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Diretriz – IAM com supra ST

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 30/07/2013

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Especialidades: Cardiologia / Medicina de Emergência

 

Resumo

Este artigo apresenta o resumo das novas diretrizes internacionais publicadas em 2013 sobre infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAM com supra ST).

 

Contexto clínico

O infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAM com supra ST) tem tido um pequeno declínio de incidência em alguns países, porém continua sendo um grande problema de saúde pública. Apenas como exemplo, nos EUA, o IAM com supra ST corresponde a 1/3 de todas as internações por infarto do miocárdio (um total de 650.000) e as taxas de mortalidade intra-hospitalar e em 1 ano são cerca de 5 a 6% e 7 a 18%, respectivamente. Essa diretriz é uma revisão abrangente das normas publicadas em 2004 (e atualizadas em 2007 e 2009) e incorpora avanços na reperfusão, organização de sistemas regionais de atenção e de estratégias de prevenção secundária.

Esta diretriz foi desenvolvida pelas seguintes instituições: American College of Cardiology Foundation, American Heart Association, American College of Emergency Physicians, Society for Cardiovascular Angiography and Interventions.

 

Recomendações – Resumo

1.    Essas diretrizes enfatizam a necessidade de reduzir o tempo entre o início dos sintomas e a reperfusão, focando em um tempo de 1,5 a 2 horas para os pacientes receberem uma intervenção coronariana. Para refletir a importância desse tempo, foi introduzido um indicador de tempo entre o primeiro contato médico e a intervenção coronariana (e não mais o tempo porta-balão ou o tempo porta-agulha).

2.    O transporte por um serviço de emergência médica diretamente para um hospital capaz de realizar uma intervenção coronariana percutânea é a estratégia recomendada, com a realização de um eletrocardiograma de 12 derivações (ECG) pela equipe pré-hospitalar no local em que o paciente fez o chamado, com subsequente transporte a um hospital, e com uma meta de tempo entre este primeiro contato médico e a intervenção em 90 minutos (Classe I).

3.    Com uma nova ênfase na ativação precoce da sala de cateterismo pelo serviço pré-hospitalar ainda em campo, o diagnóstico via ECG de infarto do miocárdio é fundamental e foi atualizado para refletir isso. Um bloqueio de ramo esquerdo (BRE) novo ou presumivelmente novo na apresentação não deve ser considerado como diagnóstico de IAM de forma isolada, e infradesnivelamento de ST de V1 a V4 deve ser visto como possível lesão transmural posterior. Critérios específicos propostos para o diagnóstico eletrocardiográfico de IAM no cenário de BRE são fornecidos no suplemento de dados online (ver link para o artigo na Bibliografia).

4.    Angioplastia primária continua a ser uma recomendação Classe I em pacientes com início dos sintomas isquêmicos com menos de 12 horas e uma recomendação classe IIa em pacientes com isquemia em curso de 12 a 24 horas após o início dos sintomas. Os stents farmacológicos são considerados seguros e eficazes, mas devem ser evitados em pacientes que não toleram uma terapia antiplaquetária dupla prolongada (Classe III). Inibidores P2Y12 (ticagrelor e prasugrel) são reconhecidas como alternativas para o clopidogrel (Classe I).

5.    A hipotermia terapêutica deve ser iniciada o mais cedo possível em pacientes comatosos com IAM com supra ST e que tiveram parada cardíaca (Classe I).

6.    A recomendação para a terapia fibrinolítica em pacientes com início dos sintomas de menos de 12 horas foi revisada para ser administrada apenas quando a angioplastia primária não puder ser realizada no prazo de 120 minutos entre primeiro contato médico e intervenção (Classe I).

7.    Para pacientes com choque cardiogênico pós-IAM que não estabilizam rapidamente com terapia farmacológica, o uso de balão intra-aórtico (BIA) é uma recomendação Classe IIa e, como alternativa, os dispositivos de assistência ventricular esquerda são uma recomendação classe IIb. No entanto, a recente falta de benefício demonstrado no estudo randomizado BIA-SHOCK publicado em 2012 vai requerer uma rápida revisão desta recomendação (link para esse artigo já comentado no MedicinaNET).

8.    Ficam inalteradas as recomendações Classe I sobre a rotina de terapias médicas (betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), estatinas) e no pós-alta (avaliação da área isquêmica e de risco de morte súbita cardíaca, reabilitação cardíaca, cessação do tabagismo).

 

Bibliografia

1.    O’Gara PT, Kushner FG, Ascheim DD, Casey DE Jr, Chung MK, de Lemos JA et al. 2013 ACCF/AHA guideline for the management of ST-elevation myocardial infarction: A report of the American College of Cardiology Foundation/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines. Circulation 2012 Dec 17; [e-pub ahead of print]. [link para o artigo]

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