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Metanálise de uso de USG para guiar punção lombar e cateterização epidural

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 20/09/2013

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Especialidades: Neurologia / Medicina de Emergência / Anestesiologia

 

Resumo

Esta é uma metanálise sobre o uso de ultrassonografia para guiar procedimentos de punção lombar e cateterização epidural.

 

Contexto clínico

Punção lombar e cateterização epidural são procedimentos extremamente utilizados na prática médica. A primeira é utilizada como método diagnóstico para avaliação do líquido cefalorraquidiano bem como via de acesso para tratamentos intratecais. A segunda é utilizada em procedimentos anestésicos em que há necessidade de bloqueio regional, sendo um bom exemplo o parto cesariano.

Ambos os procedimentos dependem tecnicamente da identificação de reparos anatômicos pelo médico que irá realizá-lo, porém, intercorrências e dificuldade de realização podem ocorrer. Isso gerou um aumento do interesse pelo uso da ultrassonografia (USG) para guiar tais procedimentos, devido a seu baixo custo, disponibilidade e baixo risco imposto para o paciente.

 

O estudo

Esta metanálise incluiu 14 estudos randomizados (total de 1.334 pacientes) que compararam os procedimentos de punção lombar (PL) e cateterização epidural (CE) às cegas e guiados por USG (5 estudos para PL e 9 para CE).

O uso do USG reduziu o risco de falha nos procedimentos (risk ratio: 0,21; IC95%: 0,10 – 0,43; P<0,001). Essa redução de risco ocorreu nos subgrupos de PL (risk ratio: 0,19; IC95%: 0,07 – 0,56; P=0,002) e CE (risk ratio: 0,23; IC95%: 0,09 – 0,60; P=0,003). O uso do USG também diminuiu o risco de procedimentos com acidente de punção, definido como presença de sangue durante a punção ou de hemácias na análise de células (risk ratio 0,27; IC95%: 0,11 – 0,67; P=0,005), o número de tentativas (Diferença Média: -0,44; IC95%: -0,64 a -0,24; P<0,001) e o número de vezes que foi preciso redirecionar a agulha (Diferença Média: -1,00; IC95%: -1,24 a -0,75; P<0,001). No geral, 1% dos procedimentos teve falha nos pacientes que realizaram USG, enquanto que no grupo que não utilizou, a taxa de falhas foi de 7%.

 

Aplicações para a prática clínica

Os achados desta metanálise trazem mais uma vez o USG como grande arma para a segurança de procedimentos invasivos. Já não se discute mais o benefício das punções de acesso venoso central com USG, sendo inclusive isso considerado como padrão de qualidade para passagem de CVC. Agora, com esta metanálise, temos evidência forte para utilização do USG também nas coletas de líquido cefalorraquidiano, tratamentos intratecais e anestesias regionais epidurais.

 

Bibliografia

1.    Shaikh F, Brzezinski J, Alexander S, Arzola C, Carvalho JCA, Beyene J et al. Ultrasound imaging for lumbar punctures and epidural catheterisations: Systematic review and meta-analysis. BMJ 2013 Mar 26; 346:f1720. (link para o artigo).

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