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Capacidade física e predição de mortalidade nos idosos

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 24/05/2011

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Medidas de capacidade física e predição de mortalidade nos idosos: revisão sistemática e meta-análise

 

Área de Atuação: Medicina Ambulatorial

 

Especialidades: Geriatria, Medicina de Família, Clínica Geral

  

Contexto Clínico

Medidas de capacidade física são marcadores de saúde atual e preditores do estado futuro de saúde. Seu uso na prática clínica é de grande interesse por serem de fácil obtenção e de baixo custo. Há diversos trabalhos na literatura que buscam associar tais medidas físicas à mortalidade, porém nunca foi realizada uma avaliação meta-analítica de boa qualidade a respeito dos trabalhos que se utilizaram destas medidas.

 

O Estudo

Trata-se de uma meta-análise que teve por objetivo determinar as associações entre diferentes medidas de capacidade física (força de preensão palmar, velocidade da marcha, tempo para levantar-se de uma cadeira) e a mortalidade. Foi realizada uma revisão sistemática e elaborada uma meta-análise para cada uma das medidas físicas, comparando a mortalidade entre diferentes quartis, e expressando a força de associação em termos de razões de risco. As medidas físicas foram ajustadas para variáveis como idade, sexo e massa corpórea.

 

Resultados

A partir da avaliação inicial de 2.270 estudos, foram selecionados 28 para inclusão na meta-análise. Com exceção dos estudos de preensão palmar, em que havia inclusão de populações mais jovens, todos os outros trabalhos foram realizados com idosos (média de 70 anos). O tempo de seguimento para determinação dos desfechos foi variável entre os trabalhos escolhidos (menos de 5 anos até mais de 20 anos).

A razão de risco para mortalidade comparando-se o quartil mais fraco com o mais forte na medida de preensão palmar foi de 1,67 (IC95% 1,45 – 1,93). O aumento de 1 kg na força de preensão associou-se a uma proteção contra mortalidade da ordem de 0,97 (IC95% 0,96-0,98). Na velocidade de marcha, o quartil mais lento comparado ao mais veloz demonstrou uma associação de 2,87 (IC95% 2,22 – 3,72). Quanto ao tempo para levantar-se de uma cadeira, os participantes no quartil mais lento apresentaram maior taxa de mortalidade que aqueles no quartil mais veloz (HR 1,96 IC95% 1,56-2,45).

 

Aplicações para a Prática Clínica

As medidas de capacidade física se associaram com mortalidade, notadamente em idosos. Há, entretanto, um viés potencial nesta associação, porque as medidas físicas podem ser consideradas marcadores de doença e do estado geral de saúde.

A avaliação das medidas de capacidade física em populações mais jovens e seu seguimento por tempo prolongado até faixas etárias mais idosas ainda se constitui em uma lacuna na literatura médica. No caso da força de preensão palmar, já foi observado que ela constitui um fator prognóstico ainda em pacientes mais jovens. Isto sugere que intervenções visando ao ganho de força muscular possam ser efetivas, principalmente ao prevenir a fragilidade do sistema musculoesquelético, que se relaciona à mortalidade, por conta, sobretudo, do imobilismo e de quedas.

 

Bibliografia

1.     Cooper R, Kuh D, Hardy R, Mortality Review Group; FALCon and HALCyon Study Teams. Objectively measured physical capability levels and mortality: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2010; 341:c4467.

 

Fator de Impacto da Revista: (BMJ): 12.827

 

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