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Hiperemese por canabinoides

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 04/06/2012

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Hiperemese por canabinoides – Lembre deste diagnóstico diferencial

 

Especialidades: Emergências / Medicina Hospitalar / Medicina de Família e Comunidade

 

Resumo

Apresentamos uma série de casos realizada pela Mayo Clinic (EUA), na qual são relatados 98 casos de Hiperemese por canabinoides, importante diagnóstico diferencial a ser pensado nos dias de hoje.

 

Contexto clínico

A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo. Em 2004, um primeiro relato de 9 casos apontou pela primeira vez a síndrome de Hiperemese por canabinoides como um diagnóstico possível. Desde então, alguns outros relatos de casos foram publicados, aumentando o corpo de evidência, porém nenhum antes como o presente estudo com 98 casos. Dada a prevalência de uso de maconha no mundo e os custos desnecessários com investigações, é importante conhecer melhor sobre este diagnóstico diferencial.

 

O estudo

A literatura médica aponta que a Hiperemese por canabinoides é caracterizada por vômitos cíclicos em usuários de maconha. A Mayo Clinic fez uma revisão extensa de prontuários entre 2005 e 2010, encontrando 98 casos que se enquadram nesta descrição.

Entre os pacientes em que se sabia a duração e a frequência de uso, 2/3 usavam maconha a mais de 1 ano, quase todos pelo menos 1 vez/semana (95%), com 59% usando diariamente. Todos tinham náuseas e vômitos cíclicos, muitas vezes associados a dor epigástrica (86%) e perda ponderal. Vários (58% dos pacientes) relatavam melhora dos sintomas quando tomavam banhos quentes (91% destes). A maior parte dos pacientes acabou passando por vários exames para investigação, sendo que quanto ao esvaziamento gástrico, 46% dos casos era normais, 30% tinha esvaziamento gástrico mais lento e 25% esvaziamento gástrico mais rápido.

Todos os pacientes descritos tinham menos de 50 anos, e dos que tiveram algum seguimento pós-alta, 70% parou de usar maconha, sendo que 86% destes tiveram resolução completa dos sintomas.

 

Aplicações para a prática clínica

A maior importância desta série de casos é ressaltar, para qualquer médico que se depare com um caso de vômitos de difícil controle, que há um diagnóstico diferencial a ser considerado: a Hiperemese por canabinoides. No contexto atual e com o largo uso desta droga ilegal, provavelmente iremos nos deparar com vários destes casos na prática diária.

Parece paradoxal pensar nesta síndrome, uma vez que há estudos que mostram o uso de canabinoides para controle de vômitos, entretanto, a base fisiopatológica desta síndrome ainda não está elucidada.

Uma das coisas mais interessantes é que a Mayo Clinic, com base nesta série de casos, apresenta uma sugestão de critérios clínicos para o diagnóstico da síndrome, descritos na Tabela 1.

 

Tabela 1. Proposta de critérios clínicos para o diagnóstico de Hiperemese por canabinoides

Essencial para o diagnóstico

Uso prolongado de Cannabis

Características principais

Náuseas e vômitos severos e cíclicos

Resolução ao interromper o uso

Melhora dos sintomas com banho quente

Dor abdominal, epigástrica ou periumbilical

Uso semanal de Cannabis

Características associadas

Menos de 50 anos de idade

Perda ponderal > 5 kg

Sintomas mais comuns pela manhã

Hábito intestinal normal

Exames laboratoriais, radiológicos e endoscópicos negativos

 

Bibliografia

1.   Simonetto DA, Oxentenko AS, Herman ML, Szostek JH. Cannabinoid hyperemesis: a case series of 98 patients. Mayo Clin Proc 2012 Feb; 87:114. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 1,269).

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