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Lactulose e probióticos evitam recorrência de encefalopatia hepática

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 01/07/2013

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Especialidades: Emergências / Gastrenterologia / Medicina Hospitalar

 

Resumo

         Estudo sobre a validade de se usar lactulose e probióticos para evitar recorrência em encefalopatia hepática.

 

Contexto clínico

         A encefalopatia hepática (EH) é uma das complicações mais comuns da cirrose. A lactulose é frequentemente usada de forma eficiente para tratar encefalopatia hepática aguda ou recorrente, mas a verdade é que há poucos dados de literatura que corroborem seu uso. Probióticos também podem ter benefício no tratamento destas condições, substituindo a flora intestinal de forma a reduzir a produção de amônia, mas também há poucos dados de literatura para indicar seu uso na encefalopatia hepática de forma adequada. O estudo aqui comentado tenta exatamente responder a estas questões sobre o uso de tais medicações na encefalopatia hepática.

 

O estudo

         Este é um estudo randomizado e controlado feito na Índia. Pacientes cirróticos que saíram de um episódio de encefalopatia hepática (EH) foram randomizados a receber lactulose (30 mL, 3 vezes/dia), cápsulas de probióticos contendo 112.5 bilhões de bactérias liofilizadas por cápsula (1 cápsula 3 vezes/dia) ou placebo. Todos os pacientes foram avaliados com testes psicométricos, além de terem amônia arterial dosada no início do seguimento, após o episódio de EH usado como baseline para o estudo. Os pacientes tiveram avaliações feitas 1 vez/mês. O desfecho estudado foi o surgimento de novo episódio de EH de acordo com os critérios de West Haven ao longo de 12 meses.

         De 360 pacientes selecionados, 235 tinham os critérios de inclusão para o estudo. Desses, 38 perderam seguimento e 77 desenvolveram EH, sendo 18 no grupo lactulose, 22 no grupo probiótico e 37 no grupo controle. Houve diferença estatística quando comparados os grupos lactulose x controle (P=0,001) e quando comparados os grupos probióticos x controle (P=0,02), mas não houve diferença entre os grupos lactulose x probióticos (P=0,349). As taxas de reinternação por outras causas que não EH e morte entre os grupos não foi diferente nos meses de seguimento. Na análise multivariada, a recorrência de EH foi significativamente associada a 2 ou mais testes psicométricos alterados, bem como com o nível de amônia após sair de episódio de EH.

 

Aplicações para a prática clínica

         A despeito de não ser um estudo cegado, foi bem executado com randomização e controle. O resultado é bastante satisfatório, pois mostrou que tanto a lactulose quanto os probióticos têm efeitos positivos na profilaxia secundária para encefalopatia hepática. Não se sabe ainda se utilizando os 2 em conjunto pode haver um efeito benéfico somatório, nem se qualquer probiótico tem a mesma validade, mas pelo menos fica claro que há alternativa para evitar recorrência de encefalopatia e mais dados que validem o uso destas terapêuticas.

 

Bibliografia

1.    Agrawal A, Sharma BC, Sharma P, Sarin SK. Secondary prophylaxis of hepatic encephalopathy in cirrhosis: an open-label, randomized controlled trial of lactulose, probiotics, and no therapy. Am J Gastroenterol 2012 Jul; 107:1043. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 7,282)

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