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Perguntas importantes feitas por familiares de pacientes de UTI

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 18/10/2011

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Área de Atuação: Medicina Intensiva

 

Especialidade: Medicina Intensiva

 

Contexto clínico

A compreensão dos familiares quanto à evolução de pacientes graves é fundamental. Para isso, as informações dadas pelos profissionais de saúde devem ser bastante claras. Estratégias que melhorem essa comunicação associam-se a maior satisfação das famílias dos pacientes e permitem que estas participem mais ativamente das tomadas de decisão2,3. As perguntas dos familiares são, portanto, um ponto importante da comunicação dentro da unidade de terapia intensiva (UTI. O presente estudo teve como objetivo coletar as perguntas mais importantes feitas por familiares de pacientes na UTI.

 

O estudo

As perguntas foram selecionadas de uma lista desenvolvida a partir de cinco fontes: literatura médica (fonte 1), enfermeiros e médicos das 14 UTI participantes (fonte 2), uma semana de estudo em que os enfermeiros (fonte 3) e os médicos (fonte 4) anotaram todas as perguntas feitas por familiares, e entrevistas com familiares (fonte 5). As perguntas foram divididas em nove tópicos: diagnóstico, tratamento, prognóstico, conforto, interação, comunicação, família, fim de vida e cuidados pós-UTI. Após uma análise qualitativa (framework approach and thematic analysis), estas perguntas preliminares receberam notas de 14 médicos (um de cada UTI) e 22 familiares de pacientes que tivessem sido ventilados por mais de 48 horas, de acordo com a importância que deram a cada uma. Os médicos deram suas notas com base na importância, presumida por eles, que os familiares davam àquela pergunta.

De um total de 2.135 perguntas, restaram 42, após a exclusão de duplicatas, redundâncias e questões sobre fim de vida, abordadas em outro estudo. Após a avaliação dos médicos e familiares, restaram 21 questões, ais quais receberam as maiores notas, e estas foram, então, consideradas as mais importantes pelos familiares. As questões são as seguintes:

 

1.     Diagnóstico:

         por que ele(a) não está totalmente consciente?

         o que está errado com ele(a)?

         estou preocupado com a aparência dele(a). Pode me dizer por que ele(a) está assim?

 

2.     Tratamento:

         que tratamentos e outros cuidados ele(a) está recebendo?

         quando ele(a) estará apto(a) a respirar sozinho(a)?

         qual é a razão dos tubos e máquinas conectados a ele(a)?

 

3.     Prognóstico:

         ele(a) vai melhorar?

         quais são as chances de recuperação?

         como e quando saberemos o que vai acontecer?

         ele(a) está melhor hoje?

 

4.     Conforto:

         ele(a) está sofrendo psicologicamente?

         há alguma coisa que eu possa fazer pelo conforto dele(a)? (música, jornal, comida)

         ele(a) sente dor?

 

5.     Interação:

         ele(a) pode me ouvir quando falo com ele(a)?

         o que eu posso fazer por ele(a)? (ajudar com os cuidados, alimentação, banho)

 

6.     Comunicação:

         posso ter certeza de que serei informado se alguma coisa acontecer?

         eu serei informado regularmente das mudanças e, se sim, como?

         posso ligar para saber como ele(a) está?

 

7.     Família:

         em uma situação de decisão, o que é esperado de mim?

 

8.     Pós-UTI:

         quanto tempo ele(a) ficará na UTI?

         ele(a) terá alguma sequela?

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo encontrou 21 perguntas consideradas mais importantes pelos familiares de pacientes graves na UTI, excluindo aquelas sobre fim de vida. Realmente, elas parecem ser as mais ouvidas na nossa prática clínica. O conhecimento dessas perguntas tem duas funções importantes: permitir o conhecimento do que mais incomoda os familiares e, ao mesmo tempo, guiar a comunicação com aqueles familiares que pouco perguntam, mas que permanecem cheios de dúvidas.

A comunicação adequada reduz o estresse dos familiares e associa-se a uma maior satisfação familiar. O foco de qualquer cuidado de saúde é sempre o paciente e, especialmente na terapia intensiva, os familiares.

 

Glossário

Análise temática (thematic analysis) e abordagem (framework approach): métodos de pesquisa qualitativa que vêm sendo cada vez mais utilizados em pesquisas da área de saúde.

 

Bibliografia

1.   Peigne V, Chaize M, Falissard B, Kentish-Barnes N, Rusinova K, Megarbane B, et al. Important questions asked by family members of intensive care unit patients. Crit Care Med. 2011 Jun;39(6):1365-71 [Link para Abstract] (Fator de impacto: 6.594).

2.   Lilly CM, Sonna LA, Haley KJ, Massaro AF. Intensive communication: four-year follow-up from a clinical practice study. Crit Care Med. 2003 May;31(5 Suppl):S394-9.

3.   Lautrette A, Darmon M, Megarbane B, Joly LM, Chevret S, Adrie C, et al. A communication strategy and brochure for relatives of patients dying in the ICU. N Engl J Med. 2007 Feb 1;356(5):469-78.

 

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