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Escolaridade e Demência neuroproteção ou compensação?

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 14/02/2011

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Educação, o cérebro e demência: neuroproteção ou compensação? [Link para Abstract]1

 

Fator de impacto da revista: (Brain): 9,603

 

Contexto Clínico

Há um interesse crescente nos possíveis papéis protetores da escolaridade sobre o surgimento da demência. As síndromes demenciais são doenças que apresentam elevada prevalência devido ao progressivo envelhecimento populacional mundial.  Curiosamente, muitos idosos apresentam alterações neuropatológicas típicas de demência sem manifestarem, todavia, perdas cognitivas. Em função desta questão, o grupo de estudo EClipSE (Epidemiological Clinicopathological Studies in Europe) buscou avaliar as relações existentes entre os achados patológicos cerebrais, o surgimento de demência e o tempo de escolaridade. Buscou ainda avaliar se uma possível proteção da escolaridade sobre a demência variava de acordo com a gravidade dos achados patológicos cerebrais.

 

O Estudo

O estudo EClipSE reuniu dados de 3 outros estudos de coorte populacionais que incluíram a avaliação do cérebro após o falecimento de seus participantes. Estes estudos foram: MRC CFAS (Reino Unido, pacientes com 65 anos ou mais), CC75C (Inglaterra, pacientes com 75 anos ou mais) e Vantaa 85+ (Finlândia, pacientes com 85 anos ou mais). Nestes estudos, o diagnóstico de demência foi realizado por avaliações periódicas. Os achados patológicos estudados foram representados pelas placas neuríticas e emaranhados neurofibrilares (expressos em intensidade pela escala de Braak, que pontua estes achados de 0 a 6), angiopatia amilóide, lacunas, hemorragias, infartos e o peso cerebral.

 

Resultados

Foram acompanhados, pelos 3 estudos, mais de 20 mil participantes. Foram avaliados 872 cérebros, dos quais 56% pertenciam a participantes que haviam desenvolvido demência. A escolaridade média foi de 9 anos. Os participantes com mais anos de escolaridade apresentaram menor risco de desenvolver demência clínica (OR=0,89; IC95% 0,83 – 0,94) e maior peso cerebral (OR=1,14; IC95% 1,06 – 1,24), mas não foi observado efeito protetor da escolaridade na redução dos achados neurodegenerativos ou vasculares. Por outro lado, os anos de escolaridade mitigaram o impacto da patologia cerebral na expressão clínica das perdas cognitivas.

Os participantes com maior escolaridade apresentaram menor risco de desenvolver demência quando o estágio de Braak foi inferior ou igual a 4 (achados moderados).

 

Aplicações para a Prática Clínica

A escolaridade é um fator independente associado à ocorrência de demência. Isto é especialmente importante nos países em desenvolvimento, que apresentam o mais expressivo processo de envelhecimento populacional e onde o nível de escolaridade é habitualmente mais baixo. Não está claro ainda, entretanto, qual é o mecanismo que responde pelo efeito protetor da escolaridade frente ao surgimento de demência. Sabe-se que pacientes com maior escolaridade apresentam melhor função executiva e melhor memória declarativa.

Resta ainda esclarecer se a aquisição tardia de anos de escolaridade, por exemplo, por idosos analfabetos, é capaz de estabelecer padrões similares de proteção cognitiva.

 

Bibliografia

1.   Brayne C, Ince PG, Keage HA, McKeith IG, Matthews FE, Polvikoski T et al. Education, the brain and dementia: neuroprotection or compensation? Brain. 2010 Aug;133(Pt 8):2210-6.

 

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