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RCP padrão vs RCP com Compressão-Descompressão Ativa

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 11/04/2011

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Ressuscitação Cardiopulmonar Padrão vs. Ressuscitação Cardiopulmonar com Compressão-Descompressão Ativa com Aumento da Pressão Intratorácica1 [link para o artigo original]

  

Fator de Impacto da Revista Lancet (JCR-2009): 30,758

 

Contexto Clínico

A PCR é um evento catastrófico e sua baixa taxa de sobrevida associa-se, entre outros fatores, à ineficiência da massagem cardíaca e da ressuscitação. O uso de técnicas que melhorem a compressão torácica e o recuo da caixa torácica e, ainda, o aumento da pressão intratorácica negativa durante a compressão podem aumentar a perfusão cardíaca e cerebral, trazendo um melhor prognóstico às vítimas de PCR.

O objetivo deste estudo foi avaliar se o uso de um dispositivo de compressão-descompressão ativo associado a outro que mantivesse a pressão intratorácica negativa durante o retorno da caixa torácica resultam em um melhor prognóstico neurológico à alta hospitalar.

 

O Estudo

Foram considerados elegíveis todos os adultos com 18 anos ou mais com PCR extra-hospitalar. Foram excluídos pacientes com causas traumáticas, ordens de não reanimação, esternotomia recente, RCP com duração menor que 1 min, obstrução de via aérea que não pôde ser resolvida, traqueostomia. Posteriormente, foram excluídos pacientes com PCR por causas respiratórias, AVC, hemorragia, metabólicas, overdose de drogas ou choque elétrico.

Os pacientes do grupo “intervenção” receberam compressão-descompressão ativa com um dispositivo manual que consistia de instrumento de sucção que era anexado ao tórax, um metrônomo programado para 80 batidas por minuto e um medidor para guiar a profundidade da compressão e do retorno do tórax. Outro dispositivo, conectado à máscara facial ou ao tubo orotraqueal, reduzia a pressão intratorácica durante a fase de descompressão ao impedir a entrada de ar passivamente.

O desfecho principal analisado foi a sobrevida hospitalar com uma função neurológica favorável, definida como uma escala modificada de Rankin de 3 ou menos. Um desfecho secundário foi a ocorrência de eventos adversos até a alta hospitalar.

 

Escore

Classificação

Descrição

0

Assintomático

Regressão dos sintomas

1

Sintomas sem incapacidade

Capaz de realizar suas tarefas e atividades habituais prévias

2

Incapacidade leve

Incapaz de realizar todas suas atividades habituais prévias, mas capaz de realizar suas necessidades pessoais sem ajuda

3

Incapacidade moderada

Requer alguma ajuda para as suas atividades, mas é capaz de andar sem ajuda de outra pessoa

4

Incapacidade moderada a grave

Incapacidade de andar sem ajuda, incapacidade de realizar suas atividades sem ajuda

5

Incapacidade grave

Limitado à cama, incontinência, requer cuidados de enfermeiros e atenção constante

6

Óbito

 

 

Resultados

Um total de 813 pacientes foi incluído no grupo “controle” e 840 no grupo “intervenção”. O desfecho primário foi alcançado em 9% dos pacientes do grupo intervenção e 6% do grupo “controle” (p=0,019). A sobrevida em 90 dias (10 vs. 7%; p=0,029) e em 1 ano (9 vs. 6%; p=0,030) também foi maior no grupo “intervenção”. Entretanto, houve também uma maior incidência de edema pulmonar no grupo “intervenção” (11 vs. 8%; p=0,015). Não houve nenhum sobrevivente com evolução neurológica favorável quando a RCP começou após mais de 10 min da ligação ao serviço de emergência.

 

Aplicações para a Prática Clínica

Recentemente, vários estudos têm tentado mostrar meios de melhorar o péssimo prognóstico da PCR atendida em ambiente extra-hospitalar. Isto, invariavelmente, passa pela melhoria da qualidade da RCP. A RCP realizada apenas com compressões torácicas parece associar-se a um resultado no mínimo igual à RCP convencional, mas tem a vantagem de ser mais simples.2-4 Este estudo mostra que medidas que ajudem a realizar uma compressão-descompressão ativa e um dispositivo que mantenha a pressão intratorácica negativa associaram-se a um melhor prognóstico neurológico. Embora esse resultado aplique-se somente a pacientes semelhantes aos selecionados neste estudo, há um otimismo que pode recomendar o seu uso em RCP extra-hospitalar. A confirmação desse resultado, provavelmente, levaria a uma recomendação forte nas diretrizes de RCP. Porém, há que se lembrar que seu uso não pode ser recomendado em PCR intra-hospitalares. Além disso, o benefício ocorreu em pacientes atendidos menos de 10 min após a chamada do serviço de emergência, algo completamente fora da realidade brasileira.

 

Referências

1.   Aufderheide TP, Frascone RJ, Wayne MA, Mahoney BD, Swor RA, Domeier RM, et al. Standard cardiopulmonary resuscitation versus active compression-decompression cardiopulmonary resuscitation with augmentation of negative intrathoracic pressure for out-of-hospital cardiac arrest: a randomised trial. Lancet. 2011 Jan 22;377(9762):301-11.

2.   Hallstrom A, Cobb L, Johnson E, Copass M. Cardiopulmonary resuscitation by chest compression alone or with mouth-to-mouth ventilation. N Engl J Med. 2000 May 25;342(21):1546-53.

3.   Rea TD, Fahrenbruch C, Culley L, Donohoe RT, Hambly C, Innes J, et al. CPR with Chest Compression Alone or with Rescue Breathing. New England Journal of Medicine. 2010;363(5):423-33.

4.   Svensson L, Bohm K, Castrèn M, Pettersson H, Engerström L, Herlitz J, et al. Compression-Only CPR or Standard CPR in Out-of-Hospital Cardiac Arrest. New England Journal of Medicine. 2010;363(5):434-42.

 

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