho ressalta que a DAC e a depressão são duas entidades clínicas responsáveis por altos níveis de incapacidade e, por conseqüência, alto impacto na qualidade de vida e altos custos para o sistema de saúde e para a sociedade. O estabelecimento de protocolos para o diagnóstico precoce de depressão pode ser útil, portanto, nos portadores de DAC, especialmente se o tratamento dos quadros depressivos refletir melhora prognóstica ou de qualidade de vida. Neste contexto, as opções terapêuticas a serem consideradas não se restringem a medicações antidepressivas, mas também psicoterapia, atividade física e outras intervenções de relaxamento, como meditação.

Cabe lembrar que nos idosos as manifestações depressivas realmente se manifestam mais com sintomas físicos que psicológicos, o que corrobora os achados do artigo. Observa-se também uma tendência ao subdiagnóstico de depressão, exatamente pela ênfase excessiva na pesquisa de sintomas cognitivos.

Os autores tiveram o cuidado de ajustar seus achados para variáveis como fração de ejeção do VE e uso de medicações cardioprotetoras, justamente porque pacientes com coronariopatia descompensada podem apresentar maior incidência de sintomas físicos pela doença cardíaca e não por depressão. Isto aumenta a força de associação observada nos resultados do estudo.

 

Bibliografia

1.   Hoen PW, Whooley MA, Martens EJ, Na B, van Melle JP, de Jonge P. Differential associations between specific depressive symptoms and cardiovascular prognosis in patients with stable coronary heart disease. J Am Coll Cardiol. 2010;56(11):838-44.

 

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