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Influência da Poluição no Peso Fetal

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 04/02/2014

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Especialidades: Pediatria / Obstetrícia / Medicina de Família

 

 

Contexto Clínico

          Sob a denominação geral de “Material Particulado” se encontra um conjunto de poluentes constituídos de poeiras, fumaças e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera por causa de seu pequeno tamanho. As principais fontes de emissão de particulado para a atmosfera são: veículos automotores, processos industriais, queima de biomassa, ressuspensão de poeira do solo, entre outros. O material particulado pode também se formar na atmosfera a partir de gases como dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx) e compostos orgânicos voláteis (COVs), que são emitidos principalmente em atividades de combustão, transformando-se em partículas como resultado de reações químicas no ar. O tamanho das partículas está diretamente associado ao seu potencial para causar problemas à saúde, sendo que quanto menores maiores os efeitos provocados. O particulado pode também reduzir a visibilidade na atmosfera.

          Material particulado fino (<2,5 µm; PM2,5) é um grupo importante de poluentes que resultam da queima de combustíveis fósseis. Não se sabe ainda qual a total extensão de seus efeitos na saúde do ser humano, e isto tem sido motivo de muitas investigações. Há associação de poluição do ar com restrição de crescimento fetal, o que é por sua vez ligado a doenças respiratória na infância. Este estudo verificou o efeito da exposição materna à poluição do ar em relação ao peso fetal.

 

O Estudo

          Este é um estudo observacional do tipo coorte. Foram analisados os dados de 14 estudos populacionais de 12 países europeus. A população total incluída foi de 74.178 mulheres com gestações únicas ocorridas entre fevereiro de 1994 e junho de 2011. O desfecho de interesse foi a ocorrência de baixo peso ao nascimento a termo (peso < 2500g após 37 semanas de gestação). Foram estimadas as concentrações médias de material particulado de diâmetros < 2,5 µm (PM2,5), < 10 µm (PM10), e entre 2,5 µm e 10 µm durante as gestações estudadas nos endereços domiciliares das mães, assim como a absorção de PM2,5, a absorção e a concentração de dióxido de nitrogênio, e de óxido de nitrogênio. Foi também investigada a densidade de tráfego na rua mais próxima da casa.

Um aumento de 5 µg/m³ na concentração de PM2,5 durante a gestação foi associada a um aumento do risco de baixo peso ao nascimento a termo (OR 1,18; IC95%: 1,06 – 1,33). Aumentos de magnitude similar foram associados a outros poluentes, bem como à densidade do tráfego de carros na rua mais próxima da residência da gestante (OR: 1,06 para um aumento de 5000 carros/dia). Os autores estimaram que uma diminuição para 10 µg/m3 nas concentrações de PM2,5  (que é a meta da Organização Mundial da Saúde para este item), poderia prevenir 22% dos casos de baixo-peso ao nascimento.

 

Aplicações para a Prática Clínica

          Este estudo observacional traz à tona uma informação fundamental para planejamentos de saúde pública: a exposição a poluentes atmosféricos e a tráfego intenso de carros durante a gestação afeta a ocorrência de baixo peso ao nascer. Políticas que busquem diminuir a emissão de poluentes em centros urbanos, principalmente, deverão ter impacto neste fator de risco, uma vez que baixo peso ao nascer é associado a maior mortalidade infantil por sua correlação com infecções e desnutrição.  É preciso lembrar que a diminuição de poluentes acaba tendo consequências positivas que atingem toda a população, principalmente pneumopatas e cardiopatas. Seria fundamental que, no momento mundial que vivemos, políticas que garantam um futuro de menos riscos para a população entrasse na pauta política para criação de soluções. Um dos focos deve ser a poluição do ar nas cidades, e buscar atingir as metas de qualidade da OMS devem ser uma prioridade pelo grande impacto na mortalidade infantil que podem ter soluções nesse sentido.

 

Bibliografia

1.             Pedersen M et al. Ambient air pollution and low birthweight: A European cohort study (ESCAPE).Lancet Respir Med 2013 Oct 15; [e-pub ahead of print] (link para o artigo)

2.             Grigg J. Effects of air pollution on fetal development — more than low birthweight? Lancet Respir Med2013 Oct 15; [e-pub ahead of print]. (link para o artigo)

3.             Qualidade do Ar – CETESB. Disponível em: http://www.cetesb.sp.gov.br/ar/Informações-Básicas/22-

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