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Sobrevida de Longo Prazo de Pacientes com Trauma

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 17/05/2011

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Sobrevida de Longo Prazo de Pacientes com Trauma(1)

 

Área de Atuação: Terapia Intensiva

 

Especialidades: Terapia Intensiva

  

Contexto clínico

O trauma é uma importante causa de morbimortalidade na população jovem adulta. A maioria dos estudos apoia-se na mortalidade hospitalar para gerar seus resultados. No entanto, pouco se sabe sobre o prognóstico de longo prazo dos pacientes que sobrevivem a uma internação por trauma. A proposta deste estudo foi avaliar a mortalidade posterior de pacientes com trauma que sobreviveram à internação hospitalar.

 

O estudo

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo com todos (n=124.421) os pacientes com 18 anos ou mais admitidos nos hospitais especializados em trauma no estado norte-americano de Washington no período de 1995 a 2008. Foram realizadas duas análises: sobrevida após a alta hospitalar de acordo com as características da admissão, especialmente a idade e, comparação da sobrevida após a alta de acordo com o local para o qual os pacientes foram encaminhados após a alta. Os resultados foram ajustados para escores de gravidade de trauma, escala de coma de Glasgow, independência funcional no momento da alta, mecanismo de trauma, tempo de estadia na UTI, necessidade de traqueostomia, comorbidades e tipo de seguro-saúde.

 

Resultados

A idade média dos pacientes foi de 53,2 anos e 59% eram do sexo masculino. A mortalidade hospitalar reduziu-se ao longo do período de estudo (8% em 1995 para 4,9% em 2008). A mortalidade média em 1 ano após a alta foi de 7,2%. A duração média da internação hospitalar foi de 6 dias. Do total de pacientes, 52,7% tiveram alta para casa sem necessidade de assistência, 5,8% tiveram alta para casa com necessidade de assistência, 24,7% tiveram alta para uma instituição com cuidados de enfermagem e 6% para uma instituição de reabilitação. A mortalidade em 1 ano destes 4 grupos foi de 1,7; 8,3; 18,7 e 5,5%, respectivamente. A mortalidade em 3 anos foi de 4; 15,9; 34 e 12%, respectivamente.

Embora a mortalidade hospitalar tenha se reduzido ao longo do período, a mortalidade pós-hospitalar aumentou. A mortalidade acumulada após a alta foi de 9,8% em 1 ano e de 16% em 3 anos. A mortalidade acumulada em 3 anos dos pacientes com trauma foi maior do que a esperada para a população geral da mesma faixa etária (16 vs. 5,94%).

A análise multivariada mostrou que idade (OR 1,69), alta para casa com assistência (OR 1,43), alta para instituição com cuidados de enfermagem (OR 1,57), gravidade do trauma craniano (OR 1,20), mecanismo de trauma secundário a queda (OR 1,43), seguro-saúde governamental (OR 1,65) e Medicare (OR 1,28) foram fatores de risco independentes para mortalidade pós-hospitalar.

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo mostrou que o trauma tem um grande impacto na morbimortalidade dos pacientes após a alta hospitalar. Quase 1/4 de uma população jovem que sobreviveu ao insulto inicial necessitou ser encaminhada a uma instituição com cuidados de enfermagem (“hospital de retaguarda”). É interessante notar que embora a mortalidade hospitalar tenha melhorado como fruto dos avanços no tratamento do trauma, o impacto posterior piorou. Além disso, a mortalidade em 3 anos foi maior do que aquela esperada para uma população, com as mesmas características, que não sofreu um trauma. Há de se ressaltar que o estudo foi conduzido em centros de trauma e em um sistema de saúde que provavelmente oferece melhores condições de reabilitação do que o nosso. Assim, novos estudos devem focar mais no prognóstico de longo prazo do que apenas na mortalidade hospitalar. Aplicando os resultados à nossa realidade, devemos ter políticas com foco na prevenção de acidentes, porque o custo destes pacientes em termos financeiros e de qualidade de vida é muito alto.

 

Referência

1.     Davidson GH, Hamlat CA, Rivara FP, Koepsell TD, Jurkovich GJ, Arbabi S. Long-term survival of adult trauma patients. JAMA. 2011 Mar 9;305(10):1001-7.

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