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Decidindo a informação é necessária pacientes com câncer avançado querem saber todos os detalhes?

Autor:

Veruska Menegatti Anastacio Hatanaka

Coordenadora, em São Paulo, dos cursos básico e avançado do Pallium Latinoamerica. Médica Assistente do Centro de Atendimento de Intercorrências Oncológicas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Última revisão: 16/02/2012

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Especialidades: Oncologia / Cuidados Paliativos

 

Resumo

Este estudo de revisão explora um dos maiores desafios médicos enfrentados na atuação clínica: a comunicação efetiva com pacientes com diagnóstico de câncer avançado, enfatizando práticas atuais de comunicação e os fatores que influenciam na condução desta delicada interação.

 

Contexto clínico

Apesar de quase sempre se comunicar o diagnóstico de câncer, pouco são abordadas as implicações na sobrevida: apenas 39% dos pacientes holandeses e 27% dos australianos com câncer de mama ou melanoma receberam informação prognóstica, apesar de 57% destes últimos desejarem tal informação. Ainda, no estudo SUPPORT, 82% dos 917 pacientes hospitalizados com cancer metastático estimaram sua sobrevida em 6 meses de forma otimista, elevando-a por um fator de 40% ou mais. Por outro lado, há elevadas taxas de discordância entre pacientes e familiares no que tange a curabilidade ou não do câncer, elementos que apontam para a relevância do tema.

 

O estudo

Decorrente de uma série de fatores envolvendo a relação médico-paciente, a disparidade entre a compreensão do prognóstico e as estimativas otimistas interferem com o processo decisório, favorecendo medidas distanásicas e retardo no encaminhamento para cuidados paliativos e hóspices.

Alguns tópicos merecem destaque.

 

Como os pacientes interpretam o que é dito?

Causam confusão palavras com vários significados como “progredindo”, “testes positivos/negativos”.

Negação e angústia diminuem a retenção de informações.

Apenas em 10% das consultas com oncologistas australianos foi checada a compreensão da informação fornecida.

 

 Como a informação influencia o processo decisório?

A consciência da terminalidade permite aos pacientes discutir cuidados no final da vida com seus médicos, assim como receber cuidados condizentes com seus desejos.

Pacientes e cuidadores identificam o preparo psicossocial para a morte como parte da boa morte. Cabe ao médico identificar qual informação convém, como convém e quando.

 

Preferências do paciente para receber informações

A maioria deseja saber o diagnóstico e a extensão da doença, as opções terapêuticas e os efeitos colaterais. O desejo de receber informações, porém, nem sempre se acompanha do desejo de se envolver no processo decisório.

Informação, processo decisório e preferências relacionadas aos cuidados podem flutuar ao longo do curso de uma doença e diferir entre pacientes e cuidadores.

A informação prognóstica deve ser dada pelo médico envolvido nos cuidados do paciente e que seja a ele confiável, capaz de vê-lo como um todo e que se mantenha confortável ao abordar o tema da morte.

Pacientes oncológicos denotam aumento na necessidade de falar sobre preocupações e medos. Querem ser reconhecidos como indivíduos, com oportunidades para perguntar, além de serem questionados regularmente sobre quais informações preferem receber.

Há preferência pela informação apresentada de maneira mais otimista como “chance de viver” mais que “chance de morrer”. Enfatizar aspectos positivos, metas realistas, terapias para controle de sintomas e assegurar a continuidade dos cuidados ao longo do curso da doença são estratégias possíveis.

A comunicação não verbal é relevante, preferindo-se a comunicação face a face, com o médico sentado e em atitude compassiva.

Informações escritas/audiovisuais melhoram a lembrança da informação e a satisfação.

 

Melhorando a habilidade de comunicação

Habilidades de comunicação não melhoram com experiências individuais, mas, sim, com treinamento específico a ser incluido na grade curricular médica.

 

Aplicações para a prática clínica

A adequada comunicação acerca da doença e seu prognóstico com pacientes oncológicos exige o reconhecimento de peculiaridades inerentes ao tema e o desenvolvimento de habilidades específicas, fortalecendo o vínculo da tríade paciente-família-profissional da saúde.

 

Bibliografia

1.    Russell BJ, Ward AM. Deciding what information is necessary: do patients with advanced cancer want to know all the details? Cancer Management and Research 2011; 3:191-9. [link para o artigo] .

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