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Preditores de infecção grave por H1N1 em crianças

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 14/01/2014

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Especialidades: Pediatria / Infectologia / Medicina de Emergência

 

Resumo

Este estudo mostra quais são os fatores de risco para infecção grave por H1N1 na população pediátrica.

 

Contexto clínico

A infecção pelo vírus influenza H1N1 em 2009 foi considerada uma epidemia mundial, porém, atualmente, é um dos vírus sazonais que acometem a população, e a morbimortalidade associada encontra-se em níveis considerados tradicionais para infecções por influenza. Ainda assim, em alguns grupos populacionais, a infecção pode ser mais grave, e um dos grupos de atenção são as crianças. A seguir, é apresentado um estudo feito com o intuito de descobrir quais são os fatores de risco associados com infecções mais graves por H1N1 em crianças.

 

O estudo

Este é um estudo retrospectivo multicêntrico do tipo caso-controle. Foi desenvolvido com base nos dados de 79 departamentos de emergência de 12 países.

Foram incluídas 265 crianças com menos de 16 anos de idade com critérios diagnósticos para infecção por influenza e H1N1 confirmado por técnica laboratorial, e que desenvolveram desfechos considerados graves pelo estudo. Cada caso foi pareado com 2 controles que tinham infecção por influenza, porém sem desenvolver desfechos graves.

Os desfechos graves considerados foram óbito ou internação em UTI para ventilação mecânica, uso de inotrópicos ou ambos. Foi utilizada uma regressão logística para análise multivariada para comparar casos e controles. Do total de casos, 57% era do sexo masculino, a mediana de idade era de 6 anos (Range de 2,3 a 10) e 10% (27) foram a óbito. Foram encontrados 6 fatores de risco para desfechos graves:

 

      história de doença pulmonar crônica (OR 10,3; IC 95% 1,5 – 69,8);

      história de paralisia cerebral/atraso de desenvolvimento (OR 10,2; IC 95% 2 – 51,4);

      sinais de retração torácica (OR 9,6; IC 95% 3,2 – 29);

      sinais de desidratação (OR 8,8; IC 95% 1,6 – 49,3);

      necessidade de oxigênio (OR 5,8; IC 95% 2 – 16,2);

      taquicardia relativa à faixa etária.

 

De todos estes preditores, apenas história de paralisia cerebral/atraso de desenvolvimento foi isoladamente relacionado a risco de morte (OR 2,6). Outro dado é que, comparados aos que sobreviveram, os que morreram receberam menos antiviral nas primeiras 4 horas após chegada ao pronto-socorro.

 

Aplicações para a prática clínica

Este interessante estudo caso-controle foi desenvolvido com dados da epidemia de 2009. Seus dados são bastante interessantes, uma vez que podem ajudar na indicação de quais pacientes precisam de terapia antiviral com oseltamivir e internação, em virtude do risco de gravidade, seja óbito, seja necessidade de suporte de vida em terapia intensiva. Notamos que especificamente os neuropatas por paralisia cerebral ou com algum atraso de desenvolvimento são os pacientes com maior potencial de gravidade, sendo este o único fator de risco isolado para morte. Tais dados têm aplicação prática e podem auxiliar nas decisões em atendimentos de pronto-socorro.

 

Bibliografia

1.    Dalziel SR et al. Predictors of severe H1N1 infection in children presenting within Pediatric Emergency Research Networks (PERN): retrospective case-control study. BMJ 2013 Aug 12; 347:f4836 (link para o artigo).

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