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Dose única de etomidato é segura em sepse

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 13/09/2013

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Especialidades: Medicina de Emergência / Terapia Intensiva

 

Resumo

Este é um grande estudo que avaliou a segurança do etomidato na intubação de pacientes com sepse.

 

Contexto clínico

O etomidato é uma das melhores medicações para serem utilizadas em intubações de urgência, sendo a mais utilizada na prática da sequência rápida de intubação. Entretanto, há muita controvérsia quanto ao seu uso, pois é uma droga que promove supressão adrenal de forma transitória. Contudo, os dados de estudo quanto ao significado clínico desta supressão adrenal são muito conflitantes.

 

O estudo

Este foi um estudo de coorte retrospectiva que incluiu 2.014 pacientes sépticos (incluindo sepse, sepse grave e choque séptico) que foram intubados em uma UTI entre 4 e 96 horas após sua admissão nestas unidades. Destes, 1.102 receberam etomidato, e 912 receberam outro agente indutor na intubação orotraqueal.

O principal desfecho avaliado foi mortalidade hospitalar, mas também foram avaliados fatores clínicos, gravidade da doença, mortalidade na UTI, tempo de internação na UTI e hospitalar, tempo de ventilação mecânica e tempo de uso de vasopressores.

Entre os grupos não houve diferença quanto a aspectos demográficos ou de gravidade da doença. A mortalidade hospitalar foi similar entre os grupos (37,2% vs. 37,8%, p=0,77), bem como a mortalidade na UTI (30,1% vs. 30,2%, p=0,99). O tempo de internação na UTI também foi similar (8,7 dias vs. 8,9 dias, p=0,66), bem como o tempo de internação hospitalar (15,2 dias vs. 14,6 dias, p=0,31). No grupo que recebeu etomidato, mais pacientes receberam corticoides tanto antes quanto depois da intubação (52,9% vs. 44,5%, p<0,001), mas tanto o tempo de ventilação mecânica quanto o tempo de uso de vasopressores foi similar entre os grupos. Na análise multivariada, não houve associação do etomidato com mortalidade, choque, duração de ventilação mecânica, tempo de internação na UTI ou no hospital, ou uso de vasopressores. Quando o subgrupo apenas dos pacientes com choque séptico foi analisado, o etomidato continuou não se associando com mortalidade.

 

Aplicações para a prática clínica

A grande conclusão deste estudo é que o etomidato não está associado a maior mortalidade quando usado em dose única para realização de intubação orotraqueal.

Interessante notar no estudo que mais pacientes do grupo etomidato haviam recebido corticoides antes e depois da intubação, mostrando que é possível escolher o etomidato pelo médico que realizou a IOT, pois é um medicamento mais estável hemodinamicamente que outras opções, como midazolam e propofol. Os achados deste estudo são bastante consistentes com o de estudos randomizados2.

É muito importante verificar que começou a ocorrer uma grande polêmica em torno do etomidato com base em uma literatura bastante questionável, levando muitos experts a se posicionarem contra o etomidato. Este estudo associado a outros com metodologia adequada talvez mostrem que o etomidato é, sim, um medicamento seguro, sem efeitos clínicos significativos e que pode continuar sendo utilizado na sequência rápida de intubação em pacientes com sepse, uma vez que ele é tradicionalmente ensinado e praticado neste contexto. Além disso, há muita experiência a seu favor e seu perfil de efeitos colaterais é melhor que o de drogas que levam a hipotensão e miocardiodepressão, como o midazolam e o propofol, tão comumente utilizados, mas que não deveriam ser a primeira opção de nenhum médico que trabalha na emergência.

 

Bibliografia

1.    McPhee LC, Badawi O, Fraser GL, Lerwick PA, Riker RR, Zuckerman IH et al. Single-dose etomidate is not associated with increased mortality in ICU patients with sepsis: Analysis of a large electronic ICU database. Crit Care Med 2013 Jan 9; [e-pub ahead of print]. (link para o artigo)

2.    Jabre P, Combes X, Lapostolle F, Dhaouadi M, Ricard-Hibon A, Vivien B et al. Etomidate versus ketamine for rapid sequence intubation in acutely ill patients: A multicentre randomised controlled trial. Lancet 2009 Jul 1; [e-pub ahead of print]. (link para o artigo)

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