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Novidades em cardiologia publicadas em 2012

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 31/07/2013

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Especialidades: Cardiologia

 

Resumo

         Neste artigo, são apresentados dados de estudos relevantes na área de cardiologia publicados ao longo do ano de 2012 em revistas de grande importância na área médica.

 

Tempo de terapia antiarrítmica na fibrilação atrial

         Existe um conceito de que terapia antiarrítmica por curto prazo é tão efetiva e segura quanto a de longo prazo para manutenção de ritmo sinusal em pacientes com história de fibrilação atrial. Entretanto, um estudo1 que randomizou pacientes com FA persistente para 4 semanas ou 6 meses de flecainida (200 a 300 mg/dia) descobriu que, para os desfechos estudados (persistência em FA ou morte), o tratamento por 6 meses é superior. Sendo assim, pode ser mais seguro recomendar uso de antiarrítmicos em pacientes com FA persistente por mais tempo.

 

Ablação por cateter com radiofrequência na fibrilação atrial

         Para muitos pacientes com fibrilação atrial paroxística existe a opção de se tentar ablação por cateter com radiofrequência (ACR) para controlar a arritmia após uma tentativa de controle de ritmo com drogas antiarrítmicas. Um estudo2 avaliou a possibilidade de se utilizar a ACR como primeira linha de tratamento em pacientes com FA paroxística e descobriu que esta opção é tão segura e efetiva quanto terapia antiarrítmica por longo prazo para manutenção de ritmo sinusal, além de possibilitar menos episódios sintomáticos para os pacientes. A despeito de ser apenas um estudo, essa parece ser uma opção promissora.

 

Duração do uso do betabloqueador após infarto agudo do miocárdio

         O uso de betabloqueadores reduz a mortalidade em pacientes com IAM recente, porém não se sabe por quanto tempo eles devem ser usados, sendo muitas vezes prescritos indefinidamente, o que tem base em estudos das décadas de 1980 e 1990. Um estudo observacional de 2012 com 14.000 pacientes3 com história de IAM avaliou os seguintes desfechos: morte de causa cardiovascular, IAM não fatal, AVC não fatal. Foram comparados pacientes que estavam ou não tomando betabloqueador nos últimos 4 anos. Esse estudo levantou a possibilidade de que tomar betabloqueador após IAM de forma indefinida pode ser desnecessário em pacientes que não tiverem outros motivos para continuar tomando esta classe de medicamentos, como presença de disfunção ventricular sistólica com insuficiência cardíaca. Sendo assim, a recomendação para se tomar betabloqueadores indefinidamente após IAM se torna fraca e provavelmente deve ser mais bem julgada pelo médico que faz o acompanhamento do paciente.

 

Bibliografia

1.    Kirchhof P, Andresen D, Bosch R, Borggrefe M, Meinertz T, Parade U et al. Short-term versus long-term antiarrhythmic drug treatment after cardioversion of atrial fibrillation (Flec-SL): a prospective, randomised, open-label, blinded endpoint assessment trial. Lancet. 2012;380(9838):238.

2.    Cosedis Nielsen J, Mortensen LS, Hansen PS. et al. Radiofrequency ablation as initial therapy in paroxysmal atrial fibrillation. N Engl J Med. 2012;367(17):1587.

3.    Bangalore S, Steg G, Deedwania P, Crowley K, Eagle KA, Goto S et al. ß-Blocker use and clinical outcomes in stable outpatients with and without coronary artery disease. JAMA. 2012;308(13):1340.

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