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Fração do colesterol mais preditiva de eventos cardiovasculares

Autor:

Carlos Eduardo Marcello

Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).

Última revisão: 30/05/2012

Comentários de assinantes: 2

Qual é a fração do colesterol mais preditiva de eventos cardiovasculares dentre os usuários de estatinas?

 

Área de atuação: Medicina Ambulatorial

 

Especialidade: Medicina de Família, Clínica Médica

 

Resumo

Nesse estudo, os autores avaliaram, em pacientes que usam estatinas, qual o valor relativo de cada fração das lipoproteínas na previsão de eventos cardiovasculares.

 

Contexto clínico

As estatinas são um dos tratamentos mais importantes para a prevenção primária e secundária das diversas manifestações clínicas da doença aterosclerótica. O foco do tratamento com estatinas é o nível do colesterol ligado às lipoproteínas de baixa densidade (LDL-colesterol). Entretanto, diversos estudos têm demonstrado que o LDL-colesterol não é o melhor parâmetro para a estimativa do efeito protetor conferido pelas estatinas contra o processo da aterosclerose. Várias alternativas ao LDL-colesterol têm sido propostas como, por exemplo, a apolipoproteína B (apo-B) e o colesterol ligado às lipoproteínas que não as de alta densidade (colesterol não-HDL ou, em inglês, non-HDL-cholesterol). Este último pode ser obtido subtraindo-se o HDL-colesterol do colesterol total, dados constantes na maioria dos exames dos laboratórios do nosso meio.

O objetivo desta meta-análise foi o de avaliar se, dentre os pacientes já tratados com estatinas, o colesterol não-HDL e a apo-B estariam mais fortemente associadas – e em que grau – com o risco futuro de eventos cardiovasculares do que o LDL-colesterol.

 

O estudo

Uma procura detalhada na literatura foi realizada e permitiu o encontro de 8 estudos randomizados e controlados que incluíram a dosagem das frações do colesterol acima descritas. Durante seguimento de 2 anos, dentre os 38.153 pacientes, houve 6.286 eventos cardiovasculares (isto é, infarto do miocárdio fatal e não fatal, angina instável e acidente vascular encefálico).

De todas as frações do colesterol analisadas, os pacientes do quartil mais alto tiveram um risco significativamente maior de eventos cardiovasculares do que aqueles no quartil inferior. Entretanto, as taxas de risco foram maiores para os níveis do colesterol não-HDL (1,42; intervalo de confiança de 95% [IC95%], 1,29 a 1,56) e da apo-B (1,33; IC95% de 1,22 a 1,45) do que para os do LDL-colesterol (1,26; IC95% de 1,14 a 1,39). A maior parte do benefício das estatinas foi explicado pelas mudanças no colesterol não-HDL (64%) do que pelas da apoB (54%) ou do LDL-colesterol (50%).

Levando-se em conta LDL-colesterol e colesterol não-HDL, as taxas de risco observadas são as que se seguem:

 

LDL-colesterol

Colesterol não-HDL

Nº de eventos

Participantes

Risco (IC95%)

= 100 mg/dL

= 130 mg/dL

1.877

10.419

1,21 (1,13 – 1,29)

= 100 mg/dL

< 130 mg/dL

467

2.873

1,02 (0,92 – 1,12)

< 100 mg/dL

= 130 mg/dL

283

1.435

1,32 (1,17 – 1,50)

< 100 mg/dL

< 130 mg/dL

2.760

23.426

1,00 (referência)

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo amplia a compreensão sobre o valor preditivo do colesterol não-HDL e da apo-B em relação ao LDL-colesterol. Valoriza a importância de que também se acompanhe  os níveis do colesterol não-HDL em vez de somente o LDL-colesterol.

 

Glossário

Apolipoproteína B (apo-B): as apolipoproteínas são as proteínas constituintes das partículas lipoprotéicas responsáveis pela estabilização de sua estrutura e que têm diferentes funções no metabolismo lipídico. A apolipoproteína B se apresenta sob duas formas: B-48 e B-100. A apo-B-48, sintetizada no intestino, é constituinte dos quilomícrons. A apo-B-100 é sintetizada no fígado e faz parte das principais frações consideradas aterogênicas (LDL, IDL, LDL pequenas e grandes). A apo-B-100 é essencial para a ligação das partículas de LDL aos receptores celulares, permitindo a entrada de LDL nas células.

 

Bibliografia

1.   Boekholdt SM, Arsenault BJ, Mora S, Pedersen TR, LaRosa JC, Nestel PJ et al. Association of LDL cholesterol, non–HDL cholesterol and apolipoprotein B levels with risk of cardiovascular events among patients treated with statins: A meta-analysis. JAMA 2012 Mar 28; 307:1302. [link para o abstract]

Comentários

Por: Atendimento MedicinaNET em 22/05/2012 às 14:59:02

"Prezado José Geraldo, Os editores gerais sugerem o texto "Conceitos básicos de epidemiologia e estatística para a leitura de ensaios clínicos controlados". Trata-se de um texto básico sobre este assunto e outros relacionados. Segue o link para acesso: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v27n2/a15v27n2.pdf Atenciosamente, Atendimento MedicinaNET"

Por: José Geraldo Rodrigues em 21/05/2012 às 23:19:28

"Prezado Dr. Carlos Eduardo: É de muitissima utilidade prática este trabalho. Gostaria de solicitar sua gentileza em informar-me onde devo procurar esclarecimentos para melhor entender esta questão de intervalo de confiança conforme aparece neste trabalho, como por exemplo em relação à apoB: (1,33; IC95% de 1,22 a 1,45). Desculpe o primitivismo de minha dúvida, mas a tenho e estou pedindo sua ajuda. Obrigado pela atenção."

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