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Diretriz – Prevenção de Delirium

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 08/12/2011

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Especialidades: Medicina Hospitalar / Geriatria

 

Resumo

Este é o sumário das últimas diretrizes sobre prevenção de delirium

 

Contexto clínico

O delirium é uma condição comum em pacientes internados, sobretudo em idosos, e se caracteriza por um início agudo de flutuação de nível de consciência, alterações de memória e de atenção e pensamento desorganizado. Apesar de comum, é muito pouco reconhecido e causa um grande impacto em termos de tempo de internação, desfechos clínicos incluindo morte, bem como em custos.

Esta diretriz enfoca na prevenção do delirium e engloba 13 recomendações que devem ser adaptadas individualmente para pacientes de risco, definidos majoritariamente como pessoas acima de 65 anos de idade e pacientes com déficits cognitivos, doenças graves ou fratura de quadril. Estas recomendações enfocam abordagens multidisciplinares. Os autores concluem que estas intervenções podem reduzir a incidência de delirium em um terço, e que a economia é estimada em 8.180 libras esterlinas para pacientes cirúrgicos e 2.200 libras para pacientes clínicos.

A vantagem desta diretriz é abordar intervenções simples, centradas no paciente e em multiprofissionais. Ainda assim, é necessário um ensaio clínico multicêntrico bem desenhado para comprovar definitivamente a efetividade destas intervenções.

 

Recomendações

1.   Assegurar que as pessoas em risco de delirium sejam atendidas por uma equipe multiprofissional familiarizada com a pessoa em risco. Evitar que estas pessoas sejam deslocadas entre setores ou quartos, a menos que seja absolutamente necessário.

2.   Criar um pacote de intervenções com multicomponentes, adaptado a cada paciente. Ao completar 24 horas de hospitalização, avaliar as pessoas em risco a respeito de fatores clínicos que possam contribuir para o delirium. Com base nos resultados desta avaliação, fornecer uma intervenção adaptada às necessidades individuais da pessoa e ao ambiente de cuidados.

3.   Este pacote de intervenções deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar treinada e competente em termos de prevenção de delirium.

4.   Melhorar o comprometimento cognitivo ou a desorientação proporcionando adequada iluminação e sinalização clara, assegurando que um relógio e um calendário estejam visíveis para a pessoa em risco; conversar com a pessoa para reorientá-la, explicando onde ela está, quem ela é, e quem você é e o que está fazendo ali; introduzir atividades estimulantes do ponto de vista cognitivo e facilitas as visitas regulares da família e dos amigos.

5.   Avaliar desidratação e constipação, garantindo a ingestão adequada de líquidos para evitar a desidratação, encorajando a pessoa a beber. Oferecer volume por via subcutânea ou intravenosa, se necessário, tendo o cuidado de equilibrar o balanço hídrico em pacientes com comorbidades (p. ex., insuficiência cardíaca ou doença renal crônica).

6.   Avaliar a possibilidade de hipóxia e aperfeiçoar a saturação de oxigênio, se necessário, da forma mais apropriada do ponto de vista clínico.

7.   Avaliar infecções, procurando e tratando qualquer quadro encontrado, evitando uso desnecessário de dispositivos invasivos e implementando procedimentos de controle de infecção alinhados com diretrizes clínicas desta área.

8.   Avaliar imobilidade ou mobilidade reduzida por meio das seguintes ações: encorajar as pessoas a serem mobilizadas precocemente após uma cirurgia e a caminhar (proporcionar dispositivos de auxílio para caminhar que estejam acessíveis em todos os momentos) e incentivar todas as pessoas, incluindo as que são incapazes de andar, a realizar exercícios que trabalhem com amplitude de movimento.

9.   Avaliar a presença de dor; procurar sinais não verbais particularmente em pessoas com dificuldades de comunicação (p. ex., pessoas com dificuldades de aprendizagem, com demência, em ventilação mecânica, ou que têm uma traqueostomia); iniciar o manejo da dor em qualquer pessoa em quem a dor é identificada ou suspeita.

10. Proceder a uma revisão da medicação para pessoas que estejam recebendo vários fármacos, levando em conta tanto os tipos como o número de medicamentos.

11. Avaliar má nutrição, seguindo orientações dadas pela equipe de nutrição local, e assegurar que dentaduras estão encaixadas corretamente em pessoas que usá-las.

12. Avaliar deficiências sensoriais, resolvendo qualquer causa reversível desta deficiência, tais como a cera no ouvido afetado, e garantindo que dispositivos auxiliares auditivos e visuais estejam disponíveis, e que sejam utilizados por pessoas que precisam deles, e verificar se tais dispositivos estão em boas condições de funcionamento.

13. Promova bons padrões de sono e boa higiene do sono, evitando procedimentos de enfermagem ou médicos durante as horas de sono, se possível; programar o aprazamento de medicação evitando perturbar o sono; reduzir os ruídos ao mínimo durante os períodos de sono.

 

Bibliografia

1.   O’Mahony R, Murthy L, Akunne A, Young J. Synopsis of the National Institute for Health and clinical excellence guideline for prevention of delirium. Ann Intern Med 2011 Jun 7; 154(11):746-51. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 16,225)

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