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O câncer de ovário em pacientes portadoras da mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2 tem pior prognóstico

Autor:

Giovanni Mastrantonio Di Favero

Médico Assistente da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Doutor em Medicina pelo Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 15/10/2012

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Especialidades: Ginecologia / Oncologia

 

Resumo

Metanálise sobre estudos que procuraram comparar o prognóstico do câncer de ovário em mulheres portadoras da mutação dos genes BRCA 1 e/ou BRCA 2 versus pacientes sem a alteração genética.

 

Contexto clínico

Mutações dos genes supressores tumorais BRCA 1 e BRCA 2 são os fatores de risco genéticos mais frequentemente associados às neoplasias malignas de mama e de ovário. A mutação destes genes está presente em 6 a 15% dos cânceres epiteliais do ovário (EOC). Sabe-se que o BRCA 1 está envolvido no reparo do DNA, no controle do ciclo celular, na remodelação da cromatina e na regulação das taxas de mitose, ao passo que o BRCA 2 tem um papel importante na recombinação celular. As características clínicas do EOC entre pacientes portadoras da mutação diferem das não portadoras. A neoplasia relacionada ao BRCA 1 apresenta maior frequência de histologia serosa, alto grau e apresentação em estádio avançado. Já a doença associada ao BRCA 2 é pouco conhecida pela menor prevalência e penetrância da mutação. Dados disponíveis a respeito do prognóstico relativo do EOC entre pacientes portadoras e não portadoras da mutação são absolutamente conflitantes, visto que alguns estudos apontam para uma melhor evolução para o BRCA 2 e uma diferença não significativa para o BRCA 1, porém essas observações não foram confirmadas por outros trabalhos. Uma das possíveis explicações para uma maior sobrevida nas mulheres portadoras da mutação dos genes BRCA 1/2 seria o fato de tais tumores serem mais sensíveis à platina. O objetivo do presente estudo foi coletar dados de diversas séries que compararam o prognóstico do EOC nestas populações, no sentido de fornecer informações conclusivas para determinar se portadoras do BRCA 1 e BRCA 2 têm sobrevida similar.

 

O estudo

Trata-se de uma metanálise que incluiu 26 estudos observacionais que avaliaram o prognóstico do EOC entre mulheres portadoras e não portadoras da mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2. Foram incluídas 1.213 pacientes carreadoras da mutação (BRCA 1 – 909 e BRCA 2 – 304) com EOC versus 2.666 mulheres com EOC não relacionado à genética, estudadas entre 1987 e 2010. A sobrevida em 5 anos foi respectivamente de 36% nas não portadoras, 44% nas com BRCA 1 e 52% nas com BRCA 2. Tais diferenças foram estatisticamente significantes mesmo após o ajuste por ano do diagnóstico, estadiamento, grau histológico e idade. Portanto, notamos que mulheres com EOC e portadoras da mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2 apresentam uma melhor sobrevida em 5 anos. Mais especificamente, a neoplasia relacionada ao BRCA 2 tem um prognóstico ainda mais favorável.

 

Aplicações para a prática clínica

Os achados recentes têm implicações importantes no manejo clínico de pacientes com EOC. Primeiramente, podemos aconselhar melhor os pacientes com esta condição, principalmente quanto a sobrevida. No futuro, é possível que haja uma triagem das pacientes com EOC em portadoras e não portadoras da mutação para se definir a intensidade do tratamento adjuvante (quimioterapia). Dada a importância prognóstica e as eventuais repercussões terapêuticas do status dos genes BRCA 1 e BRCA 2, deve-se, em breve, incorporar este teste à rotina das pacientes com diagnóstico de EOC.

 

Bibliografia

1.   Bolton KL, Chenevix-Trench G, Goh C, Sadetzki S, Ramus SJ, Karlan BY et al. Association between BRCA1 and BRCA2 mutations and survival in women with invasive epithelial ovarian cancer. JAMA. 2012;307 (4):382-389. DOI:10.1001/jama.2012.20. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 30,000)

 

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