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Eventos adversos na África e no Oriente Médio

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 22/08/2013

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Especialidades: Segurança do Paciente

 

Resumo

Este é um estudo que mostra a realidade dos eventos adversos em países africanos e do Oriente Médio.

 

Contexto clínico

A realidade de eventos adversos no mundo é foco de constante atenção desde a publicação do relatório “Errar é Humano” do Institute of Medicine, nos EUA. Nesse relatório, foi feita uma estimativa de mortes decorrentes de falha de assistência médico-hospitalar, concluindo que eventos adversos são pelo menos a 8ª causa de mortalidade nos EUA, superando AIDS, câncer de mama e acidentes de carro. Entretanto, apesar de muito estudada em países desenvolvidos, a realidade dos eventos adversos é pouco conhecida em países em desenvolvimento ou em economias de transição.

 

O estudo

A OMS foi responsável por apoiar a realização de um grande estudo em países da África e do Oriente Médio. Participaram deste estudo os seguintes países: Egito, Jordânia, Quênia, Marrocos, Tunísia, Sudão, África do Sul e Iêmen.

A amostra incluiu mais de 15 mil prontuários de 26 hospitais destes países. Dentro da metodologia de revisão de prontuários utilizada, em caso de haver mais de um evento adverso por admissão, apenas o mais grave foi considerado.

A incidência de eventos adversos entre os países variou de 2,5% a 18,4%, com uma incidência geral de 8,2%. A evitabilidade dos eventos foi maior que em outros estudos na Europa, Oceania, EUA e Canadá, atingindo 83% de taxa de eventos evitáveis. Erros de tratamento e de diagnóstico foram as causas mais comuns, contando com 34,2% e 19,1% do total de eventos, respectivamente. Os eventos adversos relacionados a cirurgia representaram apenas 18,4% do total de eventos. Quanto à gravidade, 30% dos eventos adversos relacionavam-se à morte do paciente, um número bem acima do encontrado em estudos precedente. No restante, eventos adversos que causaram dano reversível em até 1 mês corresponderam a 32% do total, 16% foram eventos com dano temporário por até 12 meses e 14% foram eventos com dano permanente.

 

Aplicações para a prática clínica

Este interessante estudo mostra que a realidade de incidência de eventos adversos não é diferente em uma importante amostra de países em desenvolvimento. Chama atenção neste estudo a grande quantidade de eventos adversos evitáveis, apontando para uma possível pior qualidade de assistência em realidades econômicas não tão desenvolvidas como nos países participantes. Outro dado importante é a quantidade de eventos adversos relacionados à morte do paciente, que chega a 30% dos eventos levantados no estudo, um número também bastante impressionante. Conhecer esta realidade aponta para as possibilidades existentes em um país como o Brasil, que engloba em si uma grande variedade de realidades econômicas. A realidade da saúde no Nordeste e Norte tem uma semelhança maior com a realidade do presente estudo do que, por exemplo, o estado de São Paulo (principalmente a capital), que se assemelha mais à realidade dos EUA. Sendo assim, é possível que, dentro da realidade do Brasil, existam hospitais onde há uma grande ocorrência de eventos adversos evitáveis, e de muitos eventos adversos relacionados à morte do paciente, o que impacta na necessidade de melhoria do sistema para que consigamos melhores resultados para nossos pacientes.

 

Bibliografia

1.        Wilson RM, Michel P, Olsen S, Gibberd RW, Vincent C, El-Assady R, et al. Patient safety in developing countries: retrospective estimation of scale and nature of harm to patients in hospital. BMJ. 2012;344:e832. (link para o artigo)

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