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USG e RNM para rastreamento de câncer de mama em mulheres de alto risco

Autor:

Guilherme Novita Garcia

Especialista em Ginecologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Especialista em mastologia pela Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 26/09/2012

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Especialidades: Ginecologia / Oncologia / Radiologia

 

Resumo

  Estudo que avalia os benefícios da adição de USG e RNM como rastreamento complementar para mulheres com alto risco de câncer de mama.

 

Contexto clínico

  O acréscimo de outros exames no rastreamento mamário tem sido questionado nos últimos anos. Contudo, para a população geral, este benefício não foi confirmado. Houve apenas um aumento desprezível na detecção de novos tumores e aumento significante dos efeitos colaterais do rastreamento (custo e falso-positivos).

  Já nas pacientes de alto risco, nas quais a frequência de câncer é maior, a eficácia do acréscimo de exames complementares à mamografia foi demonstrada.

  O presente estudo avalia um grande número de pacientes que foram submetidas à mamografia e depois aos exames complementares (ultrassonografia e ressonância magnética). O objetivo é avaliar o impacto da adição destes exames no rastreamento.

 

O estudo

  O estudo ocorreu da seguinte forma: de abril de 2004 a fevereiro de 2006, foram avaliadas 2.809 mulheres com risco elevado de câncer de mama e mamas densas, em 21 diferentes centros. Essas pacientes realizaram 3 rastreamentos anuais independentes, com mamografia e ultrassonografia, em ordem aleatória. Após 3 rodadas de ambos os exames, 612 das 703 mulheres que escolheram se submeter à ressonância magnética tiveram as informações completas. As variáveis analisadas foram: taxa de detecção de câncer (rendimento), sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (PPV3) das biópsias realizadas e taxas de câncer.

  Nesse estudo, 2.662 mulheres foram submetidas à mamografia e 7.473 à ultrassonografia, das quais 110 tiveram, ao todo, 111 eventos de câncer de mama: 33 detectados pela mamografia, 32 apenas por ultrassonografia, 26 por ambos e 9 apenas por ressonância magnética após a mamografia e ultrassonografia; 11 não foram detectados por qualquer tipo de imagem.

  A incidência entre 4.814 exames, no segundo e no terceiro anos juntos, foi de 75 mulheres com câncer. A ultrassonografia teve rastreio suplementar de 3,7 cânceres por 1.000 exames (95% CI, 2,1-5,8; P <0,001).

  A sensibilidade da mamografia com ultrassonografia foi de 0,76 (95% CI, 0,65-0,85); especificidade de 0,84 (95% CI, 0,83-0,85); e PPV3 de 0,16 (95% CI, 0,12-0,21).

  Para a mamografia isolada, a sensibilidade foi de 0,52 (95% CI, 0,40-0,64); especificidade de 0,91 (IC 95%, 90-0,92) e PPV3 de 0,38 (95% CI, 0,28-0,49; p <0.001 todas as comparações).

  Nas participantes submetidas à ressonância magnética, 16 mulheres (2,6%) tinham câncer de mama diagnosticado. O rendimento suplementar da ressonância magnética foi de 14,7 por mil (95% CI, 3,5-25,9; P = 0,004).

  A sensibilidade da ressonância magnética associada à ultrassonografia e à mamografia foi de 1,00 (95% CI, 0,79-1,00); especificidade de 0,65 (95% CI, 0,61-0,69); e PPV3 de 0,19 (95% CI, 0,11-0,29).

  Neste grupo, avaliando somente a mamografia e a ultrassonografia, a sensibilidade foi de 0,44 (95% CI, 0,20-0,70, P = 0,004), especificidade de 0,84 (95% CI, 0,81-0,87, P <.001), e PPV3 de 0,18 (95% CI, 0,08 para 0,34, P = 0,98).

  O número de exames necessários para detectar um câncer foi de 127 (95% CI, 99-167) para mamografia, 234 (95% CI, 173-345) para ultrassonografia complementar e 68 (95% CI, 39-286) para ressonância magnética após mamografia e ultrassonografia negativas.

  Com esses dados, conclui-se que a adição de ultrassonografia ou ressonância magnética para rastreamento mamográfico em mulheres com risco aumentado de câncer de mama resultou em detecção de maior número de casos de câncer, mas também um aumento nos achados de falso-positivos.

 

Aplicações para a prática clínica

  O grupo de pacientes de risco elevado para câncer de mama aparentemente apresenta benefício do acréscimo de ultrassonografia ou ressonância magnética ao rastreamento mamográfico.

  Segundo os estudos disponíveis, os efeitos colaterais deste tipo de rastreamento são justificados pelo aumento na detecção de novos tumores.

  A recomendação atual das diretrizes internacionais é acrescentar a ressonância magnética de mamas ao rastreamento nas mulheres de alto risco. O início deste rastreamento ainda é controverso. Algumas diretrizes sugerem o início 10 anos antes do evento no familiar mais jovem acometido por câncer de mama. Outras sugerem o início aos 25 ou 30 anos de idade. Aparentemente, o principal consenso é que nunca se deve iniciar o rastreamento antes dos 25 anos.

  Se os 2 exames estiverem disponíveis, não há necessidade de ultrassonografia de mamas, apenas da ressonância magnética.

 

Bibliografia

1.   Berg W, Zhang Z, Lehrer D, Jong R, Pisano E, Barr R et al. Detection of breast cancer with addition of annual screening ultrasound or a single screening MRI to mammography in women with elevated breast cancer risk. JAMA, 2012; 307(13): 1394-1404. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 30,000)

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