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Conduta para flutter no pronto-socorro

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 21/12/2011

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Especialidades / Áreas de Atuação: Medicina de Emergência / Cardiologia

 

Resumo

Este estudo comparou as cardioversões química e elétrica para flutter atrial em pronto-socorro para descobrir qual das duas opções é mais efetiva.

 

Contexto clínico

Algumas vezes, não é fácil para o médico do pronto-socorro decidir qual a melhor conduta para uma determinada arritmia. O flutter atrial é uma das arritmias mais comuns que chegam ao departamento de emergência, e há poucas descrições sobre seu manejo e seus desfechos, fazendo com que exista muita variação de conduta entre diferentes médicos e serviços. Este estudo procurou analisar qual a melhor conduta para pacientes com flutter que procuram a emergência.

 

O estudo

Este foi um estudo retrospectivo que revisou os prontuários de 122 pacientes com diagnóstico de flutter atrial que procuram 2 serviços de emergência no Canadá. Foram avaliados os desfechos dos pacientes conforme a estratégia de tratamento: cardioversão elétrica (46 pacientes), cardioversão química (15 pacientes), reversão espontânea (15 pacientes), controle de frequência (24 pacientes) e sem tratamento para arritmia no PS (22 pacientes). Os desfechos primários estudados foram taxa de AVC e morte em 1 ano, e o desfecho secundário estudado foi a proporção de pacientes (desde que elegíveis) que voltaram a ritmo sinusal e receberam alta. As características demográficas e clínicas dos pacientes dos três grupos de cardioversão (elétrica, química e espontânea) eram semelhantes. Os pacientes do grupo de controle de frequência e que não recebeu tratamento eram um pouco mais velhos e um momento de início do flutter pouco claro na história, e o grupo que não recebeu tratamento tinha mais fatores de risco cardiovascular.

No total, 50% dos pacientes voltaram a ritmo sinusal (61 casos), e 83% receberam alta (101 casos). As taxas de sucesso de cardioversão e alta foram maiores com a terapia elétrica do que com a química (91% vs. 27% para sucesso de cardioversão e 93% vs. 60% para alta). Dos pacientes que não realizaram terapia no PS, 96% receberam alta. Dos pacientes que reverteram o quadro espontaneamente, 93% recebeu alta. Dos pacientes que controlaram a frequência apenas, 58% recebeu alta. Em 1 ano, nenhum paciente sofreu um AVC e apenas três (2,5%) morreram, mas estas mortes foram consideradas relacionadas a comorbidades graves que estes pacientes tinham.

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo é consistente com outros que demonstram que a cardioversão elétrica é mais custo-efetiva do que a cardioversão química para pacientes com flutter atrial que chegam ao setor de emergência. Mais pacientes retomaram o ritmo sinusal e receberam alta com a terapia elétrica. Mais importante ainda, estes pacientes que foram cardiovertidos ao ritmo sinusal, bem como aqueles que tiveram sua frequência controlada, podem receber alta com segurança segundo este estudo, que é baseado na ausência de episódios de AVC em 1 ano, bem como na chance de morte extremamente baixa (os que morreram não tiveram seus óbitos relacionados ao flutter, e sim a outras comorbidades). Esta estratégia de privilegiar a cardioversão elétrica para flutter atrial em pronto-socorro mostra-se segura e de baixo custo, ao minimizar internações desnecessárias.

 

Bibliografia

1.     Scheuermeyer FX, Grafstein E, Heilbron B, Innes G. Emergency department management and 1-year outcomes of patients with atrial flutter. Ann Emerg Med 2011 Jun; 57(6):564-71.e2. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 4,232)

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