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Novidades em diabetes publicadas em 2012

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 15/08/2013

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Especialidades: Endocrinologia

Rastreamento do diabetes melito1

Existem poucos estudos avaliando os benefícios do rastreamento para o diabetes tipo 2. Em um estudo recente, 33 clínicos gerais do Reino Unido foram randomizados para 3 grupos:

 

      realizar rastreamento e dar tratamento intensivo e multifatorial para quem tivesse diagnóstico;

      realizar rastreamento e dar tratamento convencional para quem tivesse diagnóstico;

      não realizar rastreamento para diabetes (grupo controle).

 

Os pacientes foram selecionados com base em risco para ter diabetes. Foi feito um seguimento médio de 9,6 anos e não ocorreu diferença de mortalidade entre os grupos. As limitações do estudo são que apenas 3% da população que passou por rastreamento teve diagnóstico de diabetes tipo 2 e que é sabido que a maior parte das complicações surge após ao menos 1 década de doença. Sendo assim, esse estudo ainda não é conclusivo, apenas apontando que, dentro do prazo de uma década, realizar ou não o diagnóstico precoce de diabetes por meio de rastreamento não mostrou nenhum benefício mensurável.

 

Insulina Detemir e gestantes2

Em março de 2012, a insulina Detemir recebeu do Food and Drug Administration (FDA – equivalente à Anvisa nos EUA) a classificação de nível B de segurança para uso em gestação baseado em estudos comparativos com insulina NPH em mulheres grávidas. Isso não é uma recomendação de se utilizar a Detemir no lugar da NPH. Este dado apenas mostra que há segurança em se manter a prescrição de uma paciente que engravide e que já usasse Detemir previamente.

 

Cirurgia bariátrica e diabetes melito3,4

O tratamento cirúrgico de pacientes obesos com diabetes resulta em manutenção de perda de peso e, em paralelo, aumento do controle glicêmico. Em 2 estudos randomizados, porém não cegados, paciente obesos (IMC entre 27 e 43) e com diabetes tipo 2 com duração entre 5 e 8 anos foram randomizados para tratamento com cirurgia bariátrica ou terapia clínica (tratamento farmacológico, educação, mudança de estilo de vida). Em um dos estudos, que teve 12 meses de seguimento, mais pacientes no grupo da cirurgia tiveram hemoglobina glicada = 6% em comparação ao grupo de terapia clínica. No outro estudo, com seguimento de 24 meses, a remissão de diabetes ocorreu em uma maior proporção de pacientes que estavam no grupo da cirurgia. Ainda não há dados sobre um resultado no longo prazo, nem se esse resultado seria o mesmo com pacientes com mais tempo de diabetes, ou que realizassem procedimento com uma equipe cirúrgica diferente da dos estudos. Entretanto, a alternativa cirúrgica pode se mostrar promissora, se for confirmado o benefício também no longo prazo para pacientes obesos e com diabetes tipo 2.

 

Bibliografia

1.    Simmons RK, Echouffo-Tcheugui JB, Sharp SJ, Sargeant LA, Williams KM, Prevost AT et al. Screening for type 2 diabetes and population mortality over 10 years (ADDITION-Cambridge): a cluster-randomised controlled trial. Lancet. 2012;380(9855):1741.

2.    Mathiesen ER, Hod M, Ivanisevic M, Duran Garcia S, Brøndsted L, Jovanovic L et al. Maternal efficacy and safety outcomes in a randomized controlled trial comparing insulin determir with NPH insulin in 310 pregnant women with type 1 diabetes melito. Diabetes Care. 2012.

3.    Mingrone G, Panunzi S, De Gaetano A, Guidone C, Iaconelli A, Leccesi L et al. Bariatric surgery versus conventional medical therapy for type 2 diabetes. N Engl J Med. 2012;366(17):1577.

4.    Schauer PR, Kashyap SR, Wolski K, Brethauer SA, Kirwan JP, Pothier CE et al. Bariatric surgery versus intensive medical therapy in obese patients with diabetes. N Engl J Med. 2012;366(17):1567.

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