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Avaliação sobre qualidade de cuidados paliativos em UTI

Autor:

Veruska Menegatti Anastacio Hatanaka

Coordenadora, em São Paulo, dos cursos básico e avançado do Pallium Latinoamerica. Médica Assistente do Centro de Atendimento de Intercorrências Oncológicas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Última revisão: 28/02/2012

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Especialidades: Cuidados Paliativos / Medicina Intensiva

 

Resumo

Este estudo avaliou 7 domínios relacionados aos cuidados paliativos em ambiente de terapia intensiva para tentar identificar possíveis pontos a ser melhorados.

 

Contexto clínico

Ainda que se tenha propagado o conceito de cuidados paliativos (CP) e as referências de cuidados que propiciam o morrer em condições adequadas fora do contexto hospitalar, morre-se sobremaneira nas UTI. A penetração dos CP nestas unidades comprovadamente altera resultados, melhorando a qualidade do morrer e da morte, diminuindo o tempo de permanência, nestes serviços, dos pacientes que morrem em UTI e reduzindo os sintomas psicológicos familiares após a morte do paciente.

 

O estudo

Com o emprego de questionário aplicado a uma amostra de 188 médicos (assistentes e fellows intensivistas/residentes) e 289 enfermeiros de unidades de terapia intensiva (UTI), abordando 10 itens representativos de 7 domínios relacionados aos cuidados paliativos (CP), avaliados segundo uma escala de 0 (pior cuidado possível) a 10 (melhor cuidado possível), este estudo identifica a necessidade de melhorias em vários aspectos dos CP e providencia suporte preliminar para que clínicos trabalhando em UTI sejam vistos como uma forma de avaliar a qualidade dos CP prestados nestas unidades.

Os 7 domínios específicos para CP identificados pelo Robert Wood Johnson Foundation’s Critical Care End-of-Life Peer Work Group são:

 

1.   Processo decisório centrado no paciente e na família.

2.   Comunicação dentro da equipe e com pacientes e familiares.

3.   Continuidade de cuidados.

4.   Suporte emocional e prático para os familiares.

5.   Manejo sintomático e cuidados de conforto.

6.   Suporte espiritual de pacientes e familiares.

7.   Suporte emocional e organizacional para clínicos em UTI.

 

Considerando tais domínios, este estudo avalia a qualidade dos CP empregados em UTI a partir da perspectiva de médicos e enfermeiras com o intuito de identificar potenciais alvos de atenção para melhora da qualidade destes cuidados, com os seguintes resultados:

 

1.   Comparando-se cada item ao domínio 5 (manejo sintomático), considerada habilidade primária em CP, observam-se valores significativamente menores para cada um dos 10 itens em relação ao controle de sintomas, independentemente do padrão do respondedor (p. ex., enfermeiras avaliando cuidados de enfermagem, enfermeiras avaliando cuidados médicos etc.), exceto no que se refere à avaliação médica acerca da própria habilidade em comunicar os objetivos dos cuidados ao paciente e familiares e à avaliação da enfermagem no que diz respeito à habilidade médica em extrair e respeitar as preferências relativas aos objetivos dos cuidados e tratamentos.

2.   Ao avaliar os cuidados determinados por membros da própria classe profissional, respondedores de ambas deram os valores mais altos para o controle sintomático e para obtenção e respeito às preferências dos pacientes e familiares acerca dos objetivos dos cuidados e intervenções terapêuticas. As menores pontuações foram dadas ao suporte espiritual aos familiares, ao suporte emocional para clínicos cuidando de pacientes morrendo e para a educação referente a CP.

3.   Avaliações feitas por enfermeiros no que se refere aos cuidados oferecidos pela própria enfermagem foram superiores às feitas por médicos em respeito aos cuidados prestados por médicos, possivelmente pelo fato de serem os enfermeiros os profissionais da assistência que permanecem maior tempo à cabeceira do paciente, atrelado ao fato de médicos vivenciarem maiores barreiras, sobretudo nas áreas relacionadas à comunicação e CP.

4.   As avaliações da enfermagem acerca dos cuidados médicos foram significativamente inferiores às avaliações feitas por médicos a respeito dos cuidados conferidos pelos próprios médicos em todos os itens, exceto o 7 (provisão de suporte emocional para clínicos de UTI). Por outro lado, os cuidados de enfermagem foram avaliados similarmente tanto por médicos como por enfermeiros. Esta discrepância sugere a necessidade de melhora da comunicação entre os que providenciam CP na UTI.

5.   Avaliações feitas por médicos residentes e fellows identificaram um item significativamente maior, o processo decisório centrado no paciente e na família, com tendências a avaliações maiores para outros 6 itens, em contraste a outro estudo no qual este grupo de profissionais avalia a qualidade do morrer para pacientes em UTI pior que os médicos assistentes. Este resultado exige novos estudos.

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo identifica ao menos 3 domínios com possibilidades de melhoria no que se refere aos CP em UTI:

 

       a provisão de educação acerca do tema para os profissionais da assistência ao paciente;

       a avaliação de necessidades espirituais e religiosas do paciente e familiares (importante preditor de satisfação da família com os cuidados gerais de UTI);

       a provisão de suporte emocional para clínicos cuidando de pacientes morrendo, forte fator de risco para burnout.

 

Bibliografia

1.  Ho LA, Engelberg RA, Curtis JR. Comparing clinician ratings of the quality of palliative care in the intensive care unit. Crit Care Med 2011; 39(5):975-983. [link para o resumo] (Fator de Impacto: 6,254).

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