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Atributos de hospitais bons para IAM

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 10/05/2011

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Quais os Atributos de um Hospital com Melhores Resultados em Infarto Agudo do Miocárdio?

 

Área de Atuação: Medicina Hospitalar / Segurança do Paciente

 

Especialidades: Cardiologia / Clínica Geral

  

Contexto Clínico

A mortalidade por infarto agudo do miocárdio (IAM) é muito variável entre hospitais, mesmo quando ajustada em função da gravidade dos pacientes. Este estudo buscou avaliar o que de fato leva um hospital a ter melhores resultados no tratamento de pacientes com IAM.

 

O Estudo

Este é um estudo qualitativo realizado em 11 hospitais dos EUA, com diferentes tamanhos, localizações geográficas e condições econômicas. São hospitais que estão entre os 5% de hospitais com melhores resultados ou entre os 5% de hospitais com piores resultados para IAM. O estudo foi feito em 2 períodos: 2005-2006 e 2006-2007. Os pesquisadores faziam visitas e entrevistas nos hospitais que participaram da pesquisa.

Foram avaliados 6 domínios, dos quais 5 mostraram importantes diferenças nos hospitais com melhores resultados (Tabela 1).

 

Tabela 1. Domínios avaliados

Domínio

Havia diferença?

Detalhes

Protocolos e processos voltados para o cuidado do IAM

NÃO

O uso de protocolos baseados em evidências, NÃO FAZ DIFERENÇA para atingir melhores resultados.

Objetivos e valores organizacionais

SIM

Nos hospitais de melhor resultado, a equipe consegue descrever quais os valores dentro da organização que dizem respeito a uma assistência de alta qualidade.

Envolvimento da alta gerência

SIM

Os executivos e administradores dos hospitais com melhores resultados são comprometidos em fornecer recursos financeiros e não financeiros para se realizar uma assistência de excelência para o IAM.

Participação e capacitação técnica da equipe

SIM

Nos melhores hospitais, a equipe consegue descrever quem são os grandes médicos, os enfermeiros mais capacitados, os farmacêuticos mais envolvidos e os altos padrões exigidos de todos os funcionários. Nos piores hospitais, há pouco ou nenhum envolvimento dos funcionários na melhoria da qualidade assistencial.

Comunicação e coordenação

SIM

Nos hospitais de melhor resultado, a comunicação e a coordenação entre diferentes profissionais e setores é muito forte, enquanto os hospitais com piores resultados apresentam um prejuízo do fluxo de informações.

Resolução de problemas e aprendizado

SIM

Nos hospitais de melhor desempenho, a equipe consegue descrever a resolução de problemas e o aprendizado que ocorre na organização como algo rotineiro e positivo. Nos hospitais piores, o uso de métodos formais de solução de problemas é muito escasso ou muito recente.

 

Aplicações para a Prática Clínica

Este estudo tem uma conclusão muito interessante: não basta ter bons protocolos, descritos com base nas melhores evidências para que se tenha bons resultados no tratamento de uma doença tão grave e frequente quanto o IAM.

Para se atingir uma qualidade assistencial melhor, outros pontos parecem ser mais importantes. Exemplos são a alta gestão, que deve estar comprometida com o resultado assistencial, investindo recursos, e a existência da cultura de se aprender com o erro, que deve substituir a cultura da culpa e da punição.

Muitos hospitais hoje acreditam que a criação de protocolos resolve os problemas de assistência. Na verdade, a criação de protocolos é algo relativamente simples com a disponibilidade de evidências que se tem hoje. Entretanto, são outros pontos que devem ser trabalhados, como vistos neste estudo.

 

Bibliografia

1.     Curry LA et al. What distinguishes top-performing hospitals in acute myocardial infarction mortality rates?: a qualitative study. Ann Intern Med 2011; 154:384. [Link para o Artigo]

 

Fator de Impacto da Revista (Ann Inter Med): 16,225

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