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Carga de Trabalho de Enfermagem e Mortalidade Hospitalar

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 25/04/2011

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Carga de Trabalho de Enfermagem e Mortalidade Hospitalar(1) [link para artigo original]

 

Fator de Impacto da Revista N Engl J Med (JCR-2009): 47,05

 

Contexto Clínico

Diversos estudos têm sugerido que a relação entre enfermagem e número de pacientes associa-se à maior mortalidade(2-4). No entanto, estes estudos são criticados pelo seu desenho e por não levarem em conta as necessidades de cuidados de enfermagem dos pacientes. O presente estudo propôs-se a avaliar a relação entre a mortalidade hospitalar e a adequação do número de enfermeiros quanto às necessidades dos pacientes.

 

O Estudo

O estudo foi realizado em 43 hospitais americanos, com dados de unidades de terapia intensiva, semi-intensivas e enfermarias. Foi medida a carga de trabalho da enfermagem de acordo com a complexidade e a necessidade de cuidado dos pacientes. Esta carga foi definida como turnos de 8 horas. Foi avaliado também o turnover de pacientes das unidades de internação a partir dos números de admissão, transferências e altas. A necessidade de turnos de 8 horas ou mais por plantão, ou seja, de ao menos mais um enfermeiro e um turnover maior que um desvio-padrão da média foram definidos como plantões com alta carga de trabalho. Todo paciente admitido teve sua probabilidade de morte calculada baseada no seu diagnóstico. Com este dado, foi calculada a relação entre a mortalidade encontrada e a esperada. A partir desses dados, foi a avaliada a relação entre a mortalidade hospitalar e a carga de trabalho da enfermagem, em termos da necessidade de pessoal e do turnover de pacientes.

 

Resultados

Foram incluídos 197.961 pacientes. A mortalidade prevista foi de 3,1% e a mortalidade encontrada de 1,9% (Relação de 0,61; IC 95% 0,59-0,63). O turnover alto nos plantões foi de 10,4%, mas bastante variável com um desvio-padrão de 13,5%; 6,9% dos plantões foram categorizados como de alto turnover, sendo maior de manhã (14,9%) do que à tarde (5,6%) e à noite (0,2%). A relação entre a quantidade de enfermeiros necessária e disponível foi aquém do necessário em 15,9% dos plantões, taxa semelhante quanto aos períodos do dia. Na UTI, a taxa foi maior à noite (29,7%) do que à tarde e à noite (14,8 e 15,1%, respectivamente).

A mortalidade hospitalar associou-se tanto a plantões com quantidade de enfermeiros abaixo do ideal, ou seja, com 8 horas ou mais a menos que o necessário (HR 1,02; IC 95% 1,01-1,03; p<0,001), quanto a plantões com turnover elevado (HR 1,04; IC 95% 1,02-1,06; p<0,001). Quando se analisam apenas os primeiros 5 dias de internação, as associações foram maiores quanto à quantidade de enfermeiros (HR 1,03; IC 95% 1,02-1,05; p<0,001) e ao turnover dos plantões (HR 1,07; IC 95% 1,03-1,10; p<0,001). Analisando-se os dados apenas da UTI, as associações foram também mais positivas (HR 1,04; IC 95% 1,03-1,06; p<0,001 e HR 1,07; IC 95% 1,02-1,13; p=0,006, respectivamente).

 

Aplicações para a Prática Clínica

Este estudo mostrou, de forma elegante, a associação entre a carga de trabalho da enfermagem, medida de acordo com o esperado para complexidade dos pacientes e quanto ao turnover, e a mortalidade hospitalar. Os autores estimaram um aumento da mortalidade de 2% para cada plantão com menos enfermeiros que o necessário e de 4% para cada plantão com um turnover alto. Obviamente, o estudo tem limitações pelo seu formato observacional e retrospectivo e também por não ter levado em conta ordens de não reanimação. Estes dados sugerem a necessidade de se adequar a escala da enfermagem de acordo com a complexidade dos pacientes e a expectativa de turnover do plantão. Assim, numa época de foco na qualidade da assistência à saúde, dar atenção à carga de trabalho da enfermagem é com certeza uma excelente opção.

 

Referências

1.  Needleman J, Buerhaus P, Pankratz VS, Leibson CL, Stevens SR, Harris M. Nurse staffing and inpatient hospital mortality. N Engl J Med. 2011 Mar 17;364(11):1037-45.

2.  Aiken LH, Clarke SP, Sloane DM, Sochalski J, Silber JH. Hospital nurse staffing and patient mortality, nurse burnout, and job dissatisfaction. JAMA. 2002 Oct 23-30;288(16):1987-93.

3.  Tucker J. Patient volume, staffing, and workload in relation to risk-adjusted outcomes in a random stratified sample of UK neonatal intensive care units: a prospective evaluation. Lancet. 2002 Jan 12;359(9301):99-107.

4.  Penoyer DA. Nurse staffing and patient outcomes in critical care: a concise review. Crit Care Med. 2010 Jul;38(7):1521-8.

 

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