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Reinternações em pacientes cirróticos prevendo e evitando

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 12/11/2012

Comentários de assinantes: 1

Especialidades: Gastrenterologia / Medicina Hospitalar / Segurança do Paciente

 

Resumo

         Este estudo avaliou preditores e causas evitáveis de reinternações por descompensações da cirrose hepática.

 

Contexto clínico

         As descompensações da cirrose são associadas a altas taxas de morbidade e mortalidade. Reinternações precoces já foram caracterizadas em diversas condições clínicas, porém não em pacientes com cirrose. No estudo aqui comentado, os pesquisadores identificaram frequência, custos, preditores e causas evitáveis de reinternações hospitalares de pacientes com descompensações da cirrose.

 

O estudo

         Foram calculadas as taxas de reinternações de 402 casos que receberam alta após condição de descompensação da cirrose: ascite, peritonite bacteriana espontânea, insuficiência renal, encefalopatia hepática e sangramento de varizes. Dois médicos avaliaram os casos quanto às suas chances de serem evitados.

         No total, 276 pacientes (69%) tiveram pelo menos uma reinternação não eletiva, sendo a mediana para esta primeira reinternação de 67 dias. Uma semana após a alta, 14% dos casos foram reinternados, e no 1º mês após a alta, foram 37%. Os custos médios por reinternação ocorrida em 1 semana ou entre 1 e 4 semanas foram US$ 28.898,00 e US$ 20.581,00, respectivamente.

         Durante o seguimento de 203 dias, a mediana de readmissões foi de 2 (variando de 0 a 40), com uma média de 3 reinternações/pessoa-ano. Os pacientes com mais reinternações tiveram maior mortalidade, mesmo quando ajustado pelo MELD (Model for End Stage Liver Disease). Os preditores de tempo para a primeira reinternação incluíram o MELD, sódio sérico e número de medicações na alta; já os preditores de hospitalização como um todo incluíram, além destas últimas variáveis, o número de complicações da cirrose e a presençaem lista de transplante.

         Entre 165 reinternações que ocorreram com até 30 dias, 22% eram evitáveis. As causas evitáveis mais comuns foram encefalopatia hepática e estados relacionados com hipo ou hipervolemia, situações que estavam relacionadas à titulação da dose de lactulose; no entanto, por falta de manejo adequado de diuréticos, todas as situações poderiam ter sido evitáveis.

 

Aplicações para a prática clínica

         As reinternações de pacientes com quadros de descompensação da cirrose são muito comuns e associadas a altos custos hospitalares. O que chama atenção é que quase 1/4 das reinternações mais precoces (em 1 mês após a alta) são potencialmente evitáveis.

         Isso mostra a necessidade de se discutir um adequado plano de alta para pacientes com cirrose hepática, com manejo correto de medidas para controle da encefalopatia e da ascite, o que implica adequada prescrição de lactulose e diuréticos. Esses pacientes poderiam voltar menos ao hospital, o que, em última análise, até se reflete em menor número de atendimentos em pronto-socorro. Mostra também a necessidade de um plano adequado de retorno ambulatorial precoce, assim como em diversas outras condições após internação, como asma ou insuficiência cardíaca.

         Planos focados na qualidade assistencial prestada ao paciente com cirrose são de extrema importância e deveriam ser foco principalmente de instituições de referência para este tipo de paciente.

         Para conhecer mais sobre aspectos de qualidade no manejo da cirrose, acesse outro artigo discutido no MedicinaNet.

 

Bibliografia

1.    Volk ML, Tocco RS, Bazick J, Rakoski MO, Lok AS. Hospital readmissions among patients with decompensated cirrhosis. Am J Gastroenterol 2012 Feb; 107:247. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 6,882)

Comentários

Por: FERNANDO BORER MANSO em 27/10/2012 às 12:12:47

"A MAIORIA DAS RE INTRENAÇÔES É DECORRENTE DA INEXPERIENCIA PRETÉRITA OU ATUAL MANEJO DOS CASOS ,DIGO DOS PACIENTES AGUARDEMOS MELHORES DIAS DE ENSINO E APRENDZADO"

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