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Qual a melhor opção de desmame para pacientes em ventilação prolongada?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 14/08/2013

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Especialidades: Terapia Intensiva / Pneumologia

 

Resumo

Este é um estudo randomizado que comparou métodos de desmame para pacientes em ventilação mecânica prolongada para verificar qual o mais eficaz.

 

Contexto clínico

Pacientes que precisam de ventilação mecânica prolongada, definida por mais de 21 dias de ventilação mecânica, correspondem em estudos a 13% dos pacientes em ventilação mecânica e a 37% dos custos em UTI. Tais pacientes são cada vez mais frequentes no meio hospitalar, o que pode ser explicado pelo envelhecimento da população e aumento de comorbidades, o que por consequência, aumenta a quantidade de situações agudas também.

Estudos em UTI demonstram que o tempo de ventilação é influenciado pelo método de desmame, sendo os mais comuns o uso de pressão de suporte ou tentativas de ventilação espontânea. Entretanto, a literatura tem escassez de dados sobre a eficácia destes métodos em pacientes em ventilação prolongada.

 

O estudo

Este foi um estudo randomizado unicêntrico realizado entre 2000 e 2010 para pacientes traqueostomizados em ventilação mecânica prolongada. Foram alocados 155 pacientes para desmame com pressão de suporte e 161 para desmame com tubo T. Foram excluídos pacientes com instabilidade hemodinâmica, déficit neurológico grave, paralisia de nervo frênico bilateral e expectativa de vida < 3 meses devido a neoplasia incurável.

O desfecho primário estudado foi tempo de desmame. Os desfechos secundários analisados foram sobrevida em 6 e 12 meses.

Dos pacientes no grupo de pressão de suporte, 44,7% conseguiram o desmame e 14,5% morreram. No braço do tubo T, 53,1% dos pacientes conseguiram desmame e 10% morreram. A mediana de tempo de desmame foi menor no braço de tubo T (15 dias, variação interquartil: 8-25) do que no braço da pressão de suporte (19 dias, variação interquartil: 12-31), com P=0,004. Ajustando para variáveis de base do paciente, a taxa de sucesso de desmame foi maior com tubo T (HR 1,43; IC95% 1,03-1,98; P=0,033). A mortalidade foi semelhante no grupo de pressão de suporte e no grupo do tubo T com 6 meses (55,92% vs. 51,25%) e 12 meses (66,45% vs. 60%).

 

Aplicações para a prática clínica

Os grandes achados deste estudo se referem ao processo mais rápido de desmame de pacientes traqueostomizados em ventilação prolongada com tubo T do que com pressão de suporte. Outro achado é que há maior taxa de sucesso de desmame com o tubo T. A mortalidade em 6 e 12 meses não foi diferente entre os grupos. Sendo assim, a despeito da necessidade deste resultado ser reproduzido em outros centros para maior validação externa, é bastante plausível utilizar os dados deste estudo como respaldo para uma política institucional que utilize o tubo T como método de escolha para pacientes em ventilação mecânica prolongada. Vale ressaltar que todos os pacientes do estudo estavam traqueostomizados, ou seja, esta é uma necessidade básica para pacientes em ventilação prolongada e deve estar protocolada e bem conduzida dentro dos serviços de terapia intensiva.

 

Referências

1.    Jubran A, Grant BJB, Duffner LA, Collins EG, Lanuza DM, Hoffman LA et al. Effect of pressure support vs unassisted breathing through a tracheostomy collar on weaning duration in patients requiring prolonged mechanical ventilation: a randomized trial. JAMA. 2013;309(7):671-677. (link para o artigo)

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