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As orientações de alta de pronto-socorro que damos são adequadas?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 21/06/2011

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As orientações de alta de pronto-socorro que damos são adequadas?

 

Especialidades: Emergências

 

Área de Atuação: Medicina de Emergência / Segurança do Paciente & Qualidade Assistencial

 

Contexto clínico

Orientações na alta de um atendimento de pronto-socorro, apesar de pouco valorizadas por muitos médicos, são fundamentais para concluir um atendimento. Este estudo procurou avaliar quantitativa e qualitativamente a qualidade e o conteúdo verbal das orientações de alta em dois pronto-socorros (um urbano e um de subúrbio).

 

O estudo

Os pesquisadores analisaram 477 orientações de alta de pronto-socorro registradas em gravações de fitas de áudio. Foi feita uma análise da qualidade de 9 itens, cujos resultados são os seguintes:

 

         foi oferecida chance de tirar dúvidas a 91% dos pacientes;

         foi dada orientação sobre medicamentos a 80% dos pacientes;

         foi dada explicação sobre os sintomas a 76% dos pacientes;

         foi dada explicação sobre seguimento e retorno a 73% dos pacientes;

         foi dada explicação sobre cuidados a serem seguidos pelo próprio doente a 69% dos pacientes;

         foi dada explicação sobre a evolução da doença a 51% dos pacientes;

         foi dada explicação sobre o tempo para marcar retorno a 39% dos pacientes;

         foi dada instrução sobre sintomas que deveriam motivar retorno ao pronto-socorro a 34% dos pacientes;

         foi dada a oportunidade de o doente confirmar sua compreensão sobre as orientações dadas a 22% dos pacientes.

 

Aplicações para a prática clínica

As orientações de alta normalmente não são tratadas como o ponto “nobre” da consulta pela maioria dos médicos. Poucos fazem orientações efetivas e compreensíveis ao paciente. Esse estudo ressalta pontos que devem ser abordados nas orientações de alta dadas ao doente no momento da alta de um pronto-socorro. Entretanto, vemos que nenhum ponto atingiu 100% de adequação e que vários deles são extremamente falhos. Podemos ressaltar a falta de explicações sobre a evolução da doença (para apenas 51% dos pacientes) e sobre sintomas que devem motivar o retorno ao pronto-socorro (apenas 34% dos pacientes).

Isso ilustra os possíveis motivos para “falhas terapêuticas” e retornos desnecessários a serviços de emergência. Mostra também uma fragilidade imensa, pois de nada adianta um diagnóstico brilhante e uma indicação perfeita de terapêutica se há risco de o paciente não aderir à conduta por não compreendê-la. Devemos buscar soluções para que este tipo de situação não ocorra nos pronto-socorros, a despeito do grande volume de atendimento. Possíveis soluções podem incluir pós-consulta com enfermeiros e uso de formulários padronizados de orientações para doenças mais frequentes e simples, como infecções de vias aéreas superiores (IVAS), gastrenterocolites agudas (GECA) ou cefaleias primárias.

 

Bibliografia

1.       Vashi A, Rhodes KV. "Sign right here and you're good to go": a content analysis of audiotaped emergency department discharge instructions. Ann Emerg Med 2011 Apr; 57:315.e1.(link para abstract). Fator de Impacto da Revista: 4,232.

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