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Estudo Histórico – Harvard Medical Practice Study II

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 04/10/2013

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Especialidades: Segurança do Paciente

 

Resumo

Esta é a segunda parte (de um total de 3) do estudo histórico Harvard Medical Practice Study, que lançou as bases para o levantamento de eventos adversos em instituições de saúde.

 

Contexto clínico

A importância da ciência da Segurança do Paciente tem crescido cada vez mais dentro do contexto de assistência em saúde. O levantamento de eventos adversos dentro de diferentes realidades é o grande subsídio epidemiológico para tomadas de ações. O estudo mais importante até hoje já publicado foi desenvolvido pela Universidade de Harvard no estado de Nova York, nos EUA. Esta é a segunda parte do estudo, que foca no detalhamento dos tipos de eventos adversos (EAs) que ocorrem em pacientes hospitalizados.

 

O estudo

Este foi um estudo retrospectivo e observacional conduzido no início da década de 1980 no estado de Nova York nos EUA. No estudo, foram revisados 30.121 prontuários escolhidos de forma randomizada, de 51 hospitais.

Na segunda parte que foi publicada sobre o estudo, foram analisados os tipos de eventos adversos (EA). Em 48% dos casos, o EA foi associado a um procedimento cirúrgico. As infecções de feridas cirúrgicas e complicações técnicas em cirurgias foram os tipos mais frequentes, causando respectivamente 14% e 13% do total de eventos. Eventos causados por medicamentos também foram muito comuns, causando 19% dos EA. Em termos de locais do hospital, 41% dos EA ocorreram dentro de sala cirúrgica, 27% em um quarto de enfermaria e 3% tanto em salas de emergência quanto em unidades de terapia intensiva. Nessa publicação, também foram colocados os tipos de erros dos médicos. Os mais comuns se referiam à execução de procedimentos ou cirurgias, responsáveis por 35% dos EA, seguidos de 22% de erros na realização de alguma medida de prevenção e de 14% de erros em diagnósticos.

 

Aplicações para a prática clínica

Na segunda parte do Harvard Medical Practice Study, vemos mais detalhes sobre os tipos de eventos adversos que foram encontrados neste grande estudo. Merecem destaque os eventos relacionados a procedimentos cirúrgicos. Não é à toa que, anos mais tarde, a Organização Mundial da Saúde viria a lançar a campanha mundial de Cirurgia Segura com base em um checklist perioperatório (para mais detalhes, leia este artigo do MedicinaNET) para reduzir este tipo de evento adverso. O percentual de EA causados por medicações também se mostrou bastante importante, e até hoje é fonte de desafio em políticas de Segurança do Paciente. Outro dado que merece destaque é que 14% dos EA foram causados por erros diagnósticos, mostrando a fragilidade que a própria atuação médica pode ter nesses cenários, o que suscita um grande questionamento sobre quais os fatores de risco para ocorrência de tais tipos de erros, que podem ser fatais.

 

Bibliografia

1.    Leape LL, Brennan TA, Laird N, Lawthers AG, Localio AR, Barnes BA, et al. The nature of adverse events in hospitalized patients. Results of the Harvard Medical Practice Study II. NEJM. 1991 Feb 7; 324(6):377-84. (link para o artigo).

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