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Furosemida para ICC descompensada infusão intermitente ou contínua?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 03/01/2013

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Especialidades / Áreas de Atuação: Medicina Hospitalar / Medicina de Emergência / Cardiologia / Nefrologia

 

Resumo

         Esta é uma revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos randomizados que compararam a infusão de furosemida intermitente ou contínua para pacientes hospitalizados com ICC descompensada.

 

Contexto clínico

         Administrar bolus intermitentes de furosemida para pacientes com ICC descompensada muitas vezes implica alterações hemodinâmicas desfavoráveis. A infusão contínua poderia induzir diurese similar ou até maior, porém sem as mesmas consequências hemodinâmicas.

         Apesar de uma revisão sistemática já realizada anteriormente3 embasar a infusão contínua de furosemida ao invés de se usar doses intermitentes em ICC descompensada, um estudo randomizado recentemente publicado no New England Journal of Medicine4 não mostrou diferenças entre as duas estratégias.

         Sendo assim, ainda restam dúvidas sobre qual estratégia deve ser seguida na prática.

 

O estudo

         Esta é uma revisão sistemática com metanálise. Dez estudos envolvendo um total de 564 pacientes foram incluídos.

         Quando administrada de forma contínua, a furosemida gerou uma diurese modestamente maior e estatisticamente significante (diferença da média ponderada entre os tratamentos para débito urinário em 24 horas: 240 mL/100 mg de furosemida) e um peso total menor (diferença da média ponderada entre os tratamentos: 0,8 kg) quando comparada à infusão intermitente. A excreção urinária de sódio e o tempo de internação hospitalar não foram diferentes entre os 2 grupos.

 

Aplicações para a prática clínica

         Esta metanálise sugere que há benefício no uso de furosemida de forma contínua quando comparada à furosemida intermitente em pacientes hospitalizados, pelo menos quanto aos desfechos avaliados. Entretanto, este benefício está longe de se traduzir em algo com relevância clínica, o que incluiria avaliação de sintomas, reinternação por ICC descompensada e mortalidade. Sendo assim, é difícil afirmar que uma das duas estratégias é melhor do ponto de vista clínico, uma vez que os desfechos que foram diferentes entre os dois grupos e favoreceram a furosemida contínua foram uma diurese e uma perda ponderal maiores.

         Ainda são necessários estudos mais focados nestes desfechos clínicos para dar mais corpo de evidência que favoreça o uso de furosemida em infusão contínua. Entretanto, não resta dúvidas de que, independentemente da estratégia usada, os benefícios para o paciente com ICC descompensada só são atingidos com uma estratégia guiada por protocolos bem definidos dentro da instituição. Enquanto aguardamos mais informações sobre a forma mais adequada de se usar furosemida, podemos criar tais protocolos em nossos hospitais, objetivando uma maior garantia de bons desfechos clínicos para nossos pacientes.

 

Bibliografia

1.        Amer M, Adomaityte J, Qayyum R. Continuous infusion versus intermittent bolus furosemide in ADHF: An updated meta-analysis of randomized control trials. J Hosp Med 2012 Mar; 7:270. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 1,951)

2.        Barsuk JH, Paparello J, Cotts W. Appropriate diuretic dosing: Closed loop communication. J Hosp Med 2012 Mar; 7:167.

3.        Salvador DRK, Rey NR, Ramos GC, Punzalan FE. Continuous infusion versus bolus injection of loop diuretics in congestive heart failure. Cochrane Database of Systematic Reviews 2005, Issue 3. Art. No. CD003178. DOI: 10.1002/14651858.CD003178.pub3.

4.        Felker GM, Mentz RJ for the NHLBI Heart Failure Clinical Research Network. Diuretic strategies in patients with acute decompensated heart failure. N Engl J Med 2011 Mar 3; 364:797.

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