FECHAR
Feed

Já é assinante?

Entrar
Índice

Mortalidade após síncope

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 03/09/2008

Comentários de assinantes: 0

Podemos predizer mortalidade após uma síncope?

 

Mortalidade após visita ao departamento de emergências por síncope: qual sua freqüência e pode ser predita?

Quinn J et al. Death after emergency department visits for syncope: How common and can it be predicted? Ann Emerg Med 2008 May; 51:585 [link livre para o pubmed].

 

Fator de impacto da revista: 3,120

 

Contexto Clínico

            Inúmeras são as causas de síncope, desde situações benignas até doenças sérias, entretanto suas causas são de difícil distinção uma vez que a apresentação clínica é semelhante. A regra de São Francisco, que já mostrou valor preditivo no prognóstico de curto prazo, estratifica os pacientes em grupos de alto e baixo risco com base na presença de qualquer um de 5 fatores de risco: história de insuficiência cardíaca, hematócrito < 30%, eletrocardiograma anormal, dispnéia e pressão arterial sistólica < 90 mmHg.

 

O Estudo

            Neste estudo prospectivo tipo coorte, com 1418 pacientes (idade média de 62 anos) consecutivos, durante um período de 45 meses, que se apresentaram a um único departamento de emergências com síncope, os pesquisadores que haviam desenvolvido a regra de São Francisco para síncope (San Francisco Syncope Rule), avaliaram se esta regra poderia predizer mortalidade em um ano após o episódio de síncope. Nos pacientes que morreram, os autores determinaram a causa da morte, julgaram se causa da morte estava associada à causa da síncope e, retrospectivamente aplicaram a regra.

 

Resultados

            As taxas de mortalidade geral foram de 1,4% em 1 mês; 2,9% aos 3 meses; 4,3% aos 6 meses e 7,6% no primeiro ano. As taxas de mortalidade relacionada à síncope foram de 1,3% em 1 mês; 1,8% aos 3 meses; 2,3% aos 6 meses e 3,8% no primeiro ano. Aos seis meses, a Regra apresentou uma sensibilidade de 89% e uma especificidade de 53% para mortalidade geral e sensibilidade de 100% com especificidade de 52% para mortalidade relacionada à síncope. Ao final do primeiro ano, a Regra apresentou, respectivamente, sensibilidades e especificidades de 83% e 54% para mortalidade geral e 93% e 53% para mortalidade relacionada à síncope.

 

Aplicação para a Prática Clínica

            Embora seja um estudo em um centro único, o que reduz a capacidade de generalização dos resultados para outros locais, necessitando-se de validação dos resultados num estudo multicêntrico, os resultados são interessantes. A regra de São Francisco, como já tinha sido demonstrado no curto prazo, mostrou boa sensibilidade para predizer mortalidade em um ano após o episódio de síncope. Assim, a regra de São Francisco para síncope pode ser usada para identificar pacientes de baixo risco de mortalidade no curto e médio prazo. Pacientes com síncope que não apresentem nenhum dos cinco fatores de risco e o médico plantonista considere tratar-se de quadro benigno podem ser liberados com segurança do pronto-socorro para avaliação ambulatorial da causa da síncope. Um teste com uma sensibilidade de 93%, mas com baixa especificidade (53%) apresenta uma boa utilidade quando está negativo.

 

Dicas de Medicina Baseada em Evidências e Epidemiologia

 

Estudo observacional, do tipo coorte histórica (ou coorte retrospectiva).

            Os autores, partindo de pessoas que já tinham morrido no presente, avaliaram a exposição ao fator de risco (no caso a positividade da regra de São Francisco) no passado. É um estudo mais simples que uma coorte prospectiva e mais sujeito a viés, pois os dados necessários ao estudo ocorreram no passado e nem sempre seu resgate é fidedigno, não havendo possibilidade de correções, uma vez que os eventos já ocorreram e os dados sobre exposição também estão distantes no tempo.

 

Conecte-se

Feed

Sobre o MedicinaNET

O MedicinaNET é o maior portal médico em português. Reúne recursos indispensáveis e conteúdos de ponta contextualizados à realidade brasileira, sendo a melhor ferramenta de consulta para tomada de decisões rápidas e eficazes.

Medicinanet Informações de Medicina S/A
Av. Jerônimo de Ornelas, 670, Sala 501
Porto Alegre, RS 90.040-340
Cnpj: 11.012.848/0001-57
(51) 3093-3131
info@medicinanet.com.br


MedicinaNET - Todos os direitos reservados.

Termos de Uso do Portal