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Resumo das Diretrizes em Cardiogeriatria da SBC - Parte 1 de 8

Autores:

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Mariana Andrade Deway

Especialista em Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Médica Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês

Última revisão: 18/05/2012

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INTRODUÇÃO

Os idosos apresentam diferenças importantes na farmacologia e na farmacocinética em relação aos adultos jovens. Frequentemente revelam manifestações atípicas das doenças e diferentes respostas à terapêutica, com maiores efeitos colaterais medicamentosos, o que torna necessário o estabelecimento de recomendações diferenciadas para orientar o tratamento.

 

Grupo I – Prevenção dos principais fatores de risco

Diabetes

Deve-se individualizar a meta de controle glicêmico baseado na expectativa de vida e lembrar que a hipoglicemia é mais frequente e mais grave na população idosa.

 

Recomendações

a)             Mudança de estilo de vida e controle de fatores de risco. (grau de recomendação I, nível de evidência C).

b)            Controle glicêmico para prevenir complicações. (grau de recomendação I, nível de evidência C).

c)             Meta de HbA1c: < 7% para idosos saudáveis e 8% para idosos frágeis ou expectativa de vida < 5 anos (grau de recomendação I, nível de evidência C).

 

Tabela 1. Níveis de HbA1c, glicemia jejum, glicemia pós-prandial.

 

Figura 1. Sequência terapêutica para manejo do DM tipo 2 segundo glicemia de jejum.

 

 

Tabagismo

O tabagismo no idoso promove aumento da adesividade plaquetária, diminuição do HDL-colesterol e aumento do LDL-colesterol, entre outras alterações.

 

Recomendações

Grau de recomendação I, nível de evidência C:

a)             O tabagismo é fator de risco modificável para doenças cardiovasculares em idosos e seu abandono é indicado.

b)            Utilização de abordagem multidisciplinar

 

Grau de recomendação IIa, nível de evidência C:

a)             Adesivos transdérmicos ou goma de mascar de nicotina/ bupropiona podem ser utilizados para interrupção do tabagismo.

 

Obesidade

Recomendações

1)             Recomenda-se adotar como critérios diagnósticos em idosos:  Peso Normal: IMC 18,5-27; Sobrepeso: IMC > 27-29,9; Obesidade: IMC >30; Circunferência abdominal: 102 em homens e 88 em mulheres;  Relação cintura-quadril: em homens > 0,99 cm; mulheres >0,97 cm.

2)             Dieta hipocalórica e exercício físico precedido por avaliação médica para perda de peso. (grau de recomendação I, nível de evidência B)

 

Sedentarismo/Atividade física

Sedentarismo em idosos pode ser caracterizado por atividades com duração inferior a 150 minutos por semana.

 

Recomendações

a)             Recomenda-se exercício físico. (Grau recomendação I, nível de evidência A)

b)            Avaliação pré-exercício: Exame clínico e eletrocardiograma (grau de recomendação I, nível de evidência C); ecocardiograma, teste de esforço ou cintilografia miocárdica em paciente de médio risco ou em exercício moderado a intenso (grau de recomendação IIa, nível de evidência C).

 

Dislipidemia

Figura 2. Dislipidemia.

 

Recomendações

Grau de recomendação I, nível de evidência A:

a)             Dieta e atividade física para dislipidemia.

b)            Estatina se LDL elevado para prevenção primária e secundária.

 

Grau de recomendação IIa, nível de evidência C:

a)             Atividade física e niacina se HDL-c reduzido isolado.

b)            Estatinas se LDL-c elevado e triglicerídios < que 400 mg/dL.

c)             Fibratos se triglicerídios em jejum > 400 mg/dL.

 

Pesquisa de aterosclerose subclínica

Ultrassonografia das artérias carótidas

obstrução da carótida acima de 50% determina aterosclerose significativa e, portanto, alto risco de eventos coronários (grau de recomendação I, nível de evidência C). Considera-se como fator agravante quando houver aumento da espessura íntima-média da carótida, sem obstruções acima de 50%. Tal agravante eleva o paciente à categoria de risco superior ao determinado pelo escore de risco de Framingham (grau de recomendação IIa, nível de evidência C).

 

Escore de cálcio

O valor prognóstico da ausência de cálcio no território coronário é elevado. Escore zero associa-se à possibilidade nula da ocorrência de evento. Se o escore de cálcio for acima >400, o paciente deve ser considerado alto risco e tratado agressivamente (grau de recomendação IIa, nível de evidência C).

 

Índice tornozelo-braquial

Índice tornozelo-braquial < 0,9 associa-se a maior risco de complicações cardiovasculares, como morte e infarto do miocárdio. Recomenda-se pesquisa desse índice em idosos (grau de recomendação IIa, nível de evidência C).

 

Aneurisma de aorta abdominal

determina alta probabilidade de doença aterosclerótica em outros territórios, particularmente coronárias. O método mais simples para detecção é o ultrassom de abdome. Recomenda-se ultrassom de abdome para aqueles que têm exame clínico sugestivo de aneurisma da aorta abdominal e a cada 5 anos para: (1) todos os homens entre 60-85 anos; (2) mulheres de 60-85 anos com FR cardiovascular; (3) homens ou mulheres acima de 50 anos com história familiar de aneurisma de aorta abdominal (grau de recomendação IIa, nível de evidência C).

 

PCR alta sensibilidade

Taxas séricas aumentadas de PCR são preditoras de eventos coronários na síndrome metabólica, diabetes, síndromes coronárias agudas e pós-revascularização do miocárdio. Não se recomenda determinação rotineira da PCR, porém pode modificar as metas de tratamento, particularmente nos indivíduos de risco médio ou intermediário. A determinação da PCR pode ser útil em pacientes de risco intermediário (escore de Framingham entre 10%-20%) nos quais haja incerteza quanto ao uso de terapias, como estatina ou aspirina, para melhorar a estratificação em categoria de risco maior ou menor (grau de recomendação I, nível de evidência C). Monitorização de efeitos da terapêutica ao longo do tempo em prevenção primária ou secundária com base na PCR são insuficientes (grau de recomendação III, nível de evidência C).

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